VANDALIZAÇÃO DE POSTOS DE CARREGAMENTO É TRAVÃO À MOBILIDADE ELÉTRICA
2025-11-25 22:06:08

Nos últimos meses, nomeadamente nos grandes centros urbanos e áreas limítrofes, em particular nas áreas da Grande Lisboa e Grande Porto, tem sido possível dar conta de uma vaga de roubo de cabos em postos de carregamento de veículos elétricos, acção de vandalização que é explicada, principalmente, pelo valor do cobre no interior dos cabos, que é revendido no mercado de sucata. Este problema tem um impacto financeiro significativo, ao nível das infraestruturas, mas, porventura pior do que isso, afeta a confiança dos utilizadores na mobilidade elétrica. Para fazer face a esta situação, associações do setor e operadores estão a propor e a procurar implementar um conjunto de medidas, que vão desde o reforço da segurança física até à procura de enquadramentos legais mais dissuasores para quem pratica estes actos ilícitos. Vejam-se as causas do problema, mas também algumas soluções propostas. Causas ExplicativasSoluções e Medidas de MitigaçãoValor do Cobre: O principal motivo é o furto para revenda do cobre contido nos cabos.Reforço da Segurança Física: Instalação de sistemas de videovigilância (CCTV), alarmes, sensores, proteções anti-corte com Kevlar ou malha de aço, e iluminação reforçada nos locais.Impacto Desproporcionado: Custo de reposição de cada cabo pode chegar a EUR2.000, enquanto o valor de revenda do cobre é baixo.Enquadramento Legal Mais Firme: A UVE , Associação de Utilizadores de Veículos Elétricos, propõe classificar os postos como infraestruturas críticas, o que agravaria as penas para estes crimes e teria um efeito dissuasor mais forte.Prejuízo para a Mobilidade Elétrica: Os postos vandalizados ficam inoperacionais, criando “desertos” de carregamento e abalando a confiança dos utilizadores, o que pode atrasar a transição energética.Reposição Rápida do Serviço: Defesa da criação de um programa de apoio para compensar operadores que reponham rapidamente o serviço, minimizando o impacto para os utilizadores.Colaboração com Autoridades: As associações do setor estão em comunicação formal com o Ministério da Administração Interna, PSP e GNR para uma resposta coordenada. A dimensão do problema De acordo com os dados recolhidos pela UVE entre os meses de Abril e o início de Outubro de 2025 fica bem ilustrada a gravidade da situação: Número de Ocorrências: Foram roubados 720 cabos. Alcance Geográfico: No período considerado foram afetados 327 postos de carregamento, com maior incidência nos distritos de Lisboa, Santarém, Leiria, Setúbal e Évora. Impacto na Rede: Estes cabos roubados representam cerca de 10,3% da rede pública rápida e ultrarrápida do país. Em concelhos como Oeiras e Sintra, o número de cabos roubados ultrapassou mesmo a centena em cada um. Uma perspetiva alargada Para ultrapassar esta questão, é útil considerar que a solução passa por uma combinação de esforços: Dissuasão: Medidas de segurança visíveis, como câmaras e iluminação, podem afastar potenciais infratores. Prevenção: Proteções físicas nos cabos tornam o roubo mais difícil e demorado. Repressão: Um enquadramento legal mais severo aumenta o risco e a consequência para o crime. Resiliência: Mecanismos que garantam a rápida reparação dos postos mantêm a rede funcional e a confiança dos utilizadores. Por aquilo que a equipa do LusoMotores tem podido verificar, em concreto na região da Grande Lisboa, o roubo de cabos dos carregadores tem prosseguido em larga escala pelo que os números recolhidos pela UVE só podem ter crescido já no corrente mês de Novembro. Torna-se assim necessário um esforço conjunto entre associações, operadores e autoridades para resolver este problema e proteger uma infraestrutura essencial para o futuro da mobilidade elétrica em Portugal, sendo conveniente que este esforço não se reflita mais tarde no aumento dos custos da utilização dos postos de carregamento para os respectivos utilizadores. LusoMotores Jorge Reis