NEGÓCIOS - ROUTE 25: INOVAÇÃO MADE IN PORTUGAL
2025-11-06 22:03:15

NEGoCIOS INOVAR COM SSINATUR MADE IN PORTUGA Tornar O país num laboratório vivo de inovacão tecnologica e projetá-lo no liderança europeia é a ambição. E projetos SOO O Route 25 mostram que não só é possível como l?Eé uma realidade. Liderado pela Capgemini, o consórcio tem sol ucoes que cruzam IA conetividade 5G, sistemes autonomos e sustentabilidade país afirma-se cada vez mais como um polo de inovação no cenário europeu e a Capgemini Portugal tem um papel ativo neste caminho. Através do seu braço-armado para a indústria inteligente, a Capgemini Engineering, aposta em desenvolver projetos de referência e de larga escala, que cruzam inteligência artificial (IA), conetividade 5G, sistemas autónomos e sustentabilidade. O Route 25, uma das Agendas Mobilizadoras de referência, é o símbolo da ambição do grupo: transformar a mobilidade num laboratório vivo de inovação e projetar o mercado nacional na linha da frente da engenharia europeia. Criado há cerca de cinco anos, o projeto é considerado das iniciativas mais estruturantes das 53 Agendas Mobilizadoras nacionais. A Capgemini lidera um consórcio que envolve atualmente 29 parceiros, entre empresas, universidades, municípios e centros de investigação e que conta com financiamento do Plano de Recuperação e Resiliência (PRR). Esta iniciativa veio materializar o conceito de mobilidade inteligente: veículos que comunicam entre si e com a infraestrutura, cidades conetadas, transportes mais eficientes e uma experiência de mobilidade mais segura e sustentável. Como explica Rodrigo Cordeiro, Country Head da Capgemini Engineering em Portugal, “queremos criar soluções com utilidade real para a sociedade e não apenas protótipos tecnológicos. Estamos a aproximar a inovação do mercado, para responder a necessidades reais e concretas. Porque fazer inovação só por fazer não faz sentido, tem de estar alinhada com o negócio e contar com o envolvimento dos clientes” A operação portuguesa da Capgemini já investe há muito na inovação e na pesquisa e desenvolvimento (R&D) e tem mesmo participado em muitas calls, europeias e nacionais, para projetos de inovação. Para o gestor, a grande mudança que se tem vindo a operar é a de inovar cada vez mais com os clientes, não só para acelerar a transição digital e sustentável da mobilidade, mas também para posicionar Portugal como um hub europeu de tecnologia aplicada à mobilidade conetada. COMPETENCIAS E DIFERENCIAçáO Sendo o país um early adopter de novas tecnologias, a estratégia tem passado por ganhar mais competências, desenvolver projetos cada vez mais diferenciados e exportar o conhecimento e talento nacional. “Não queremos ser apenas uma empresa que ajuda a escalar SEGURANçA EM 70 LUGAR A primeira demonstração decorreu a 9 de setembro, na Zona Industrial da Mota, em ílhavo. O foco foi a segurança e fiabilidade dos sistemas em desenvolvimento, sendo apresentado o Safety Monitor, uma tecnologia inovadora que intervém automaticamente em situações de risco, assegurando segurança ativa e monitorização em tempo real através de uma rede privada 5G. O evento contou com a colaboração do Instituto de Telecomunicações, da Nexar e Câmara Municipal de ílhavo. MANOBRAS COOPERATIVAS Já a 15 de setembro, no Queimódromo do Porto, foi demonstrado o Cooperative Maneuvers Module, desenvolvido pela Capgemini Engineering e pela área de negócio exclusivamente dedicada ao desenvolvimento de produtos e serviços para a industria inteligente. Esta tecnologia permite decisões colaborativas entre veículos autónomos através de comunicação v2x (comunicação veicular e infraestrutura), suportada por uma rede privada 5G e pelo Safety Monitor, garantindo manobras seguras e fiáveis. Presentes estiveram o IAPMEI, Porto Digital, Galp, VdA, Mobinox, IT, Nexar e CEiiA. MOBILIDADE INTELIGENTE O ciclo de demonstrações culminou a 17 de setembro, no Parque de Exposições de Aveiro, com uma apresentação abrangente das tecnologias desenvolvidas no âmbito do ecossistema inovador do Route 25. Nomeadamente: a operação de veículos autónomos em ambiente real; tecnologias de comunicação avançadas; sistemas de perceção cooperativa; soluções de estacionamento inteligente; integração multimodal de transportes; visualização em tempo real e aplicações de realidade aumentada/irtual; e migração de serviços em edge computing. Vários parceiros do consórcio, como o IT, Ubiwhere, Nexar, NOS, vodafone, Vortex e Câmara de Aveiro participaram, reforçando a