pressmedia logo

PASSO ATRÁS. ELETRIFICAÇÃO NA RENAULT NÃO ESQUECE A COMBUSTÃO

Razão Automóvel Online

2025-11-14 22:09:31

A Renault está a desenvolver uma nova plataforma multienergias, compatível com motores elétricos e extensores de autonomia. A Renault continua a preparar a próxima geração de modelos eletrificados, e o futuro Megane poderá ser o primeiro reflexo dessa nova fase. Depois dos rumores sobre a chegada de uma versão com extensor de autonomia, Fabrice Cambolive, diretor-executivo da marca, confirmou agora que a Renault está a desenvolver uma nova plataforma multienergias, capaz de acolher tanto motorizações 100% elétricas como soluções com extensor de autonomia (EREV). Esta nova arquitetura representa uma mudança estratégica para a Renault, que até agora utilizava plataformas distintas para os seus modelos a combustão e elétricos. A CMF-C/D, destinada a modelos com motor térmico - como o Austral, por exemplo -, e a AmpR Medium que serve de base ao totalmente elétrico Renault Scenic. © Renault A atual geração do Renault Megane abraçou totalmente a eletrificação, uma decisão que tem prejudicado o seu sucesso no mercado. Em 2025, foram vendidas cerca de 12 500 unidades, quase metade das 25 600 do ano passado. De acordo com Cambolive, a nova plataforma - cujo nome ainda não foi revelado - substituirá as atuais, permitindo que um mesmo modelo possa ser produzido com versões totalmente elétricas ou híbridas externamente carregáveis. Redução de custos Outra preocupação comum diz respeito aos custos. E também neste campo a nova plataforma - que deverá estrear-se a partir de 2028 - apresenta vantagens. Segundo os dados já divulgados pela marca, esta arquitetura promete reduzir os custos de produção em cerca de 40% face às gerações atuais. Com esta nova abordagem, modelos como o Megane e o Scenic poderão partilhar a mesma base técnica, oferecendo versões 100% elétricas ou com extensor de autonomia, consoante a procura e a evolução dos mercados. Trata-se de uma estratégia que dá à Renault uma maior margem de manobra para responder a possíveis alterações na regulamentação europeia, especialmente se as metas para 2035, que prevêem o fim da venda de automóveis com motor de combustão, vierem a ser adiadas ou revistas. © Peugeot (Peugeot e-3008) A Stellantis é outro construtor que também aposta nas plataformas multienergia. EREV é a solução A marca quer reforçar também a sua atratividade com uma maior variedade de motorizações, para conquistar os consumidores que ainda se mostram céticos face às propostas 100% elétricas. A solução deverá passar pela adição de elétricos com extensores de autonomia. “Apostamos numa plataforma dedicada a veículos elétricos, mas se a adoção não for tão rápida como o esperado, podemos complementar os elétricos com extensores de autonomia. É nisso que estamos a trabalhar.” Fabrice Cambolive, diretor-executivo da Renault Apesar de esta tecnologia ser semelhante à dos híbridos plug-in, os EREV são, na prática, carros elétricos que têm um pequeno motor de combustão que geram energia para as baterias. Ou seja, apenas o motor elétrico está ligado às rodas. Designado por Horse C15, este é um motor de dimensões muito compactas (50 cm x 55 cm x 27 cm) e é capaz de produzir 94 cv ou 161 cv, quando associado a um turbocompressor. Foi desenvolvido especificamente para hibridizar veículos elétricos, os chamados elétricos com extensores de autonomia (EREV). As informações sobre o motor de combustão que poderá integrar este sistema ainda são escassas. Ainda assim, importa recordar o extensor de autonomia que a Horse - joint-venture entre a Renault e a Geely -, revelou há um par de meses: o Horse C15. Este sistema integra um motor 1.5 l de quatro cilindros, um gerador e um inversor e é compatível com as futuras normas de emissões Euro 7. Além disso, pode ser utilizado para hibridizar veículos elétricos já existentes, integrando-se com os seus motores. Miguel Nascimento