AUTOCLÁSSICO - A FEBRE CONTINUA A SUBIR
2025-11-25 22:06:08

Apesar de nas duas últimas edições o salão autoClássico ter passado a ocupar todos os pavilhões da Exponor, num total de mais de 70.000m2, o espaço consegue, ainda assim, ser pequeno para o cada vez maior número de visitantes. Com números exactos ainda por apurar, é sabido que terá voltado a ultrapassar os 40.000 vistantes e que, no sábado, terá ultrapassado o recorde de entradas num só dia, não apenas do autoClássico, mas da história da Exponor. Os picos de afluência continuam a provocar problemas que a organização tenta ultrapassar, nomeadamente a necessidade de promover e estimular cada vez mais a compra de bilhetes online, no sentido de reduzir as longas filas na bilheteira. Com os bilhetes a terem um desconto na compra antecipada, este ano foram muitos mais os que optaram pela compra online, mas, ainda assim, a organização deseja que haja cada vez mais a escolher esta via. O grande afluxo à bilheteira física resultou mesmo em alguns problemas nos terminais que causaram constrangimentos momentâneos, algo para que a Eventos Motor acredita ter já uma solução para 2026. Muito melhor do que em anos anteriores, funcionou o estacionamento de clássicos para os visitantes. Continuam a existir dois pavilhões cobertos com espaço para o estacionamento (com um custo adicional), mas existe agora um parque exterior (dentro da Exponor mas com entrada pela lateral), com grande capacidade e com um acesso muito mais rápido e fluído, que permitiu descongestionar consideravelmente toda a avenida nos momentos de maior movimento. Ainda assim, como em todos os eventos de massas, à semelhança de um jogo de futebol ou de um concerto, não houve um espaço em redor do centro de exposições que não se enchesse de automóveis de visitantes, o que prova que o entusiasmo dos portugueses pelos automóveis não esmorece. MotorExperience, uma enchente acima das expectativas No final da edição do ano passado, soube-se que, por questões de manutenção do espaço exterior, seria impossível manter O Motorshow tal como o conhecemos no passado, pois isso implicava um desgaste do pavimento que não é compatível com as exigências da FIA, quando chega o momento de usar a mesma área para acolher o paddock do Rali de Portugal. Assim, a Eventos Motor precisava de encontrar uma alternativa para aquele que era um dos grandes atractivos do fim-de-semana. Assim, os organizadores foram em busca de uma solução que mantivesse boa parte da acção e que, ao mesmo tempo, colmatasse um vazio existente no que dizia respeito a um espaço mais amplo e abrangente de exposição de veículos de competição. Paralelamente, incluiu uma vertente cada vez mais importante no panorama da paixão pelos automóveis e pelo desporto motorizado: a competição virtual. O circuito virtual ali montado, com dois ecrãs gigantes a mostrar toda a acção em tempo real e com comentários ao vivo, “colou” milhares de entusiastas ao longo do fim-de-semana. Pelos Uma enchente de entusiastas dos 8 aOs 80 e pavilhões a abarrotar de expositores, provam que a febre dos automóveis está para durar vários simuladores disponíveis, passaram alguns ases do nosso automobilismo, como Filipe Albuquerque, Rafael Lobato ou Noah Monteiro. Vários foram também os momentos em que os visitantes puderam experimentar as sensações cada vez mais reais e envolventes dos simuladores e até competir por um prémio “Do virtual para o real”, em que dois pilotos Exclusive Top Cars a magnetizar uma nova geração Na mente dos entusiastas portugueses uma grande confusão entre o que é um automóvel antigo e o que é um automóvel clássico e, talvez por isso, é difícil aceitar que haja um pavilhão dedicado a automóveis novos mas potencialmente coleccionáveis. A verdade é que o Exclusive Top Cars veio ocupar um espaço que, em todas as 20 edições realizadas até 2023, nunca esteve ocupado. No passado, o autoClássico deixava sempre um pavilhão da Exponor vazio. Isso significa que os automóveis novos não vieram retirar espaço aos antigos, mas vieram, isso sim, trazer um novo foco