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OPINIÃO - STORYTELLING NUMA MARCA: UM EMBUSTE QUE ADORAMOS

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2025-10-31 22:04:19

Storytelling numa marca: um embuste que adoramos Se forem a muitos dos artigos que aparecem nesta revista, se analisarem muitos das conferências que existem por aí sobre criação e desenvolvimento de marcas ou de produto, em especial no domínio do luxo e no domínio de mercados de nicho, verão que há um critério que eu juraria que não há um único consultor neste domínio que não vos vá a obrigar a ter e que é a existência de um storytelling , de uma história por detrás do conceito da marca ou por detrás do conceito de produto. Vão dizer-vos: uma marca ou um produto têm de contar ou ter uma história por detrás. Eu próprio adotei de braços abertos e de espírito de missão a necessidade de ter sempre sytellings em todos os aspetos da minha marca. Como julgo que saberão, além do advogado, eu tenho também uma marca de perfumes de nicho e fui tão longe tão longe, mas tão longe nesta obsessão de criar um storytelling que a assinatura da minha marca é: “storytelling on your skin”. Assim mesmo: o perfume como a nossa história na pele ou uma história na pele, como que se os perfumes criassem as nossas histórias de vida por via do cheiro da nossa pele. Fui ainda mais longe e criei com a minha equipa de marketing (que ainda é mais obsessiva nisso), para cada perfume, uma história relativamente ao perfume e fomos tão longe que escrevemos essa história em cada uma das páginas do perfume na nossa internet e, mais ainda, a história e o storytelling desse perfume está no verso da caixa em que o perfume é vendido e entregue ao cliente final. Isso quer dizer que não há ninguém que possa dizer que não foi levado a saber o conceito de um determinado perfume, quer o cliente final, quer, tão importante para nós, o nosso cliente intermédio que é em termos de sell-in os vendedores que estão nas nos pontos de venda da nossa marca. Eu adoro o storyteling em termos de conceito de marca para conferências e para estes artigos de opinião, mas aquilo que eu acho que os clientes sabem do storytelling de uma marca ou de um produto é: zero. e verdade que há marcas em que alguns clientes poderão saber alguma do imaginário da mesma: a manufatura da pele na Louis Vuitton ou a história da carteira da Birkin, mas, mesmo assim, eu juraria que mais de 90% das clientes que têm a Birkin, ou, melhor, mais de 90% das mulheres que aspiram a ter uma carteira da Birkin (e nas classes sociais alta e média alta, mais de 90% das mulheres anseiam a ter uma carteira Birkin que custa EUR30 mil) não sabem a história da mesma. e essa carteira é talvez o ícone máximo dos tempos que correm. Agora, vamos ao site da Chanel e vejam o último modelo da carteira da Chanel: ninguém sabe a história da última carteira da Chanel, nem ninguém sabe a história dos últimos sapatos da Miu Miu. Na verdade, as mulheres querem aquelas marcas e aqueles produtos porque gostam, porque aquelas marcas e aqueles produtos fazem a tendência, mas estão a borrifar-se para história inerente a cada um daqueles produtos. Se calhar, nem os criadores daquelas marcas estão a pensar numa história para aqueles produtos... podem estar ligados a uma tendência de uma determinada coleção... mas uma história para cada... hum... Nos meus perfumes, é algo similar. Na perfumaria de nicho, há uns freaks que sabem tudo sobre determinados perfumes sobre as marcas. Eu próprio, que sou colecionador de perfumes de nicho e que tenho centenas, sei a história de quase todos eles. Mas somos poucos, porque, na verdade, os meus clientes e amigos estão-se perfeitamente a borrifar para a história linda do perfume Areia Salgada ou do Dapper, o perfume que nós criámos para a Porsche. No Dapper, ninguém quer saber que o perfume representa o homem que é sócio do clube Annabels e o usa quando convida uns amigos para ir tomar um uísque a esse clube privado de luxo em Londres. O que qualquer homem quer quando compra O Dapper é o perfume que nós fizemos para Porsche e que a Posche não vende. Quer ser um homem Porsche. Afinal, nós homens ainda somos piores do que as mulheres. Interessa-nos mesmo são os carros. M&P Fundador da Comporta Perfumes e advogado de proteção de direitos de marcas Pedro Simões Dias, fundador da Comporta Perfumes e advogado de proteção de direitos de marcas, revela que há dois mitos que adora no mundo das marcas e, em especial, no mundo das marcas associadas ao luxo ou a mercados de nicho. Um deles é o storytelling Há dois mitos que adoro no mundo das marcas e, em especial, no mundo das marcas associadas ao luxo ou a mercados de nicho. Um deles é o do storyteling PEDRO SIMÕES DIAS