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AERONÁUTICA E ESPACIAL

Ingenium

2025-11-20 22:06:25

A VINCULAÇÃO DE TALENTOS NA AERONÁUTICA O CASO DO PROJETO LUS-222 O desenvolvimento e produção de uma nova aeronave tripulada são desafios de rara envergadura em qualquer país e empresa. Em Portugal, o projeto LUS-222 (ver Figura 1), versão nas cores da Força Aérea Portuguesa, integrado na Agenda Mobilizadora Aero.Next Portugal, marca um momento histórico não só pela ambição tecnológica, mas sobretudo pela capacidade de atrair, fixar e valorizar talento em Engenharia Aeronáutica Aeroespacial. Num programa desta dimensão, os engenheiros aeronáuticos assumem um papel central, nomeadamente no design, na configuração estrutural, sistemas de bordo, integração de propulsão e ensaios. Mas a complexidade exige contributos de múltiplas especialidades, e.g., Mecânica, Eletrónica, Informática, Materiais, Gestão Industrial, Gestão da Produção, testes, ensaios, qualidade, entre outras. Portugal conta hoje com uma rede de instituições de ensino superior que, de norte a sul, formam estes profissionais. A Universidade da Beira Interior e o Instituto Superior Técnico, incluindo a Academia da Força Aérea, foram, em Portugal, pioneiros no ensino da Engenharia Aeronáutica Aeroespacial. Mais recentemente, outras instituições reforçaram a oferta, seja do ensino público, como é caso da Universidade de Aveiro, da Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto e da Universidade do Minho. Em termos de ensino privado realça-se a Universidade Atlântica. Neste enquadramento, destaca-se a licenciatura em Engenharia Aeroespacial da Universidade de Évora, que se inicia no ano letivo 2025/2026 com um enquadramento único junto ao Parque Alentejano de Ciência e Tecnologia, onde decorrem trabalhos de projeto de desenvolvimento do LUS-222. Cada polo académico está próximo do tecido industrial: no Norte , CEiiA, Airbus Atlantic e Caetano Aeronautic; no Centro , OGMA e Lauak; no Sul , o projeto LUS-222 (sob os auspícios do CEIIA). Em Évora, mais de uma centena de engenheiros (ver Figura 2) trabalha no desenvolvimento da aeronave, num ambiente multidisciplinar e em estreita ligação à indústria. Esta concentração de talento dinamiza serviços, atrai empresas complementares, cria oportunidades e favorece a fixação de famílias. O verdadeiro impacto está, porém, na perspetiva de carreira: o ciclo de vida de uma aeronave estende-se por décadas, permitindo participar no desenvolvimento, certificação, manutenção, modernizações, assegurando uma trajetória profissional sustentada. O LUS-222, a certificar pela EASA CS-23 (ver Figura 3), nasceu como solução civil, mas graças ao contributo da Força Aérea via CTI Aeroespacial (Força Aérea, CEiiA e GEOSAT), evoluiu para avião multi-role. Poderá transportar passageiros e carga, executar MEDEVAC, missões de busca e salvamento ou lançamento de paraquedistas. Esta capacidade coloca Portugal no mapa internacional do “Built to Spec”, aproximando universidades e indústria, criando emprego qualificado e mais bem remunerado. Neste processo de desenvolvimento de uma aeronave, um papel absolutamente crítico cabe aos líderes das várias especialidades (e.g., aerodinâmica, propulsão, aviónica, estruturas, testes e voos de ensaio, etc.) e engenheiros credenciados EASA CVE , Compliance Verification Engineers. Estes engenheiros especializados em certificação são formalmente responsáveis por garantir que o projeto cumpre normas de aeronavegabilidade, segurança e qualidade, validando soluções e assegurando conformidade regulatória aeronáutica. A existência conjugada de engenheiros seniores líderes de especialidade com os engenheiros CVE são fatores decisivos ESPECIALIDADES COLÉGIO NACIONAL DE ENGENHARIA José Manuel Mota Lourenço da Saúde lourenco.saude@gmail.com para o desenvolvimento de Portugal em termos do projeto e desenvolvimento de aeronaves, garantindo-se a coordenação eficaz das várias equipas de projeto. A vinculação de talento para o sucesso da Engenharia Aeronáutica em Portugal é, pois, hoje, um verdadeiro desígnio nacional. Este compromisso abrange tanto os recém-diplomados que iniciam a sua carreira, como os engenheiros seniores e os profissionais com níveis elevados de credenciação, indispensáveis para garantir a concretização, a maturidade e a credibilidade técnica dos projetos. Na perspetiva do Colégio de Engenharia Aeronáutica e Espacial, seja no domínio das aeronaves tripuladas ou não tripuladas, existe já em Portugal evidência clara de que o tecido económico e industrial do setor aeroespacial tem condições para assegurar , e tem vindo a concretizar , uma efetiva vinculação de talento de Engenharia. É precisamente esta vinculação que tem dado confiança a decisores, a entidades empregadoras nacionais e a parceiros internacionais para apostarem no progresso do setor aeronáutico e espacial português, fortalecendo a sua competitividade e sustentabilidade. O projeto LUS-222, cujo rollout está previsto para meados de 2028, conduzido pelo CEiiA em estreita coordenação com o CTI Aeroespacial, constitui atualmente o exemplo mais exigente e emblemático desta realidade. Mas não está sozinho: também em áreas distintas do ciclo de vida aeronáutico, como a manutenção, reparação e revisão (MRO) se verifica um crescente investimento nacional e internacional. Todas estas iniciativas, ainda que em diferentes segmentos, convergem no mesmo objetivo estratégico: fixar e valorizar talento em Engenharia Aeronáutica e Espacial, condição essencial para o futuro do setor em Portugal. | Figura 1 LUS-222 com cores da Força Aérea portuguesa Crédito: EEA Aircraft and Maintenance Figura 2 Sala de Engenharia do projeto LUS-222 Crédito: CEiiA