sinergia entre industria, academia e tecnologia. o líder de tecnologia e inovação da Capgemini Engineering deixa também claro que todos os produtos desenvolvidos no âmbito deste ecossistema respondem aos desafios globais da mobilidade: redução de emissões e promoção da mobilidade elétrica; melhoria da segurança rodoviaria através de tecnologias preditivas; eficiência operacional para operadores de transporte e logística; e experiência personalizada para o utilizador, com base em dados e IA. E a criação de valor para Portugal é significativa, já que o projeto permite a capacitação tecnológica nacional, com transferência de conhecimento entre academia ecolabs para a industria. A geração de emprego qualificado em engenharia, ciência de dados e desenvolvimento de software, com a acriação de centenas de empregos altamente qualificados é outra vantagem. Tal como o potencial de exportação de soluções tecnológicas desenvolvidas localmente para diferentes geografias e o fortalecimento da cadeia de valor industrial, com impacto em setores estratégicos, como o automóvel, energia, telecomunicações e software. projetos aos clientes, mas que os desafie a irem mais longe, para outros caminhos. é uma mudança de mindset e temos de estar preparados para ela”, pelo que o grupo está a desenvolver iniciativas cada vez mais complexas e a construir demonstradores que comprovam as suas competências e a aposta nas “tecnologias do amanhã” Como submarca da Capgemini para a indústria inteligente e R&D, a Capgemini Engineering dispõe de vários laboratórios de ponta, localizados em Lisboa, Gaia e Fundão. O Media Lab, o Mobility Lab ou o 5G Lab são exemplos de centros de excelência para a pesquisa de novas tecnologias em setores como a mobilidade, as telecomunicações e a indústria 2.0. Parte da Capgemini Engineering em Portugal é um dos 11 Global Engineering Centers (GEC) que o grupo detém mundialmente, que atua como um recurso global. Mais recentemente, a equipa nacional conseguiu captar para o país mais investimento, com a criação de um High Performance Computation Lab (HPC). Este é um dos três laboratórios a nível mundial da Capgemini especializados em desenvolver capacidade de computação elevada para treinar modelos de IA generativa. “Hoje já não se fala só em large language models (LLMs), mas também de small language models. são modelos mais pequenos, que não requerem estar sempre ligados à internet e que podem funcionar em dispositivos com menor capacidade de processamento. Estes modelos precisam de ser treinados antes de serem implementados nos equipamentos, e é precisamente neste âmbito que o novo centro, situado no Fundão, vai atuar: tirando partido da elevada capacidade de computação disponível e de dados representativos de cenários reais, vai apoiar o treino dos modelos, sempre em ambientes seguros e em conformidade com a regulação”, explica Rodrigo Cordeiro. Para João Neves, Head of Technology & Innovation da Capgemini Engineering, este centro assume-se mesmo como uma verdadeira “incubadora de use cases de IA generativa para o grupo. Não vendemos tecnologia, que é um meio para um fim, mas sim soluções para problemas concretos. Tentamos sempre manter as coisas simples e rápidas e olhamos para o problema que o cliente tem, para perceber qual é a melhor tecnologia que o resolve, de uma forma mais económica e sustentável. Sempre a pensarjá também em use cases para O futuro”. Entre as principais áreas de especialização da Capgemini estão o automotive e o embedded software, onde o grupo reforçou significativamente a partir de 2020. Para tirar partido de toda a expertise adquirida, não só a nível nacional como global, uma vez que o grupo trabalha com os principais fabricantes automóveis e com os grandes fornecedores de equipamentos, a subsidiária nacional avançou com uma proposta de criação de um projeto no âmbito das Agendas Mobilizadoras do PRR. IR AINDA MAIS LONGE Foi desta proposta que nasceu O Route 25, criado para desenvolver soluções de mobilidade autónoma, conetada, inteligente e sustentável que fossem verdadeiramente transformadoras. Depressa se reuniu um conjunto de parceiros diversificado, entre entidades públicas e académicas, colabs, startups, PME, indústria e operadores. Ao todo, o consórcio, liderado pela Capgemini, arrancou com 26 entidades. Com um investimento total inicial previsto de 51,3 milhões de euros, dos quais mais de 32 milhões financiados pelo PRR, o projeto arrancou formalmente em outubro de 2022, decorrendo até final deste ano. Previa