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OS FARÓIS LED AFINAL NÃO SÃO PERFEITOS: O JAPÃO DESMONTA O MITO

Sapo Online

2025-11-09 22:09:24

Durante anos, os faróis LED foram apresentados como o auge da tecnologia automóvel: mais potentes, mais eficientes e visualmente mais modernos. No entanto, recentes testes e observações vindos do Japão revelam que esta tecnologia tem falhas importantes, especialmente no que diz respeito à segurança e eficácia real na estrada. Da evolução à estagnação tecnológica As marcas automóveis dedicaram-se intensamente ao desenvolvimento de sistemas de iluminação mais avançados. Dos antigos faróis halogéneos evoluiu-se para os de xénon, depois para os Full LED e, mais recentemente, para os sofisticados Matrix LED, uma tecnologia que ajusta o feixe de luz de forma inteligente. Contudo, apesar da inovação, o progresso parece ter estagnado. Os faróis a laser ficaram reservados a modelos de luxo, e os Matrix LED, apesar de mais acessíveis, continuam a ser um extra caro. Mesmo os simples faróis LED, agora comuns em muitos automóveis, não estão isentos de críticas: embora consumam menos energia, a sua iluminação pode ser irregular e nem sempre eficaz em condições adversas. As falhas que nunca lhe contaram sobre os Matrix LED O ADAC, o maior clube automóvel da Europa, realizou testes que mostram que os faróis LED não iluminam melhor a estrada. À frente do veículo, a luz tende a ser pálida e insuficiente, enquanto as placas de sinalização refletem um brilho excessivo. Em situações de chuva, nevoeiro ou neve, o deslumbramento aumenta, tanto para o condutor como para os que circulam em sentido contrário. Os sistemas Matrix LED, que podem custar mais de 1.500 euros como opcional e até 3.000 euros por unidade em substituição, também não resolvem o problema. Mesmo com câmaras que ajustam automaticamente o feixe para evitar encandear outros condutores, o sistema falha se os faróis estiverem sujos ou mal regulados. A importância esquecida dos lavafaróis O problema agrava-se no inverno, quando a sujidade, o sal ou o gelo formam pequenos cristais nas lentes, diminuindo a eficácia da luz e aumentando o encandeamento. A solução já existia, os lavafaróis, mas quase desapareceram com a chegada dos LED. Na era dos faróis de xénon, os lavafaróis eram obrigatórios na Europa; com os LED, deixaram de o ser. A ausência desse sistema contribui para o mau desempenho em condições reais de condução, algo que muitos fabricantes optaram por ignorar para poupar custos. Os faróis LED não são assim tão perfeitos Os lavafaróis eram obrigatórios na Europa com os faróis de xenon, mas deixaram de o ser com os LED. Algumas marcas ainda os oferecem como opção em certos mercados, mas a sua ausência pode causar encandeamentos quando a deteção falha devido à falta de limpeza, entre outros fatores.   O Japão propõe uma solução Enquanto a Mercedes eliminou os lavafaróis dos seus modelos LED, concorrentes como a Audi e a BMW continuam a oferecê-los nalguns mercados. No Japão, a abordagem é diferente: os regulamentos e testes recentes apontam para a necessidade de voltar a integrar sistemas de limpeza e controlo automático de altura, de modo a reduzir o encandeamento e melhorar a visibilidade noturna. A partir de 2027, a regulação automática da altura dos faróis será obrigatória na Europa. No entanto, especialistas japoneses defendem que deveria ser também obrigatório o controlo do alcance da iluminação - algo que ajudaria a eliminar a fraca visibilidade à frente do veículo e tornaria os faróis LED verdadeiramente seguros. O Japão apresenta a solução para os faróis que encandeiam Os japoneses também conhecem bem o problema e parecem ter encontrado a resposta. Um dos mais prestigiados fabricantes de componentes de iluminação, Koito, surpreendeu o público no Salão Automóvel do Japão ao revelar uma nova tecnologia capaz de eliminar o encandeamento, mesmo com os máximos ligados. Pouco conhecida fora da indústria, a Koito é a empresa-mãe da PIAA, famosa pelos faróis usados em competição e off-road, e é também o principal fornecedor de iluminação de marcas como Toyota, Lexus, Nissan e Mitsubishi. Durante a apresentação, o fabricante anunciou com entusiasmo: Criámos uma luz LED que não encandeia os veículos que vêm de frente, mesmo com as luzes de estrada ligadas. 16.000 LED controlados individualmente A nova tecnologia chama-se ADB (Adaptive Driving Beam), ou farol de condução adaptativo de alta definição. Cada farol integra 16.000 LED independentes, capazes de se atenuar ou desligar de forma seletiva conforme as necessidades da condução. https://pplware.sapo.pt/wp-content/uploads/2025/11/Adaptive_Driving_Beam.mp4 O sistema maximiza a visibilidade do condutor sem provocar encadeamento, ajustando a intensidade da luz precisamente nas zonas onde normalmente se desligariam as luzes de estrada. A mesma câmara frontal usada pelos sistemas de assistência à condução, responsável por detetar veículos, ciclistas e peões, identifica também sinais de trânsito e outros obstáculos, desligando apenas os LED que iluminariam diretamente essas áreas. O resultado é uma iluminação mais brilhante e homogénea em todo o campo de visão, sem prejudicar quem circula em sentido contrário. Por enquanto, a tecnologia já demonstrou funcionar, embora ainda não se saiba que fabricantes irão adotá-la nos seus próximos modelos. Vítor M