CEO DA FORD ALERTA QUE A CHINA "PODE TIRAR-NOS A TODOS DO MERCADO"
2025-11-17 22:11:29

Jim Farley, CEO da Ford, não tem dúvidas: se nada mudar, os construtores chineses vão dominar por completo a indústria automóvel. Jim Farley, diretor-executivo da Ford, não se costuma ficar pela meias palavras quando a conversa é sobre o futuro da indústria automóvel. E na mais recente entrevista ao CBS Sunday Morning, voltou a deixar um aviso que, dentro do setor, ninguém parece disposto a ignorar: a ameaça da China é real e nunca foi tão grande. Farley afirma que os construtores chineses têm hoje “capacidade de produção suficiente, com as fábricas já existentes, para abastecer todo o mercado norte-americano e tirar-nos do mercado”. Um cenário que, segundo o líder da Ford, representa um nível de risco “sem precedentes”. Ele traça o paralelo com os japoneses que ameaçaram deitar abaixo os construtores norte-americanos nos anos 80: “É exatamente o que aconteceu quando os japoneses chegaram aos EUA nos anos 80, mas com esteróides”. © Xiaomi O Xiaomi SU7 tem sido um sucesso comercial e crítico. Jim Farley, já por diversas vezes elogiou o modelo, e percebe-se que é uma das referências que está a formar a nova geração de elétricos na Ford. Americanos também querem carros chineses Se no passado os veículos chineses eram vistos como produtos de baixa qualidade, hoje a realidade é outra. Quando questionado se os norte-americanos teriam interesse em comprar um automóvel chinês, Farley respondeu sem hesitação que “sim”, por serem bons produtos. O executivo da Ford admitiu até, sem rodeios, que conduz atualmente um Xiaomi SU7, um carro chinês elétrico que descreve como de “alta qualidade” e com uma “ótima experiência digital”. A razão de estar a conduzir um produto da concorrência é óbvia: “para vencê-los, precisamos de os conhecer”. Descubra o seu próximo automóvel: A resposta da Ford Perante a pressão crescente, a Ford já tem um plano em marcha para combater os elétricos chineses, que são mais competitivos, seja ao nível da relação preço/qualidade, como da tecnologia, especialmente o software. O plano passa, essencialmente, por reinventar a forma como são concebidos e produzidos os veículos elétricos. É uma aposta ambiciosa e arriscada, e nem o próprio executivo norte-americano tem 100% de certeza de que irá resultar. A nova geração de elétricos da Ford será composta por modelos diversos, mas o primeiro será uma pick-up compacta (mais pequena que a Ranger, por exemplo), com um preço de combate nos EUA: 30 mil dólares (cerca de 25 mil euros à taxa de câmbio atual). Um valor praticamente impensável no mercado norte-americano atual, mas que a Ford considera crucial para competir com as marcas chinesas. Apesar de não se venderem veículos chineses nos EUA (são penalizados com uma tarifa de 100%), a presença global da Ford obriga-a a combatê-los noutros mercados. Farley reconhece que se trata de uma aposta arriscada, mas insiste que não há alternativa. “Os construtores chineses estão numa competição global connosco - e não se trata apenas de veículos elétricos. Se perdermos esta disputa, a Ford não terá futuro”, afirmou. Mariana Teles