PROPOSTA ALEMÃ PODE RESOLVER POLÉMICA DOS HÍBRIDOS PLUG-IN
2025-11-05 22:06:19

Os híbridos plug-in continuam sob fogo por raramente serem carregados. Agora, uma associação alemã tem uma proposta para mudar isso. Durante anos, os híbridos plug-in foram vistos por grande parte da indústria automóvel europeia como o “Santo Graal das emissões”. A fórmula parecia perfeita: ao mesmo tempo que permitem conduzir em modo 100% elétrico - reduzindo as emissões -, mantêm um motor a combustão que elimina a chamada “ansiedade de autonomia”, um dos principais receios de quem pondera comprar ou tem um elétrico na garagem. Para os consumidores tem feito sentido, para os construtores também, sobretudo para ajudar no cumprimento das metas de emissões da União Europeia. Mas os híbridos plug-in têm um grande problema e não tem a ver com o seu preço elevado: as emissões reais (CO2) que são várias vezes superiores às emissões homologadas, anulando a sua vantagem ambiental. E isso acontece porque para conseguir as emissões baixas que prometem no papel, necessitam de ser carregados com regularidade. © Volvo Qual é a solução? A VDA (Associação da Indústria Automóvel Alemã), a maior associação do setor automóvel alemão, quer mudar isso. Em declarações ao jornal Frankfurter Allgemeine, Hildegard Müller, presidente da associação, defendeu que, no futuro, os híbridos plug-in poderão ser concebidos para exigir carregamentos regulares. “No futuro, os híbridos plug-in poderão ser projetados de forma a que o carregamento regular seja obrigatório”, disse. Por outras palavras, os condutores de híbridos plug-in seriam obrigados a carregar o veículo após percorrer uma certa distância. Caso não o fizessem, a potência do veículo seria limitada, obrigando o condutor a carregar para voltar a ter acesso a toda a performance do seu veículo. A proposta da VDA carece de detalhes, ficando por saber, por exemplo, que distância máxima seria essa para tornar esta medida eficaz de modo a conseguir reduzir as emissões reais dos híbridos plug-in. O impacto de uma medida como esta, caso avançasse, poderia ser muito distinto, se considerarmos uma distância máxima de 1500 km antes de carregar ou 200 km. E convém não esquecer os tempos de carregamento (geralmente lento nos híbridos plug-in) ou na facilidade de acesso a pontos de carregamento pelos condutores destes veículos. Por enquanto, trata-se apenas de uma ideia em discussão, sendo que pode muito bem nunca sair do papel. Recentemente, a organização ambiental Transport & Environment (T&E) classificou os híbridos plug-in como uma “fraude” devido a essa disparidade entre os valores de emissões oficiais e reais, assentes em dados reais de utilização. A T&E concluiu que emitem cerca de 8,5 vezes mais, invalidando o seu papel na redução das emissões. Mariana Teles