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GRÉCIA - O MERCADO QUE SE TORNOU NUM CENTRO DE NEGÓCIOS

Portugal Global

2025-11-09 22:09:22

Com uma localização estratégica no cruzamento da Europa, Ásia e África, a Grécia vive atualmente um momento de estabilidade política e económica. Ultrapassou a crise da dívida soberana da década passada, registando presentemente um crescimento acima da média europeia. Tornou-se num mercado atrativo em vários setores, para o qual já expor tam mais de 870 empresas por tuguesas. AGrécia mantém, desde 2017, ritmos de crescimento do PIB acima da média europeia. Tornou-se num dos principais centros de comércio e negócios no Sudeste Europeu, com laços privilegiados com os mercados vizinhos, tais como os países dos Balcãs e do Médio Oriente ou Chipre. A política reformista e de ajustamento fiscal que começou a ser aplicada em 2019 tornou a Grécia num mercado atrativo para investimentos e para viver. Para além dos mais de 35 milhões de turistas que visitam anualmente a Grécia, nos últimos anos tem-se verificado um crescimento do Investimento Direto Estrangeiro (IDE) e dos estrangeiros que optam por residir no país. A acentuada redução da dívida pública em percentagem do PIB (a maior de entre os Estados-membros da zona euro nos últimos anos) tem permitido à Grécia financiar-se a taxas muito baixas e tem-se traduzido numa regular revisão em alta do rating da economia grega por parte das agências de notação financeira. Por tugal é reconhecido como um aliado e parceiro de confiança da Grécia. Goza de grande capital de simpatia e é considerado como um modelo em vários setores, com know-how, experiência e capacidade de inovação tecnológica, dispondo de uma indústria que apostou na modernização e sofisticação e que adaptou a sua linha produtiva às exigências da procura internacional. As trocas de bens e serviços entre Portugal e a Grécia têm aumentado, e há cada vez mais interesse de empresas portuguesas no mercado grego. Em 2024, 878 empresas portuguesas exportaram para a Grécia. O crescimento económico e a ligeira melhoria do poder de compra na Grécia criaram um ambiente empreendedor positivo e geraram oportunidades de negócio para as empresas portuguesas numa ampla gama de setores, embora alguns se destaquem. Oportunidades nas áreas da construção, energia, TIC ou economia azul Nos últimos anos a Grécia tem registado um crescimento exponencial dos investimentos no setor da hotelaria, com a construção de novos hotéis de luxo e a recuperação de outros já existentes; na habitação, com a retoma do desenvolvimento de novos apartamentos e prédios e a recuperação dos mais antigos; e em grandes projetos de infraestruturas como o projeto The Ellinikon, de transformação do antigo aeroporto de Atenas num empreendimento de 6,2 milhões de metros quadrados de construção para habitação e comércio, incluindo zonas desportivas, marinas e hotéis, o que implica investimentos de cerca de 8 mil milhões de euros em 15 anos. Esta tendência de investimento na construção deverá, portanto, manter-se nos próximos anos. Nas áreas da construção e da fileira casa há já várias empresas que atuam com sucesso na Grécia, como é o caso da AM Furniture, da Costa Verde, da New Terracotta, da Revigrés e das tapeçarias Ferreira de Sá. Na área das energias renováveis, a Grécia é também um mercado privilegiado. O país tem mais de 250 dias de sol por ano e zonas com ventos forte.. Essas condições são propícias, por exemplo, para a produção de energia eólica ou solar e já atraíram empresas portuguesas como a Greenvolt e a EDPR, que recentemente vendeu os seus parques eólicos a um grupo local. Simultaneamente, a Grécia desempenha um papel importante no xadrez energético regio-nal e europeu, constituindo uma plataforma (hub de trânsito) de hidrocarbonetos, com vista a assegurar a diversificação e segurança energética da União Europeia. Entre os principais projetos nesta área encontram-se o Trans Adriatic Pipeline, o Corredor Sul de Gás Natural, o Corredor Vertical de Gás Natural e os terminais de gás natural liquefeito em Revythoussa e Alexandrópolis. Está ainda a ser implementado um plano nacional para a gestão de águas e resíduos, sobretudo nas autarquias locais, que em vários municípios usufrui dos fundos do QREN disponíveis para modernizar as infraestruturas e melhorar a sua eficiência relacionada com a gestão de resíduos e águas. No que se refere às tecnologias de informação e comunicação, está em curso na Grécia um programa de digitalização da administração pública. A experiência das empresas portuguesas em várias áreas , aplicações e soluções de e-governação, e-fatura, e-health, cartão do cidadão ou gestão de águas , é reconhecida, constituindo um modelo para a realidade grega. Não é por acaso que empresas portuguesas de relevo, como a Multicert e a Sword Health, têm apostado no mercado grego. Defesa, um setor promissor para cooperação bilateral A modernização e a reestruturação das Forças Armadas Helénicas, com a implementação da “Agenda 2030” do Ministério da Defesa Nacional, constitui uma prioridade do governo grego