de interesse e um novo público. ê inegável que, para as novas gerações, este pavilhão é “o prato principal”, com as gamas desportivos actuais da Aston Martin, Ferrari, Bentley, Porsche, Maserati e BMW, marcas representadas oficialmente. A francesa DS aproveitou também para ali fazer o lançamento nacional do seu luxuoso topo de gama, O DS8. Não há outra forma de cativar novos entusiastas. Mesmo nós, os de gerações anteriores, provavelmente começámos a gostar de automóveis apreciando os modelos que nos eram contemporâneos e só depois começámos a apreciar os modelos que já por cá andavam antes de nós. Por isso é que esta fórmula resulta e é fomentada em eventos como a Retromobile e outras referências internacionais, onde os “spotters” e os “youtubers” acabam por ter o primeiro contacto com a história automóvel. Para quem cresceu nos anos 80, o pavilhão do Exclusive Top Cars traz-nos memórias dos tempos do Salão Internacional do Automóvel do Porto, onde os stands das marcas eram um espectáculo de luz e cor. Destaque ainda para o lounge montado neste pavilhão com o apoio da Murganheira, onde os convidados das marcas puderam desfrutar de bons sabores e bons momentos de convívio. Exposições temáticas em grande número O ano de 2025 está cheio de efemérides automobilísticas que serviram de mote a exposições temáticas no salão autoClássico. Logo a dar as boas-vindas aos visitantes, estava a exposição dedicada aos 70 anos do Citroên DS, que reuniu exemplares de quase todas as versões, incluindo as Break, o Décapotable e, também da Chapron, o Magesty, a rara versão “limusine” de três volumes, da qual foram produzidas apenas 27 unidades. Também a cumprir o 700 aniversário estava o Volkswagen Karmann-Ghia e, por isso, houve também um espaço dedicado ao modelo com três exemplares representativos da linhagem. Igualmente septuagenário, é agora o Fiat 600, que teve também o seu espaço dedicado, incluindo, claro está, um Multipla. Mais velha é o “pão-de-forma”, o carismático modelo Type 2 da Volkswagen, que esteve representado por modelos desde o início ao final da sua longa vida comercial, nasceu há 75 anos. Também a SEAT nasceu há 75 anos e o representante da marca reuniu um leque de modelos importantes na sua história, tendo, estranhamente, deixado de fora o importante 1430, derivado do 124 e que foi um best-seller em Espanha. Um pouco mais jovem é o Volkswagen Polo, que conta agora 50 anos e, entre outros, trouxe para O seu aniversário um exemplar da primeira geração e um excêntrico Harlequin, a versão multicor. O BMW Série 3 está também a completar 50 anos, mas no autoClássico, celebrou-se, em particular os 40 anos do BMW M3 (lançado em 1985 em Frankfurt). Para isso, a organização reuniu várias versões muito exclusivas do o CabrioM3: um E30 let, um E30 2.5 Sport Evolution, um E46 CSL e um E92 GTS. Ao lado, estava também um M4 CSL, mas o grande destaque ia para o M3 2.5 “Art Car”, decorado pelo artista português Luio Onassis, e que lidera actualmente o Campeonato Nacional de Clássicos Legends, pilotado por Luís Liberal. Pavilhão principal, um indicador do mercado? o “core business” do salão autoClássico continua a ser a exposição do pavilhão 4, onde se reúne a maioria dos mais importantes comer-ciantes e restauradores da Península Ibérica. A dinâmica deste pavilhão principal acaba por evidenciar a vivacidade e dimensão do mercado, mesmo num ano em que a conjuntura nada tem de favorável. Note-se, por exemplo que, nesta edição, por motivos diversos, estiveram ausentes expositores habituais e muito conhecidos como José Barquinha, Departamento Clássico (Trocas) ou João Machado (AlfaClássicos) VF Auto e Robalo & Macedo, no entanto, o pavilhão não chegou para albergar todos os que desejavam estar presentes. Para os lugares vagos entraram estreantes no salão, como RM Oldtimer, Bruno Martins, Aguiar Automóveis, Abraão Santos, GT Motors, Dishiro, Homecars, entre outros. Registo também para o regresso da Jorcar, que conseguiu conciliar a presença no autoClássico em simultâneo com a exposição do paddock do Estoril