HÁ 500 MIL PEQUENOS PROBLEMAS EM PORTUGAL
2025-11-07 22:10:06

Logística. A digitalização dos processos abre oportunidades em todas as áreas de atividade económica e pode ser um novo ímpeto para libertar algumas amarras, com a cumplicidade de um sector que se assume como fulcral para o crescimento Para se perceber a sua importância, é útil pensar na logística como um atleta de equipa desportiva cujo objetivo é receber e distribuir. Só que neste caso troquemos a bola por mercadoria a circular. “O nome do jogo vai ser eficiência e integração”, define o CEO da Lisboa FCE (FIL), António Ramalho, para quem “estamos a viver um novo período” que denomina como globalização por blocos regionais , e “que tem vindo a alterar a tendência dominante pré-covid”. E é aí que Portugal se pode apresentar como “uma potência marítima do ponto de vista geográfico”. Segundo um estudo da CBRE, 57% dos operadores logísticos portugueses acreditam num aumento de receitas este ano, ao passo que 58% contam investir de forma relevante para aumentar a eficiência e a competitividade das operações. “Portugal pode tornar-se um hub industrial e logístico, atraindo investimento, promovendo inovação tecnológica e integrando-se em cadeias globais”, afirma o CEO da Rangel Logistics Solutions, Nuno Rangel. Estamos perante uma “oportunidade clara de crescimento”, argumenta o general manager da Tabaqueira, Marcelo Nico, com Carlos Mota Santos a reforçar que “temos que apostar na internacionalização das nossas empresas”. O CEO da Mota-Engil fala de “termos vergonha da ambição e do sucesso” como “uma questão cultural” a ultrapassar, apesar de considerar que o Orçamento do Estado para 2026 “dá sinais de reverter” esta “política fiscal que penaliza o sucesso” e que faz com que as “empresas que têm mais lucros paguem mais”. “Há muitas razões para acreditarmos que somos capazes de fazer muitas coisas melhor que os outros fazem, antes dos outros fazerem”, postula Luís Montenegro, que exorta todos a serem “locomotivas de desenvolvimento”. O que, acrescenta, “não compete só aos governos, ao contrário do que muitos pensam”. Mas no que compete, promete “mais rapidez” e “mais agilidade”, com um “país que não desperdice o seu capital humano”. Com a convicção de que para as empresas pagarem “melhores salários” devem “ter melhores rendimentos e “o Estado a retirar menos” impostos. Dinamismo que se estende à logística, com o primeiro-ministro a referir-se a Portugal como “um dos países mais universais” e uma “rede de contactos historicamente validada como poucos no mundo.” Ligação entre sectores “Não sei se temos algum grande problema para resolver, mas pequenos problemas, temos alguns 500 mil”, resume o presidente da Apifarma, João Almeida Lopes, sobre o paradigma em Portugal. Às vezes pode não parecer, mas “a verdade é que estamos em 2025” e importa “olhar para as coisas com menos política e mais espírito de gestão”. Para André Vasconcelos, general manager da Roche Portugal, “a transição digital na saúde é fundamental”, com Vasco Antunes Pereira, CEO da Lusíadas Saúde, a afiançar que a “inteligência artificial (IA) vai-se sentir sobretudo nos cuidados primários, inicialmente”. “Portugal precisa desesperadamente de investimento, nomeadamente estrangeiro”, defende Rui Lopes Ferreira, que destaca a “escassez de capital produtivo” e critica a forma como “a ferrovia tem sido negligenciada em Portugal há décadas”. Uma opinião generalizada, com o CEO do Super Bock Group a mencionar as “ligações ferroviárias fracas” nos portos de Sines e Leixões. Já para Frederico Lemos, presidente do conselho de administração da Embraer Portugal, é também essencial sermos capazes de “transformar o investimento” no sector da defesa “em valor para Portugal” durante os próximos anos. Sem esquecer o contexto internacional desafiante, com Paulo Macedo, CEO da Caixa Geral de Depósitos, a lembrar que os atuais conflitos globais “vieram alterar a logística de uma maneira sem precedentes” numa fase em que “nunca houve tantas sanções acumuladas e embargos a matérias e produtos” como atualmente. A isto somam-se opções que fazem com que a Europa “tenha a melhor regulação sobre inteligência artificial” em vez de a desenvolver, por exemplo. “É necessário termos empresas que consigam competir”, atira. Continuamos a ser “um país de média dimensão” sem “capacidade para vingar em 10, 20, 30 anos, como se quer fazer parecer” muitas vezes, assegura o CEO da Bial, António Portela, se nada de substancial mudar. Faz falta uma transformação estrutural, com uma “aposta nas áreas” económicas “que podem fazer diferença,” e começarmos a “tomar decisões e correr riscos, algo que em Portugal temos muita dificuldade em fazer”. O QUE DISSERAM “A inteligência artificial significa alterações na economia, não tenho dúvidas nenhumas” Paulo MacedoCEO da Caixa Geral de Depósitos “A primeira questão é: qual é o nosso propósito enquanto empresa?” Pedro CidCEO da Auchan “Só uma competitividade baseada na inovação poderá reter jovens nacionais e atrair talentos internacionais” Manuel Castro AlmeidaMinistro da Economia e da Coesão Territorial Tiago Oliveira Jornalista [Additional Text]: Luís Montenegro cumprimenta Paulo Macedo (de costas), com Nuno Rangel à esquerda, na cimeira da empresa de logística Tiago Oliveira