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NEGÓCIO MODULAR PROCURA ESCALA PARA VINGAR

Expresso

2025-11-28 06:00:06

A Zethaus e a Krear são algumas das marcas que estão a apostar na construção pré-fabricada A marca Zethaus, criada pelo grupo bracarense DST, e a Krear, lançada pelo grupo Casais e pela Secil em maio de 2024, estão a desenvolver vários projetos ligados à construção industrializada, assente nos conceitos de construção modular e de pré-fabricação, e considerada uma das formas de acelerar a resolução do problema da habitação em Portugal. Mas estes negócios precisam de ter escala para conseguirem ser competitivos. Embora prometam uma redução de 20% a 30% no tempo de construção dos edi-fícios, o preço final continua a ser “igual ou mesmo superior ao da construção tradicional”, alerta Hipólito Sousa, professor da Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto (FEUP). Hipólito Sousa destaca que oSI preços na construção industrializada só poderão descer quando “houver escala” e as “fábricas construírem em maiores quantidades”. Mas, para que isso aconteça, é necessário que muita coisa mude no paradigma da construção em Portugal, penalizada pela “falta de definição de uma estratégia que permita ao sector investir em pré-fabricação e industrialização orientada”, tendo em conta a localização periférica e a dimensão do país. Ou seja, é necessário que a administração central defina políticas e estratégias que permitam “pelo menos durante uma década” perspetivar e capacitar a procura pública e privada. Ao mesmo tempo, refere, “é preciso alterar a rigidez dos modelos de contratação pública e de controlo”. Mas há outros aspetos que também é preciso mudar, como o “estigma dos utentes a propósito das soluções pré-fabricadas e leves, consideradas de pior desempenho e durabilidade”, sendo essencial melhorar a imagem do sector. O grupo DST está a promover a marca Zethaus no mercado internacional. Para OS arquitetos Luís Reis e Maria Luísa Barbosa, da Zethaus, para que a construção industrial seja rentável “é essencial garantir um planeamento rigoroso, uma boa gestão dos recursos e uma determinada escala de produção que justifique o investimento”. A DST , com o apoio do Plano de Recuperação e Resiliência (PRR) , lidera um consórcio que pretende con-tribuir para uma mudança de paradigma na construção. Para tal, o grupo criou o “Living Lab”, um laboratório dedicado à investigação, desenvolvimento e teste de soluções construtivas industrializáveis, sustentáveis e inclusivas. “Desafiámos o arquiteto Norman Foster e o grupo internacional de engenharia ARUP a definir um novo sistema construtivo industrial que nos permita estender a qualidade a todos”, explica o presidente da DST, José Teixeira. Este sistema combina a construção volumétrica 3D, em que módulos são enviados para a obra completamente acabados, com a construção 2D, que permite flexibilidade e personalização. Estruturalmente, este sistema utiliza aço, madeira e betão. O terreno do Living Lab situa-se no campus do grupo DST, em Braga, e está a testar projetos de residências sénior e de estudantes, habitação coletiva, hotel e centro de saúde. De acordo com José Teixeira, neste momento “já está montado em obra o edifício da residência de estudantes, e a residência sénior encontra-se a terminar”. Acrescenta que “os três restantes edifícios estão a ser produzidos em fábrica e serão instalados no terreno até meados do próximo ano”. Presidente da DST revela que no próximo ano serão instalados mais três edifícios em Braga Em Braga, o grupo DST, através da Zethaus, está a testar soluções de construção modular FOTO D.R. ELISABETE SOARES