ELÉTRICOS DA RENAULT PODEM FICAR MAIS BARATOS MAS DUAS COISAS TÊM DE ACONTECER
2025-11-07 22:10:19

A Renault pondera cortar até 15% no preço de alguns modelos elétricos, incluindo o novo Twingo, mas existem condições. A Renault quer tornar a mobilidade elétrica mais acessível. Depois de ter apresentado o novo Twingo, que deverá chegar ao mercado em 2026 por menos de 20 mil euros, o construtor francês acredita que ainda há espaço para reduzir mais os preços. Segundo François Provost, diretor-executivo do Grupo Renault, os modelos elétricos dos segmentos A e B - Renault 4, 5 e Twingo - poderão ficar até 15% mais baratos. Para isso acontecer, duas coisas precisam de acontecer. Primeiro, a União Europeia (UE) terá de avançar com a nova categoria de veículos dedicada ao “carro do povo europeu” pequeno e barato, que anunciou. Em segundo, Provost apela à UE o abrandamento de novos regulamentos. Sobre o carro do povo europeu, até agora, pouco se sabe sobre as regras que vão definir a nova categoria. Apenas que serão automóveis de pequenas dimensões e 100% elétricos, posicionados entre os quadriciclos e os automóveis convencionais - uma espécie de kei car europeu. A proposta, apresentada pela primeira vez em setembro, deverá ganhar forma no dia 10 de dezembro, quando a Comissão Europeia divulgar mais detalhes sobre esta nova categoria. Saiba mais: UE dá passo em frente para carro do povo europeu pequeno e barato Carros mais baratos Para Provost, o carro do povo europeu ideal deverá ter menos de 4,1 m de comprimento, uma pegada de carbono inferior a 15 toneladas de dióxido de carbono (CO2) ao longo do seu ciclo de vida e ser produzido com forte conteúdo local. © Renault O Renault 5 E-Tech foi o primeiro dentro de uma “onda” de revivalismos da marca francesa, para cativar o mercado para os elétricos. Caso a União Europeia decida que a nova categoria abranja veículos com estas características, o executivo francês não precisará de lançar modelos novos, mas apenas atualizar os atuais para ficar em conformidade. O que vai permitir baixar o custo e, consequentemente, o preço. “O objetivo é diminuir o preço”, afirmou Provost, sublinhando que a marca já está posicionada “no núcleo do mercado europeu”, com os seus modelos dos segmentos A (citadinos) e B (utilitários). Descubra o seu próximo automóvel: “Menos regras, mais carros acessíveis” Além de apelar à criação da nova categoria, François Provost insiste: a Europa precisa de abrandar o ritmo das regulamentações impostas ao setor automóvel. “Não peço a remoção de regulamentações. Peço apenas um período de 10 ou 15 anos sem novas regulamentações”, defendeu o responsável. “Atualmente, a Europa planeia implementar 107 novas regulamentações para o setor até 2030”, rematou. Segundo o executivo, a sucessiva introdução de novas normas obriga as marcas a rever continuamente o desenvolvimento dos seus veículos, aumentando os custos e, consequentemente, os preços. Uma pausa regulatória, acredita Provost, permitiria às marcas otimizar os modelos existentes, reduzir custos de produção e, por fim, baixar o preço para o cliente. “Podemos perder tempo a aprimorar os carros que existem atualmente no mercado e diminuir os custos, (o que significa) um preço mais baixo para o cliente”, adicionou. Apesar dos desafios e dos pedidos de simplificação, o foco da Renault mantém-se inalterado: o futuro é elétrico. “Quem decide migrar para os elétricos não vai retroceder. Os veículos elétricos são bons para os clientes. A descarbonização é uma prioridade para a Europa e a Renault não vai recuar nesse caminho”, garantiu Provost. Mariana Teles