RANGEL ACELERA NO MUNDO COM ADN PORTUGUÊS
2025-11-10 22:12:58

De despachante aduaneiro a grupo multinacional com presença em nove países, a Rangel Logistics Solutions tem conseguido afirmar-se como uma das principais empresas portuguesas de transporte e logística num setor muito competitivo e dominado por multinacionais de grande escala. “Em 1988, quando iniciámos o transporte internacional, éramos despachantes aduaneiros. Os primeiros mercados internacionais foram os países nórdicos, os mais exigentes na altura, o que nos deu uma experiência muito interessante”, recorda Nuno Rangel, CEO da Rangel, empresa fundada pelo pai, Eduardo Rangel, em 1980 em entrevista a Miguel Frasquilho, apresentador do programa Economia Sem Fronteiras no canal Now. O verdadeiro salto na internacionalização viria em 2007 quando entraram em Angola. “Costumo dizer que não houve grande ciência. A internacionalização fez-se pela proximidade cultural e pelo acompanhamento das exportações portuguesas”, explica o gestor. Acrescenta que, naquela altura, Angola “representava uma parte muito importante das exportações nacionais. Seguiram-se Moçambique, o Brasil e Cabo Verde. Só mais tarde demos o passo mais desafiante e fomos para a África do Sul e o México, países sem essa proximidade cultural”. Quando saímos de Portugal, deixamos um mercado com uma posição dominante e passamos a operar em realidades onde somos pequenos. Há diferenças de regulação, distância e cultura, mas procuramos manter o ADN e o ritmo Rangel. Nuno Rangel, CEO da Rangel A empresa foi reforçando a sua presença em África, com a abertura de operações na Zâmbia e, mais recentemente, na Tanzânia. Mas a expansão não se fez sem desafios. “Quando saímos de Portugal, deixamos um mercado com uma posição dominante e passamos a operar em realidades onde somos pequenos. Há diferenças de regulação, distância e cultura, mas procuramos manter o ADN e o ritmo Rangel”, afirma Nuno Rangel. O teste da pandemia A pandemia foi um dos principais testes à resiliência do grupo. “O primeiro ano da pandemia foi muito difícil. Tínhamos um plano ambicioso de crescimento, abrimos a operação na África do Sul e no dia seguinte tivemos de fechar. Houve áreas que pararam por completo e outras que dispararam. O importante foi termos reagido rápido tanto à retração como à retoma”, sublinha Nuno Rangel. Foi nesta fase que a Rangel avançou com uma nova plataforma logística na Castanheira do Ribatejo, com quase 30 mil metros quadrados, um dos seus maiores investimentos em território nacional. “A partir daí, entrámos num ciclo de crescimento mais moderado, mas com bases sólidas. O nosso modelo é feito de ciclos de investimento e de crescimento”, acrescenta o CEO da Rangel. Num mercado global cada vez mais concentrado, Nuno Rangel reconhece as exigências do contexto competitivo. “No setor dos transportes e da logística existem players mundiais em quase todos os países e muitos vêm de economias muito fortes, como a Alemanha, os Estados Unidos ou, mais recentemente, a China. Isso cria-nos uma dificuldade adicional, porque partimos de uma economia pequena. Ainda assim, crescemos sustentadamente.” As chaves competitivas da Rangel têm sido a eficiência, a proximidade com os clientes e a capacidade de adaptação. “Temos de ser muito eficientes e muito flexíveis. A nossa visão é clara: ser uma pequena multinacional portuguesa na área dos transportes e da logística, com um ADN forte e uma cultura que nos distingue”, afirma Nuno Rangel. Automação e IA A transformação tecnológica é, hoje, um dos eixos centrais da estratégia da Rangel. A automação começou por estar focada em operações de clientes que têm operações similares, com grandes volumes e processos repetitivos. Mas hoje há clientes com “com alguma dimensão, mas num setor muito específico, que entendem ser necessária a automação, mas têm que ser contratos de prazos mais longos para que essa automação faça sentido”, salientou Nuno Rangel. Por outro lado, Portugal chegou a ter operações logísticas muito baratas e o aumento de custos, seja das instalações, dos armazéns, das pessoas, “obriga as empresas a pensar muito mais na automação do que se pensava antes”. Já a utilizamos em diferentes áreas: no planeamento de rotas, na previsão de volumes, no atendimento ao cliente e até na criação de propostas comerciais. Nuno Rangel, CEO da Rangel “Fizemos um grande percurso na digitalização”, explica o CEO. “Durante muitos anos trabalhámos com sistemas criados internamente, ainda nos anos 1980 e 1990. Hoje, adotamos novas plataformas que permitem centralizar e cruzar dados de várias áreas do negócio, aumentando a eficiência e melhorando a tomada de decisão.” O próximo passo é a inteligência artificial. “Já a utilizamos em diferentes áreas: no planeamento de rotas, na previsão de volumes, no atendimento ao cliente e até na criação de propostas comerciais”, revela. “É o início de uma grande transformação. A IA vai permitir antecipar necessidades, otimizar recursos e personalizar soluções para cada cliente. É um caminho que exige investimento, mas vai definir o futuro do setor.” A digitalização e a automação são instrumentos de modernização, e uma extensão da cultura da empresa. “A tecnologia deve servir para reforçar o que sempre nos caracterizou: rapidez, flexibilidade e proximidade. É isso que nos distingue e que queremos manter, mesmo à medida que crescemos e tornamo-nos cada vez mais