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ESPANHA EXIGE PROIBIÇÃO DOS DIESEL, GASOLINA E HÍBRIDOS

Razão Automóvel Online

2025-11-06 22:04:01

O Governo espanhol quer travar qualquer tentativa de recuo no plano europeu que dita o fim dos automóveis com motor de combustão em 2035. O Governo espanhol quer travar qualquer recuo no plano europeu que dita o fim da venda de automóveis com motor de combustão a partir de 2035. Madrid, com o apoio de Paris, enviou uma carta oficial a Bruxelas a exigir que a União Europeia (UE) mantenha a proibição integral - incluindo modelos híbridos - e não abra exceções, apesar das crescentes pressões de Alemanha e Itália para rever a meta. Espanha e França querem cumprir o plano à risca O calendário que o governo liderado pelo PSOE de Pedro Sanchez é claro: proibição de venda de novos automóveis com motor de combustão (gasolina, Diesel ou híbrido) em 2035, e o fim da sua utilização em 2050. © Fiat A venda de elétricos em França tem vindo a descer (-0,2%), enquanto em Espanha tem vindo a crescer (+89,6%) apesar de continuar muito atrasada em termos globais. No documento enviado à presidente da Comissão Europeia (CE), Ursula von der Leyen, os dois países sublinham que a indústria automóvel europeia já mobilizou investimentos massivos para cumprir os objetivos de descarbonização. Recuar agora seria “incoerente e desmotivador”. Além disso, pedem novos incentivos financeiros para apoiar a transição energética das fábricas europeias, que enfrentam custos de produção crescentes e uma procura mais fraca do que o esperado pelos veículos elétricos. Alemanha e Itália em sentido oposto Do outro lado estão a Alemanha e a Itália, que lideram a contestação e pedem uma “revisão pragmática” da norma. A primeira-ministra italiana, Giorgia Meloni, chegou mesmo a classificar as metas apontadas para 2035 como uma “ideologia de loucura”. Estes países pressionam Bruxelas para que a proibição de 2035 inclua exceções - nomeadamente um prolongamento do prazo para os híbridos e o reconhecimento dos combustíveis sintéticos e renováveis como alternativa válida. E agora Europa. Em que ficamos? A pressão surtiu efeito. Ursula von der Leyen confirmou que a CE vai discutir, ainda antes do final de 2025, eventuais ajustes à legislação. Entre as hipóteses está precisamente o prolongamento da vida dos híbridos que cumpram metas de eficiência mais exigentes e a inclusão de combustíveis neutros em carbono, como os que estão a ser desenvolvidos por empresas como a Repsol e a Porsche. Indústria dividida e incerteza crescente O setor automóvel europeu está dividido. A ACEA, associação que representa os fabricantes na Europa, também enviou uma carta a Bruxelas a pedir para “recalibrar” o calendário. Argumenta que as atuais condições geopolíticas e industriais, muito agravadas por uma procura nos EV s que não está ao nível do que era esperado e pela dependência asiática das baterias, tornam impossível cumprir metas “demasiado rígidas”. Espanha insiste ao olhar para as suas fábricas Em Espanha, a posição do Governo é especialmente sensível. O país é o segundo maior produtor de automóveis da Europa e mais de dois milhões de empregos dependem diretamente da indústria. Atualmente já se fabricam elétricos em Vigo (Peugeot e-2008), Villaverde (Citroën ë-C4), Figueruelas (Peugeot e-208, Opel Corsa Electric e Lancia Ypsilon) e Vitoria (Mercedes EQV). Em breve, Martorell e Landaben deverão juntar-se à lista com os futuros Cupra Raval, Volkswagen ID.Polo e Skoda Epiq. Mas há um problema: as fábricas de baterias continuam sem arrancar. As unidades de Sagunto (Volkswagen PowerCo), Zaragoza (Stellantis) e Navalmoral de la Mata (Envision) permanecem em fase de implementação. Um teste à coerência europeia A decisão final da Comissão Europeia será, mais do que um tema ambiental, um teste à coerência industrial europeia. Espanha e França defendem que o caminho já foi traçado e que voltar atrás seria minar a credibilidade da Europa na transição energética. Alemanha e Itália, pelo contrário, defendem que insistir num plano desconectado da realidade económica apenas vai fragilizar o setor e abrir ainda mais espaço às marcas chinesas. No meio da disputa, a indústria espera por respostas. O relógio corre, e 2035 está cada vez mais perto. Guilherme Costa