LUCROS DA VOLKSWAGEN CAEM 53% ATÉ SETEMBRO PARA 3.523 MILHÕES DE EUROS
2025-10-30 22:05:03

As quebras são justificadas pelas tarifas impostas pelos EUA e os custos da mudança estratégica da Porsche. Os lucros da Volkswagen caíram 53% até setembro para 3.523 milhões de euros, devido às tarifas impostas pelos EUA e aos custos da mudança estratégica da Porsche, informou esta quinta-feira a empresa automóvel. O grupo Volkswagen, que também possui outras marcas, como Porsche, Audi, Skoda ou Seat, sofreu no terceiro trimestre prejuízos de 482 milhões de euros, em comparação com o lucro de 1.193 milhões de euros no mesmo período do ano anterior. A empresa manteve a faturação, nos primeiros nove meses do ano, nos 238.669 milhões de euros (+0,6% em relação ao ano anterior), após aumentar as vendas em 1,8% (para 6,581 milhões de veículos). As vendas subiram na América do Sul (+13 %), Europa Ocidental (+4 %) e Europa Central e Oriental (+11 %), crescimento que compensou a queda na China (-2 %) e na América do Norte (-11 %). O lucro operacional caiu 57,8%, para 5.408 milhões de euros, o que reflete uma rentabilidade operacional sobre as vendas de 2,3% (5,4% no ano anterior) devido aos custos das tarifas impostas pelo Presidente dos EUA, Donald Trump. O responsável financeiro do grupo Volkswagen, Arno Antlitz, afirmou terem tido custos adicionais de 7.500 milhões de euros devido ao aumento das tarifas dos EUA e à mudança de estratégia do fabricante de carros desportivos Porsche, que quer manter a produção de modelos com motor de combustão. Especificamente, 4.700 milhões de euros correspondem ao ajuste da estratégia de produto da Porsche. Antlitz acrescentou que, sem estes encargos com as tarifas e a Porsche, a rentabilidade operacional seria de 5,4%, “um número respeitável no atual ambiente económico”. A carteira de encomendas na Europa Ocidental aumentou 17% e a de carros elétricos disparou 64%. A posição de liquidez da divisão automóvel manteve-se sólida, com mais de 31.000 milhões de euros. Os resultados da Volkswagen, que procura fornecedores de chips devido aos problemas da Nexperia, foram prejudicados pela queda nas vendas das suas marcas de gama alta e pela redução nos lucros da Porsche devido aos custos de manutenção dos modelos com motor de combustão. A marca VW e a checa Skoda melhoraram o resultado operacional, mas a Seat e a Cupra, as marcas de gama alta como a Audi e a Porsche, reduziram-no. A Seat e a Cupra obtiveram até setembro um lucro operacional de 16 milhões de euros, uma queda de 96,1% face ao ano. O grupo Volkswagen, que até 2030 vai cortar 35.000 postos de trabalho na Alemanha, quase um quarto dos 130.000 funcionários que tem no país, prevê manter as vendas em 2025 ao nível de 2024. Além disso, prevê para este exercício uma rentabilidade operacional sobre as vendas entre 2 e 3%. A Volkswagen especifica que estas previsões assumem que terá uma “disponibilidade adequada de semicondutores”, pelo que poderão variar se tiver problemas de abastecimento de chips . CFO da Volkswagen diz que solução para fornecimento de chips da Nexperia é política O administrador financeiro (CFO) do grupo Volkswagen, Arno Antlitz, disse esta quinta-feira que a solução para os problemas de fornecimento de chips da Nexperia é política e não técnica. Na apresentação dos resultados do terceiro trimestre da Volkswagen, numa conferência com analistas, Antlitz considerou que “são necessárias discussões políticas”. No entanto, o CFO recusou-se a comentar se é a Europa ou os EUA que devem conduzir as conversações. Na apresentação dos resultados da Mercedes-Benz, na quarta-feira, o presidente do conselho de administração do grupo, Ola Käällenius, também disse que a solução para a atual escassez de chips é política. O grupo Volkswagen tem garantido, até ao final da próxima semana, a produção na Alemanha das suas marcas VW, Audi, Porsche e veículos comerciais, apesar da escassez de chips devido a problemas de abastecimento da empresa holandesa Nexperia, depois de o governo ter assumido o controlo da empresa. Antlitz acrescentou hoje que as decisões sobre a produção são tomadas semana a semana. Os problemas de abastecimento da Nexperia, que foi fundada como subsidiária da Philips, mas posteriormente adquirida por uma empresa chinesa, começaram após o governo holandês ter assumido o controlo para impedir a transferência de tecnologia e conhecimento para o país asiático. Posteriormente, a China interrompeu as exportações de chips da Nexperia, que não é um fornecedor direto do grupo Volkswagen, mas alguns dos seus componentes são usados em peças de veículos fornecidas àquele grupo. Até agora, a escassez de fornecimentos da Nexperia não afetou a produção da Volkswagen na Alemanha. A produção de automóveis nas fábricas alemãs está garantida esta semana. Na sexta-feira, 31 de outubro, a produção será interrompida, mas porque é feriado nos estados federados da Baixa Saxónia e da Saxónia. Antlitz disse também que têm muita experiência com semicondutores devido à crise de fornecimento de chips que ocorreu durante a pandemia. O administrador do grupo Volkswagen considerou que é demasiado cedo para analisar o efeito que os avanços nas negociações comerciais entre o Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e o Presidente da China, Xi Jinping, podem ter no fornecimento de chips. Lusa