globais”, concluiu Nuno Rangel. O programa "Economia Sem Fronteiras" é um programa do Negócios no canal Now, na posição 9 das operadoras de televisão. É conduzido pelo economista e antigo presidente da AICEP Miguel Frasquilho. Uma aposta no futuro em África Na visão de Nuno Rangel, a logística do futuro será mais verde, mais digital e mais humana e o continente africano tem a longo prazo um potencial de grande crescimento. “O transporte tem um peso muito grande na pegada de carbono, e a área das mercadorias não é exceção. Temos de nos adaptar progressivamente, com medidas exequíveis, mantendo o equilíbrio entre sustentabilidade e competitividade, principalmente na Europa, mas tem que continuar a ser competitiva em mercados que não seguem os mesmos padrões”, explica Nuno Rangel, CEO da Rangel. A empresa implementou um programa de edifícios inteligentes, com iluminação LED automatizada, sensores de presença e sistemas de baixo consumo. “Hoje, um armazém não tem nada a ver com o que era há vinte anos. A iluminação é controlada por corredor, utilizamos lâmpadas de baixo consumo e, em muitos casos, os nossos armazéns produzem a sua própria energia através painéis solares. São edifícios sustentáveis, capazes de operar com um consumo reduzido.” Na área do transporte, o grupo tem experimentado soluções alternativas, embora reconheça as limitações atuais. “Nos veículos de menor dimensão e de alcance curto já conseguimos utilizar frotas elétricas. Em algumas operações específicas testamos o combustível HVO (“hydrotreated vegetable oil”), um biocombustível mais sustentável, sobretudo em circuitos fechados dedicados a clientes concretos. O grande desafio continua a ser o transporte internacional rodoviário, onde é necessária uma transformação mais profunda”, afirma Nuno Rangel. O foco no talento Com operações em nove países, a Rangel vê em África um motor estratégico de crescimento, porque é um continente com potencial e tem a população mais jovem do mundo. “É uma visão de longo prazo e, por isso, há vantagem em sermos uma empresa familiar, com uma perspetiva que não se mede em trimestres, mas em décadas”, sublinha. Considera ainda que são mercados em que a empresa entra, pode fazer o seu caminho e competir com os grandes “players”, o que seria mais complexo em mercados maduros. Queremos consolidar a nossa posição neste mercado. É uma economia muito relevante e serve de plataforma para o abastecimento de vários países africanos. Nuno Rangel, CEO da Rangel Recentemente, o grupo inaugurou um “hub” em Joanesburgo, reforçando a presença na África do Sul. “Queremos consolidar a nossa posição neste mercado. É uma economia muito relevante e serve de plataforma para o abastecimento de vários países africanos”, diz. Para o gestor, “maior ativo é o talento das nossas equipas” e tem uma atitude proativa na atração de talento em parcerias com universidades, uma academia de jovens e formação contínua. Para Nuno Rangel, a cultura empresarial é a chave do sucesso. “Somos uma empresa resiliente, próxima do cliente, rápida e flexível. Costumo dizer às equipas: se nós não fizermos, ninguém faz . Essa cultura, construída ao longo de mais de 40 anos, é o que nos diferencia e o que queremos preservar enquanto crescemos.” Miguel Frasquilho chamou a atenção para o facto de a Rangel ser “uma empresa familiar com gestão profissional e orientação global”. Nuno Rangel deixa um conselho às empresas portuguesas que ponderam seguir o mesmo caminho: “Portugal é pequeno, mas tem uma capacidade enorme quando acredita em si. Devíamos ter como prioridade as exportações e a internacionalização. Mesmo que o primeiro passo seja somente abrir um pequeno escritório lá fora, o importante é começar. Só assim conseguiremos crescer e projetar o país no mundo”. Os números e os países onde está A Rangel Logistics Solutions é uma das principais empresas portuguesas de transporte e logística, e foi fundada em 1980 por Eduardo Rangel, pai de Nuno Rangel. A empresa é hoje um grupo global com operações em nove países: Portugal, Angola, Moçambique, Cabo Verde, Brasil, México, África do Sul, Zâmbia e Tanzânia. Dispõe ainda de uma rede internacional que cobre mais de 220 destinos em todo o mundo, com destaque para os mercados dos Estados Unidos, da China e da Europa. 220Destinos A Rangel cobre 220 destinos em todo o mundo, com destaque para os mercados dos EUA, China e Europa. Com formação em Gestão de Empresas, Nuno Rangel começou sua carreira na Rangel Logistics Solutions em Setembro de 2004, tendo ocupado várias posições de gestão até ascender à posição de CEO, em janeiro de 2013. Foi já sob a sua liderança que a empresa consolidou o crescimento, diversificou serviços e reforçou a aposta na digitalização e na sustentabilidade. .article .texto .citacao { margin:60px auto 45px; } Apesar do contexto global de instabilidade, a Rangel tem conseguido crescer sustentadamente. Entre 2019 e 2024, o volume de negócios do grupo aumentou cerca de 37%, passando de 190 milhões de euros para 260 milhões de euros. Deste montante, aproximadamente 21% já provém do mercado externo. Atualmente, a Rangel conta com cerca de 2.500 colaboradores, dos quais 85% se encontram em Portugal, onde se concentra grande da atividade. Programa Economia Sem Fronteiras. Ao domingo, de manhã, no Now. Conteúdos podem ser consultados em Economia Sem Fronteiras, no site do Negócios Filipe S. Fernandes Filipe S. Fernandes