que, neste âmbito, está a desenvolver um programa ambicioso de rearmamento, de 26 mil milhões de euros para os próximos 12 anos, abrangendo, entre outros, sistemas sofisticados e inovadores para a proteção e monitorização das fronteiras terrestres, aéreas e marítimas. Ao abrigo desta estratégia, a modernização , que na realidade é uma revitalização , da indústria de defesa da Grécia é considerada uma condição sine qua non. Neste contexto, foi estabelecida uma nova entidade para fomentar a inovação na indústria de defesa grega, o Hellenic Centre for Defence Innovation (ELKAK), e foi tornada vinculativa a participação helénica numa percentagem mínima de 25 por cento em qualquer programa de rearmamento. Estes desenvolvimentos potenciam oportunidades de cooperação entre empresas de Portugal e da Grécia. A próxima exposição da DEFEA, que terá lugar em Atenas de 18 a 20 de maio de 2027, constitui o palco apropriado para fomentar parcerias. Na edição do corrente ano (6 a 8 de maio), estiveram presentes o IAPMEI e as empresas Argobaum Tech Precision, Atena , Automação Industrial, EID, Optimal Defence, OGMA e ThothX Meridian. As principais empresas gregas da indústria da defesa são: Hellenic Aerospace Industry, Hellenic Defence Systems, Metlen, Theon Group, Intracom Defense, Prisma Electronics, Sotiria Technology, Aeroservices e os estaleiros navais de Elefsina, Salamina e de Skaramangas. O National Centre for Scientific Research Demokritos também desempenha um papel importante nesta área e existem também duas associações setoriais, a Hellenic Manufacturers of Defence Material Association (SEKPY) e a Hellenic Aerospace Security & Defense Industries Group (HASDIG). Boas práticas para fazer negócios na Grécia Abordagem ao mercado Deve ser feita uma análise prévia do mercado e de potenciais parceiros, elaborado (por empresas especializadas) um estudo de market intelligence e criada uma lista de potenciais clientes. Relacionamento estreito com o parceiro grego As visitas de prospeção ao mercado são importantes e o contacto regular com os parceiros locais é altamente apreciado na Grécia. Também devem ser organizadas visitas para que o cliente grego conheça as instalações da empresa portuguesa. Comunicação consistente Deve ser realizada uma campanha promocional e de marketing consistente, que inclua a participação em feiras ou eventos setoriais e a divulgação de material promocional. Também deve ser disponibilizado um site em inglês e promovidas campanhas através das redes sociais. Colaboração institucional com a AICEP A Delegação da AICEP na Grécia pode disponibilizar informação relacionada com o mercado e ajudar a preparar visitas de prospeção. Importa ainda referir o crescimento notável, à escala internacional, do ecossistema grego de startups que participa ativamente na Web Summit em Lisboa. Há também margem de cooperação e de parcerias relacionadas com a economia azul, desde o setor naval, incluindo os estaleiros navais, até à aquacultura e às aplicações tecnológicas para o setor agroalimentar e marítimo. A Grécia, líder mundial na marinha mercante (os armadores gregos controlam mais de 20 por cento da frota mercante mundial), é um potencial cliente da indústria naval e do cluster do mar em Portugal. Isso reflete-se em áreas como a reparação de navios (as embarcações de propriedade grega são o principal cliente da Lisnave); a venda de materiais, equipamento tecnológico e, em geral, de maquinaria para embarcações e navios. O investimento da Grécia no setor da saúde também é muito elevado. Destacam-se, nomeadamente, as despesas com produtos farmacêuticos e medicamentos, que em 2024 totalizaram 8,5 mil milhões de euros. Enquanto as exportações atingiram os 2,8 mil milhões de euros (5,7 por cento do total das exportações da Grécia), as importações alcançaram os 4,3 mil milhões de euros (5,1 por cento do total das importações da Grécia). A média da despesa de uma família com a saúde representa 8,1 por cento do total da despesa familiar (era 6,5 por cento em 2009), o que está relacionado com o envelhecimento da população: 23,3 por cento pertence à faixa etária com mais 65 anos. Em 2024, a esperança de vida na Grécia foi de 81,9 anos, ligeiramente superior à média da UE (81,7 anos). O envelhecimento da população e o aumento das doenças crónicas (24,5 por cento da população adulta declara ter um problema de saúde crónico) criam uma pressão, cada vez maior, sobre as despesas com a saúde e medicamentos. Pg Por Laurent Armaos, delegado da AICEP na Grécia Relação Económica Portugal , Grécia Exportações de bens +3,8% em 2024. Total de 253,6 MEUR, com saldo positivo de 23,4MEUR 878 empresas portuguesas expor tadoras para a Grécia. Em 2024 30,7% das exportações portuguesas para a Grécia corresponderam a produtos de média-alta tecnologia. Em 2024 Fonte: INE/Banco de Portugal Principais produtos exportados por Portugal para a Grécia em 2024 Veículos e outro material de transporte 13,3% Pastas celulósicas e papel 10,7% Produtos alimentares 9,8% Produtos químicos 9,3% Plásticos e borracha 8,9% +12,8% em exportações de serviços. Em 2024 Laurent Armaos