o desenvolvimento de 47 produtos, processos e serviços inovadores (PPS) relacionados com: sistemas de condução assistida e autónoma para mobilidade segura; experiência digital adaptativa para mobilidade cooperativa; infraestruturas conetadas para cidades resilientes e inclusivas; infraestruturas inteligentes para mobilidade interurbana de baixo carbono; e implementação de demonstradores de larga escala. As projeções apontavam ainda para uma geração de 8o a 100 milhões de euros em vendas diretas, a criação de entre 488 a mais de mil postos de trabalho, ea redução de até 85% das emissões de co2 e de até 30% no número de acidentes rodoviários, através das novas soluções implementadas. A criação de uma nova cadeia de valor nacional, com elevada intensidade tecnológica e reforço da coesão territorial, era outra ambição. A Capgemini Engineering, além de líder do consórcio, assumiu-se ainda como safety authority do Route 25, desempenhando um papel crucial na coordenação e garantia da segurança dos demonstradores e testes em ambiente real, lidando com sistemas complexos que envolvem vidas humanas, veículos e infraestruturas rodoviárias. Volvidos três anos de execução, os resultados obtidos evidenciam bem o sucesso do Route 25. Setembro foi um mês marcante para o projeto, com a realização de várias demonstrações, abrangendo três regiões Porto, Aveiro/Ilhavo e, em outubro, no Fundão , com 22 casos de uso, que permitem validar desde manobras cooperativas até transições urbano-interurbano. “Estamos agora numa fase avançada de desenvolvimento e validação, com resultados concretos em áreas como eletrificação, conetividade e IA aplicada à mobilidade”, explica JJoão Neves. Para quem os “testes e demonstrações em ambiente real nos municípios envolvidos têm apresentado resultados promissores. Para o gestor “é um orgulho sermos líderes desta agenda tão ambiciosa. Ficou claro o nosso compromisso e competência na gestão dos projetos. Houve apenas uma empresa que saiu do consórcio, o que também mostra a nossa capacidade de escolher os parceiros”. Os projetos, garante Rodrigo Cordeiro, “SáO verdadeiramente transformadores, comprovando que conseguimos estar na linha da frente, contribuir com conhecimento técnico, metodologias ágeis e soluções escaláveis. E, ao mesmo tempo, mobilizar talento, universidades e parceiros empresariais para desenvolver soluções com impacto real e com uma escala internacional". Mais: o conhecimento gerado tem “sinergias e efeitos de arrasto” que podem ser estendidas a outros setores industriais, como a defesa, aeroespacial, energia ou a indústria 4.0, reforçando o papel de Portugal como hub de inovação dentro do grupo Capgemini. E há novos desenvolvimentos, que surgiram na sequência da reprogramação das Agendas Mobilizadoras em agosto, com o Governo a estender o prazo até final do primeiro semestre de 2026.com O Route 25 já em fase final de conclusão, o consórcio decidiu fazer uma reprogramação para criar mais produtos e serviços, abrindo o projeto a mais três parceiros. O portefólio passou de 47 para 58 Produtos, Processos e Serviços (PPS). “Sendo ambiciosos, quisemos ir além do previsto e criar mais produtos e serviços para o mercado. A extensão permite consolidar pilotos e escalar soluções com impacto real na vida das pessoas”, explica o Head of Technology & Innovation da Capgemini Engineering. “só de pensarmos que os carros têm de fazer centenas e centenas de milhares de quilómetros para testar um software, imagina-se a pegada carbónica ou energética associada... Então, porque não criar um digital twin que permita simular com precisão o comportamento fisico e ambiental do veículo, testar o software em ambiente virtual e validar a sua performance antes de ir para estrada?” questiona JJoão Neves. Projetam ainda trabalhar numa outra iniciativa inovadora: um telecomando remoto de veículos reais através de redes 5G de baixa latência, com aplicações em situações de risco ou para manobras complexas de veículos pesados, como o last mile de camiões. CATALIZADOR DE TUDO A IA é um pilar central do Route 25, sendo aplicada de forma transversal em várias áreas do projeto. Entre as principais aplicações estão sistemas de apoio à condução e condução autónoma, que utilizam visão computacional e IA para interpretar o ambiente e tomar decisões seguras. Mas também nos digital twins, que permitem testar sistemas avançados de assistência ao condutor e condução autónoma em ambientes virtuais, acelerando assim o desenvolvimento de software. Ou