Classic, dividindo a equipa e o stock. Mas nem só de comerciantes de veículos clás-sicos se faz o pavilhão 4. Além de algumas entidades como O CPAA ou O Museu do Caramulo, a Livraria Ascari e a revista Topos & Clássicos e várias empresas de serviços, estiveram presentes com grande destaque nesta edição a Castrol, a promover os seus lubrificantes, e a Mattel a promover novos produtos feitos em colaboração com a marca Hot Wheels Mantiveram-se muitos dos expositores habituais, como a Mecurito, Pep s Gang, António Carvalheira, Paradigma, ClassicCars50to80, Corrida Histórica, SSR, Juan Lumbreras e Good Old Times, esta, como sempre, com um stand verdadeiramente imponente. Sendo cada vez mais difícil nomear os destaques de cada expositor, o que vale a pena sublinhar é a diversidade da oferta, mas um crescendo cada vez mais notório dos automóveis mais exclusivos e valiosos. Eram muitos OS Ferrari e Porsche, assim como OS Jaguar dos anos 50, 60 e 70 em exposição e um pouco menos os clássicos acessíveis, como os pequenos GTI e outros modelos dos anos 80 e 90. Como se sabe, é difícil dizer que a oferta do salão define uma tendência, pois é sempre possível que o panorama seja totalmente diferente em 2026. Nesta fase é difícil dizer se este é ou não um ano atípico, mas o certo é se verificou novamente o nível de vendas habitual no salão. No final do fim-de-semana havia muitos automóveis com os desejáveis letreiros a marcá-los como vendidos. Mas mais importante do que isso = porque é sempre difícil vender enquanto decorre o salão , é o feedback muito positivo que apurámos junto da maioria dos expositores, tendo todos saído da Exponor com perspectivas de negócio ao longo dos dias seguintes. No final de domingo, os ânimos estavam em alta entre os expositores do Pavilhão 4, o que acaba por ser um dos grandes desígnios da organização. Espíritos em alta para 2026 A grande afluência de público, o entusiasmo dos comerciantes e a chegada de novas caras e novas empresas ao leque de expositores, deixaram os organizadores animados e com planos muito concretos de melhorias e crescimento em 2026. Aos resultados positivos junta-se a boa notícia para organizadores, expositores e sobretudo visitantes de que, em 2026, não há coincidência de datas com o Estoril Classic. A mudança do evento da Race Ready e Peter Auto para uma data posterior, permite perspectivar um novo aumento do número de visitantes no autoClássico de 2026, que assim se torna, cada vez mais, no maior evento do género na Península Ibérica. Fórum Motorbest/autoClássico com elenco de luxo Lendas da F1, ídolos nacionais das duas e quatro rodas, jornalistas e fotógrafos de prestígio internacional resultaram em mais de seis horas de excelente conversa. A cada ano, o fórum Motorbest, uma das várias animações do autoClássico, tem dado voz a vários convidados e homenageados do salão, com o público a aderir cada vez em maior número. Homenagens e emoções em duas e quatro rodas Começando pelo fim, o programa desta edição do fórum foi desde logo especial por contar com uma sentida homenagem ao herói nacional do motociclismo que o Dakar nos levou, o rapidíssimo Paulo Gonçalves. A homenagem foi conduzida especialmente pelo historiador e amigo do piloto, Penteado Neiva e contou a com presença de amigos e da família do piloto, mais concretamente, mulher e filhos. Igualmente emocionante foi a homenagem ao carismático e talentoso Alexandre Laranjeira, O piloto de superbikes que, ao longo de vários anos provou que o talento de um piloto português poderia impor-se nos mais exigentes palcos mundiais, como o temido Circuito da Guia, em Macau, onde venceu contra os melhores. Outro dos pilotos que passaram pelo fórum nesta edição, foi o muito apreciado, brilhante e multi-facetado António Rodrigues. Exímio nas rampas, circuitos e ralis, o grande Campeão subiu ao palco, mas diante de uma plateia onde encontrou inúmeras caras conhecidas da sua carreira. Desde mecânicos a comissários, passando por chefes de equipa e adversários ilustres. António recordou passagens extraordinárias que vivem