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ATÉ À ELETRIFICAÇÃO TOTAL A SOLUÇÃO PASSA POR CARROS HÍBRIDOS MAIS BARATOS

Diário As Beiras

2025-11-23 22:08:57

É incontornável que o futuro passa pelo veículo elétrico, mas o que se tem vindo a assistir é a um custo ainda elevado das viaturas 100% elétricas para o consumidor e, por outro lado, um saldo de emissões CO dos carros 100% elétricos que não é assim tão positivo, se contabilizarmos toda a cadeia de valor, desde a extração de materiais para a sua construção das viaturas até ao processo de destino das baterias em fim de vida. Ou seja, estamos numa fase em que as regras de mercado são ditadas pela Comissão Europeia, através de uma legislação que apenas contempla o fator de utilização do carro elétrico para o considerar não poluente, o que, na prática, inão é verdade. Além disso, não podemos partir do princípio que a energia elétrica é toda produzida com fontes renováveis. Se é verdade que Portugal é um dos poucos países que já não tem carvão na produção de energia elétrica, na Europa não é assim. Dito isto, percebe-se que a mobilidade elétrica é um tema sensível, mas que o caminho para a eletrificação é incontornável. Este ano, a tipologia de carros mais vendida em Portugal e na Europa é full hybrid, solução que eu acho que vamos ter durante muitos anos, pelo menos enquanto não houver uma democratização ao nível de preço dos 100% elétricos. Acresce que, quanto a vendas, o mercado europeu não recuperou os níveis pré-pandémicos, até porque os carros estão mais caros. As vendas têm estado entre 19% a 20% abaixo de níveis de antes da pandemia, ou seja menos cerca de 2,5 milhões e meio de carros vendidos. E isto provoca um envelhecimento do parque automóvel, que é aquilo a que estamos a assistir em Portugal, a rondar uma média de 15 anos. Ora, se todos estamos preocupados com a descarbonização, o caminho seria criar produtos, nem que sejam viaturas térmicas com motor elétrico ,portanto, produtos híbridos , a um preço compatível, que permita uma renovação do parque automóvel, em vez de apostar tudo no carro elétrico, ainda por cima com a desvantagem de um valor residual inferior ao do carro térmico. A situação é muito ingrata para a indústria automóvel, porque tem que estar a produzir carros elétricos, como determina a respetiva Diretiva Comunitária, para se alcançar a meta de todos os carros serem elétricos à saída da fábrica, até 2035, mesmo que procura do mercado não corresponda. Por outro lado, há o fator da entrada dos carros chineses, cujo processo de construção é ecologicamente menos eficiente, a que acresce a pegada ambiental resultante do seu transporte para a Europa ao longo de milhares de quilómetros Neste quadro, a Europa devia criar uma etiqueta ecológica em que cada produto, seja uma viatura, seja uma camisa, seja o que for, que atestaria as baixas emissões inerentes à sua produção. Administrador da Litocar As vendas têm estado entre 19% a 20% abaixo de níveis de antes da pandemia, ou seja menos cerca de 2,5 milhões e meio de carros vendidos. Isto provoca um envelhecimento do parque automóvel, que é aquilo a que estamos a assistir em Portugal, a rondar uma média de 15 anos João Cardoso