ainda os sistemas de segurança redundantes, que permitem prever em tempo real situações em que o software de condução autónoma reage de forma incorreta e coloca veículos, ocupantes e utilizadores vulneráveis na estrada em segurança. Os responsáveis da Capgemini referem ainda a análise preditiva de tráfego, que permite antecipar congestionamentos e otimizar fluxos de mobilidade urbana e interurbana. Assim como a deteção de anomalias em veículos e infraestruturas, através de algoritmos de machine learning que monitorizam o estado dos sistemas em tempo real. Ou ainda a otimização de rotas e gestão de portagens, com base em dados históricos e em tempo real, reduzindo tempos de viagem, congestionamento e consumo energético. E a personalização da experiência do utilizador, com recomendações inteligentes de trajetos, modos de transporte e horários, adaptados ao perfil e contexto de cada cidadão. João Neves enfatiza o impacto transformador da IA: “é, sem dúvida, um catalisador da mobilidade inteligente e sustentável que queremos construir” Avisão é de um futuro com acidentes rodoviários drasticamente reduzidos, congestionamentos minimizados e transportes públicos eficientes. E a imaginação é certamente o limite. Mas há ainda um outro eixo estratégico, essencial quando se utilizam tecnologias de ponta para criar soluções do futuro: a cibersegurança. João Neves diz mesmo que é uma das áreas onde a Capgemini está a inovar a partir de Portugal, nomeadamente através do centro de competências em post-quantum cryptography localizado no país, que desenvolve algoritmos de encriptação robustos para endereçar a computação quântica. E já estão também a desenvolver projetos com clientes. Criaram ainda, em parceria com o onstituto de Telecomunicações, um laboratório de comunicações quânticas, a partir de um projeto da própria Capgemini. o equipamento deste projeto foi doado ao IT para o novo laboratório, porque “é lá que estão muitos PhD e alunos a trabalhar e achámos que íamos mais longe com parceiros”. E estão também a trabalhar na área de validação de chips seguros para a indústria automóvel. Afinal, remata Rodrigo Cordeiro, “temos de pensar em ter soluções criativas mais seguras. Não vamos estar 100% imunes a riscos. Mas ficarmos quietos não é a solução. Temos de ter noção dos riscos e tentar mitigá-los o máximo possível. Sabemos a preocupação que esta área tem e é por isso que também em Portugal estamos a desenvolver competências no que são as necessidades do futuro nesta área”. O 76 NEGõCIOS Tornar o país num laboratório vivo de inovação tecnológica e projetá-lo na liderança europeia éa ambição. O Route 25, liderado pela Capgemini, mostra que não só é possível como já é uma realidade. Route 25: Futuro da mobilidade já chegou O resultado de três anos de trabalho do Route 25 foram apresentados em setembro em três demonstrações práticas no país, dedicadas à transformação da mobilidade urbana inteligente. Ficaram claros os avanços obtidos nos veículos autónomos, infraestruturas conetadas e soluções digitais para cidades mais eficientes e seguras. Mas nem todas as soluções apresentadas estão preparadas para ir para o mercado. João Neves alerta que se trata de “provas de conceito e demonstradores reais, com um nível de maturidade já bastante avançado. Mas que, dependendo do caso de uso, terão de ser refinadas, de evoluir e serem re-testadas. Outras já estarão prontas para comercializar". “Queremos criar soluções com utilidade real para a sociedade e não apenas protótipos tecnológicos. Estamos a aproimara inovação do mercado, para respondera necessidades reais econcretas. Porque fazer inovação só por fazer não faz sentido, tem de estar alinhada con o negócio e contar con o envolvimento dos clientes” Rodrigo Cordeiro O Safety Monitor é uma tecnologia inovadora que intervém automaticamente em situações de risco, assegurando segurança ativa e monitorização em tempo real através de uma rede privada 5G. “Estamos OIGONO nana fatse avançada de desenvolvimento e validação, com resultados concrelos em áreas como eletrificação, conetividade eIA aplicada à mobilidade” João Neves O Route 25 foi criado para desenvolver soluções de mobilidade autónoma, conetada, inteligente e sustentável que fossem verdadeiramente transformadoras. O desenvolvimento de digital twins para simular etestar software de condução autónoma em ambiente virtual, reduzindo a necessidade de testes evtensivos em estrada e, consequentemente, (l pegjada carbónica, éuma das iniciativas ISABEL TRAVESSA