VOLKSWAGEN PERDE FÔLEGO E LUCROS AFUNDAM MAIS DE 50% COM TARIFAS E CRISE NOS SEMICONDUTORES
2025-10-30 22:02:37

Lucros nos primeiros nove meses do ano caíram fortemente, penalizados pelos custos da da reestruturação levada a cabo na Porsche, pelas tarifas impostas pelos Estados Unidos e agravados pela crise no fornecimento de semicondutores O sector automóvel europeu continua a desacelerar. Esta quinta-feira, o grupo Volkswagen informou que os seus lucros relativos aos primeiros nove meses do ano caíram mais de 50%, totalizando cerca de 3,5 mil milhões de euros. No terceiro trimestre deste ano, a segunda maior construtora automóvel do mundo reportou prejuízos de 482 milhões de euros, um valor claramente negativo se compararmos com o período homólogo, altura em que o Grupo Volkswagen apresentou um lucro na ordem dos 1,2 mil milhões de euros. As vendas, por seu turno, aumentaram na América do Sul (13%), na Europa Ocidental (4%) e na Europa Central e Oriental (11%). Este desempenho acabou por compensar a quebra verificada nos mercados chinês e norte-americano. Crise dos semicondutores penaliza sector Há vários motivos que explicam a travagem do grupo alemão. A Volkswagen tem estado a enfrentar os efeitos de uma cadeia de abastecimento cada vez mais instável. O caso mais recente envolve a Nexperia, uma fabricante holandesa de semicondutores controlada por capital chinês, que se tornou o centro de uma disputa política entre a Europa e a China. O governo dos Países Baixos assumiu o controlo da empresa por razões de segurança nacional, temendo a transferência de tecnologia para o país asiático. Em resposta, Pequim suspendeu as exportações de chips produzidos pela Nexperia, o que colocou em risco o fornecimento de componentes essenciais à indústria automóvel europeia. Embora a Nexperia não seja fornecedora direta da Volkswagen, muitos dos parceiros do grupo dependem dos seus produtos, tornando o impacto inevitável. O diretor financeiro da Volkswagen, Arno Antlitz, reconheceu que a solução é “política e não técnica”, uma leitura partilhada pelo líder da Mercedes-Benz, Ola Källenius, que enfrenta problemas semelhantes. A isto somam-se os custos da mudança de estratégia da Porsche, que decidiu manter a produção de modelos com motor de combustão, contrariando a tendência de eletrificação e obrigando a Volkswagen a ajustar a sua estratégia de produto, um encargo que custou 4,7 mil milhões de euros. Tarifas de Trump começam a pesar na Europa O lucro operacional do Grupo Volkswagen caiu quase 60%, para 5,4 mil milhões de euros. A margem de lucro baixou para menos de metade, já que as tarifas impostas pelo então presidente norte-americano, Donald Trump, encareceram tanto as exportações como as peças importadas. Segundo a Volkswagen, o agravamento tarifário norte-americano teve um impacto de 7,5 mil milhões de euros nas contas da empresa.. O mesmo cenário afetou a Mercedes-Benz, que também viu os seus lucros encolherem no terceiro trimestre, penalizada pelo aumento das tarifas sobre os envios para os Estados Unidos. O construtor alemão registou uma queda de 31% no lucro, para 1,19 mil milhões de euros, face aos 1,71 mil milhões do ano anterior, enquanto as receitas recuaram 7%, para 32,15 mil milhões de euros. SAPO