para sempre na memória dos adeptos nacionais do automobilismo e recebeu, também ele, uma placa de homenagem atribuída pela organização. Os criativos Outro dos privilégios do fórum deste ano, foi poder contar com a presença do director editorial da que é talvez a mais prestigiada revista internacional dedicada aos clássicos, a Octane. James Elliott veio de Inglaterra para integrar o júri do Concurso de Elegância autoClássico e também para um bom momento de conversa, onde falou da actualidade e futuro das publicações impressas, dos processos de trabalho, do mercado de clássicos e também das suas experiências pessoais enquanto jornalista, desde há quase 30 anos, quando se iniciou na Classic & Sports Car, até aos dias de hoje na Octane. Outro talento da produção de conteúdos relacionados com automóveis clássicos, o Joel Araújo, esteve também no fórum para apresentar a segunda edição do seu anuário. Nesta publicação compila as melhores fotos de 2024 e acompanha-as com a sua escrita, sempre divertida e cativante. Assim foi também a animada conversa no fórum, onde falou sobre cada evento mencionado no livro, no mesmo tom que conhecemos da sua escrita e de que o público tanto gosta. Gigantes da F1 Não será fácil voltar a juntar dois pilotos de fórmula 1 estrangeiros no fórum, mas o que será impossível é conseguir uma dupla tão divertida, simpática e interessante como Patrese e Fittipaldi, um com a experiência de competição em três décadas diferentes da F1, outro com dois títulos mundiais, mas ambos com a mesma atitude relaxada e com dedicação ao público do salão. os dois pilotos recordaram os tempos em ambos competiram na F1 em simultâneo, falaram da F1 do passado presente e futuro, realçaram os saltos evolutivos e os heróis com quem se cruzaram. Ao longo de uma hora, assistiu-se a uma verdadeira conversa de amigos, numa oportunidade única e irrepetível para os fãs. Emerson, no entanto, já disse quere voltar ao autoClássico uma terceira vez. No domingo, Patrese voltou a solo, para então percorrer histórias da sua riquíssima carreira. o entusiasmo do público mas, especialmente o do piloto italiano, fez com que uma conversa planeada para 45 minutos, se estendesse para lá 80 minutos. A cada passo, Patrese ia recordando uma e outra história com detalhes cada vez mais interessantes, que o público dificilmente viria a conhecer de outra forma. Apenas um de vários exemplos que permitem perceber que a vinda de estrelas nacionais e internacionais justifica-se, especialmente, por esta oportunidade de os ouvir abrir a caixa das memórias. 12 Reportagem AUTOCLáSSICO Um resumo alargado de todos os acontecimentos do salão da Exponor. O Concurso de Elegância desta edição. teve James Elliot, director da Octane, como jurado. de entrega de prémios no Exclusive Top Car(JA) Fittipaldi e Patrese entrevistados por Hugo Reis Porsche Club de Portugal animou O MotorXperience Uma edição marcada por uma afluência invulgar (JA) Brás & Filho com forte presença no salão como expositor e patrocinador. Concurso de Elegância de Supercarros, com votação do público. (JA) Muitos expositores habituais, alguns regressos e várias estreias (JA) estreia de Bruno Martins no salão. A Jorcar de regresso, com uma presença muito forte, exibindo apenas modelos Ferrari e Porsche. A Ascari foi o único expositor dedicada exclusivamente a livros. Museu do Caramulo a divulgar as actuais exposições. Car” português no Exclusive Top Car Competição intensa no autódromo virtual. Clubes presentes em força. A leiloeira espanhola Melvin, estreou-se no salão. Presença sempre marcante da Juan Lumbreras 70 anosd Citroên elegante espaço da Good old Times A Mecurito promoveu 0 seu stock, mas também a área de restauro. Oferta diversificada de António Carvalheira, na sua vigésima presença. Presença oficial da Ferrari no Exlusive Top Car. Muita animação no Porsche Club de Portugal. Clássicos e desportivos modernos na Pep s Gang. BC-20-09 AT&C, como sempre, no centro do Pavilhão 4. As miniaturas vez mais populares. Estreia de Abraão Santos, especialista em Jaguar. Hugo Reis