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É INEVITÁVEL REPENSAR O TRANSPORTE PÚBLICO

Diário As Beiras

2025-11-22 22:03:11

Presidente do Conselho Empresarial do Centro - CEC/CCIC Adescarbonização é o tema com que mais somos confrontados, devido às políticas adotadas ou que devíamos adotar, às práticas mais ou menos corretas, perante os desastres ambientais. Neste contexto, aparece como forte contributo para o falhanço no cumprimento das metas de descarbonização as emissões que provêm dos transportes, em especial como causa da poluição atmosférica urbana. Na verdade, não são muitos os avanços em termos globais. Em Portugal, por exemplo, os transportes são responsáveis por cerca de 30% dos gases com efeito estufa. Perante um quadro onde o transporte rodoviário em ambiente urbano assume um papel relevante para as emissões, a descarbonização do setor é necessária e crucial para a redução das emissões. É inevitável repensar o transporte público, que no nosso país, nos maiores centros urbanos, tem uma baixa utilização quando comparado com outras cidades , apenas 15% da população das áreas urbanas nacionais utilizam transportes públicos como prática regular. Assim, é inevitável alterar o equilíbrio entre veículos elétricos e a combustão em áreas urbanas, a par da diminuição da utilização de veículos particulares. O que é detetável de imediato é que as alterações esperadas na mobilidade não têm ocorrido ao ritmo esperado, são mais lentas, mas mesmo assim é nas áreas urbanas mais densas que se verifci am as maiores transformações, nomeadamente ao nível das infraestruturas e padrões de comportamento dos cidadãos. A opção pela compra de veículos total ou parcialmente elétricos é condicionada, sobretudo, por duas razões: a falta de infraestruturas de carregamento apropriadas e ajustadas às zonas urbanas e pelo preço. Estas duas razões são transversais à Europa e motivo de refel xão para quem pretende adquirir um veículo, que supostamente tem um impacto mais benigno sobre o ambiente. Contudo, não podemos deixar de confri mar um crescimento da quota dos veículos elétricos em Portugal, reconhecendo que se verifci ou uma diminuição de preços e uma melhoria importante na rede de carregamento, ao que temos que acrescentar as ajudas públicas por via dos incentivos, da tributação ou alterações do quadro regulatório. O número de quilómetros a percorrer é um condicionante, por agora, na decisão de procurar soluções no quadro de mobilidade, sendo expectável que o número de quilómetros a percorrer cresça a uma taxa entre 3 e 4% ao ano até 2040, o que acabará por estimular a decisão de compra e esbater os receios dos consumidores relativamente a esta tecnologia. Contudo, nas grandes áreas urbanas, os novos modos de transporte, a condução autónoma, a crescente penetração da micromobilidade (bicicletas, bicicletas elétricas, trotinetes elétricas) e dos serviços de mobilidade partilhada, terão um impacto que diminuirá a decisão de compra e a utilização de veículos na próxima década. A micromobilidade crescerá em termos do número de viagens realizadas, mas potenciará e complementa já hoje a utilização de veículo particulares. Assim, na próxima década não haverá uma alteração signifci ativa nas viagens suburbanas, rurais e de longa distância, que continuarão a representar a maioria dos quilómetros percorridos por automóvel. Tudo se apresenta de modo a termos um cenário diferenciado entre comportamentos de utilizadores essencialmente urbanos ou residentes em zonas suburbanas ou rurais. Portanto, o comportamento da mobilidade está numa fase dinâmica que depende de um quadro de oferta de soluções dos decisores nacionais e que gerem o território urbano e do quadro regulatório da UE. Presidente do CERC-Conselho Empresarial da Região de Coimbra Num mundo às avessas, em que assegurar a sustentabilidade futura se tornou um dos maiores desafoi s da humanidade, a adoção de políticas ambientais responsáveis deveria ser uma obrigação e um desígnio comum. Digo “deveria” porque, infelizmente, neste contexto global de competição pelo poder económico nem todos os países desenvolvidos pautam a sua atuação pelo respeito ao planeta. Muitos colocam os seus objetivos acima de tudo, promovendo uma concorrência desleal para com os que se esforçam por agir de forma responsável. A mobilidade elétrica surge como resposta necessária à urgência de proteger o planeta e como solução estratégica para reduzir a dependência energética de alguns países, face aos combustíveis fósseis. Para as empresas, representa também um pilar essencial das políticas ESG, que, mais do que uma obrigação, são uma estratégia diferenciadora para quem pretende criar valor e riqueza, salvaguardando um futuro sustentável. O investimento em sistemas de produção de energia elétrica de base renovável, como o fotovoltaico, associado a frotas de mobilidade elétrica, é cada vez mais relevante. Além de contribuir para a sustentabilidade, pode traduzir-se em poupança efetiva e impacto positivo no desempenho económico das empresas. Naturalmente, nem todos os setores conseguem integrar facilmente estas soluções, mas a evolução exponencial tecnológica torna a sua implementação progressivamente mais acessível a todos. A adoção da mobilidade elétrica exige, sobretudo, uma mudança de mentalidade. E todos sabemos o impacto da palavra “mudança”. Urge transformar paradigmas e incorporar positivamente a mobilidade elétrica na cadeia de valor das empresas, sempre que possível. Independentemente do tema em causa, a mudança será a principal barreira a ultrapassar. É essencial manter o foco e o comprometimento em alcançar um bem comum - o sucesso das nossas empresas e a preservação de um futuro digno para as gerações vindouras. Como sempre, na difci uldade está a oportunidade. “Mudança” - barreira a ultrapassar para uma mobilidade mais elétrica A mobilidade elétrica surge como resposta necessária à urgência de proteger o planeta e como solução estratégica para reduzir a dependência energética de alguns países, face aos combustíveis fósseis José Couto; Hugo Serra