ENTREVISTA A PEDRO CORDEIRO - BYD 30 ANOS A CONDUZIR UM "CRESCIMENTO EXPONENCIAL"
2025-11-28 22:04:09

Pe dro Chief Operating Officer Cordeiro Continuamos em linha com o crescimento avassalador que a própria marca tem a nível mundial” A celebrar 30 anos, a BYD continua a afirmar-se como uma referência global na nova mobilidade. “e a número um mundial, é o player número um”, sublinha O Chief Operating Officer em Portugal, Pedro Cordeiro, destacando O ADN que nasce das baterias, a estratégia vertical que permite produzir internamente quase todos os componentes dos veículos e a aposta em Investigação & Desenvolvimento. No País, esta capacidade tecnológica explica o crescimento acelerado da BYD, “a marca que mais cresce no mercado nacional” , acima dos 120 %. A aposta em fast chargers de nova geração, o domínio da cadeia de valor e a chegada de novos modelos reforçam a ambição da empresa chinesa, com a mobilidade elétrica a evoluir para um ecossistema energético mais integrado e acessível. A BYD nasceu em 1995, inicialmente como fabricante de baterias. Como é que essa origem moldou o ADN da marca até hoje? A marca nasce, em 95, com baterias recarregáveis. Esse é O ADN da marca, que foi evoluindo e desenvolvendo essa área de atividade com a incorporação dessas mesmas baterias recarregáveis em telemóveis telemóveis esses que também chegaram à Europa e que foram utilizados pOr todos nós. Esse ADN das baterias é o das viaturas elétricas e, por isso, em 2003, cria a divisão Auto e, dois anos depois, lança a primeira viatura. Em 2008, houve outro marco muito importante, que foi o lançamento do primeiro PHEV [Plug-in Hybrid Electric VehicleZ uma produção e1m massa mundial. Desde ai, a BYD continua a ter uma evolução contínua, desenvolvendo-se maioritariamente na China, sendo que, nos últimos anos, decidiu alargar essa presença numa perspetiva mundial América Latina, Austrália, Nova Zelândia e Europa (desde 2022). O que diferencia a BYD das outras marcas chinesas que estão a entrar no mercado europeu? A BYD é a número um mundial, é o player número. E O que leva a isso!? Atualmente, tem cerca de u1m milhão de colaboradores e 10 % dessa massa é R&D EInvestigação & Desenvolvimento], OLI seja, 100 mil pessoas trabalham na área de desenvolvimento. Portanto, isto, SO POr si, leva a0 registo de patentes da parte tecnológica que diferenciam a marca. Outro dos fatores é que o facto de ter este ADN OuI esta capacidade de desenvolvimento, tem o domínio da cadeia de valor, ouI seja, desenvolve com os seus engenheiros os próprios motores elétricos. E toda uma estratégia vertical, porque começa por desenvolver as baterias elétricas, passa pelos semicondutores, tem os motores elétricos, etc. , como costumamos dizer, SO OS pneus e os vidros é que não SáO BYD, porque tudo o resto é fabrico in-house, com propriedade intelectual registada/ patenteada BYD. Isso é claramente uma enorme diferença de todos os outros fabricantes. Nomeadamente nas baterias, é uma grande fabricante e 11m dos três players mundiais de baterias. E é a número um nas tecnologias dos Energy Vehicles, o que lhe dá essa capacidade de fornecer essas mesmas baterias a outros fa-Menos um grau “Cool the Earth by 1c”. Esta é a missão da marca, que não passa apenas por contribuir para a diminuição do aquecimento global, quer, sim, fazer com que haja uma redução em um grau daquilo que é a temperatura da Terra. "A BYD monitoriza de perto a redução das emissões de dióxido de carbono, porque. no fundo, esse é o contributo. Como é que se arrefece o planeta em um grau?! Tem todo um ecossistema que leve a que isso seja possível” afirma O COO da BYD Portugal, Pedro Cordeiro. bricantes.com esse crescimento de escala, tem o domínio mundial atualmente. Este ano, tem vindo a ultrapassar a Tesla em vendas globais de veículos elétricos. Como avalia este marco e a que fatores se deve este crescimento? ê um marco importante, mas a BYD não é uma marca de apenas 100 % elétricos; é uma marca que tem a tecnologia EV Eveículo elétriCoI e híbridos plug-in. No somatório dessas duas tecnologias, já era ¿ a número um desde 2022 , esse sim foi o grande marco. Recentemente, só na tecnologia EV, que representa aproximadamente 50 % do peso, superou umas das concorrentes principais = que só tem essa tecnologia e continuará a superar. o objetivo da BYD é ser a número um nestas duas tecnologias, mas a ambição é ser em todas elas, a0 nível global, porque as outras tecnologias também estão e1m declínio Co1mo é o caso da gasolina e do gasóleo, que têm vindo a decair cerca de 30 %, ano após ano. Como avalia o desempenho da BYD no mercado português, desde a sua entrada? ê muito bom! O que posso dizer é que está a corter muito bem. Lançámos a marca em maio de 2023 e, desde aí, tem sido um crescimento exponencial. Multiplicámos por sete o número de vendas no ano passado versus 2023 de 460 para quase 3200. E este ano, agora sim, o segundo ano completo de operação em crescendo, vamos duplicar o número que fizemos n10 ano passado. Somos a marca que mais cresce n0 mercado nacional acima dos 120 % portanto, continuamos em linha com o crescimento avassalador que a própria marca tem a nível mundial. Mas especificamente aqui e1m Portugal, estamos também no pelotão da frente nessa velocidade europeia. Quais são as particularidades do consumidor português face a outros mercados europeus? Em relação à Europa, diria que há alguma similaridade. Portugal tem é um nível mais avançado Oul, pelo menos, está também n0 pelotão da frente na adoção da mobilidade elétrica , houve um conjunto de fatores que levaram a que isso fosse possível, como é o caso dos carregadores, em que se começol a investir numa estrutura e, obviamente, isso ajudou. Portugal, normalmente, reage bem. ê um país pequeno, o que facilita essa adoção da mobilidade elétrica: arranca bem, adota bem e depois tende a estagnar, a esmorecer questões políticas Ou não; e alguém começa muito rápido, mas depois troca-se muito rapidamente também e perde-se a pessoa/a visão/as equipas/a legislação. Isto para dizer que começou bem, esteve bem, lide-rou , esteve mesmo no top 5 em termos de velocidade de adoção = caiu qualquer coisa, voltou a aumentar... Agora, o País vale 20 % em termos de elétricos na Europa, valem 15 % , e com os híbridos plug-in somados, vale 33 % do peso. Eu diria que o posicionamento é similar àquilo que é a Europa, mas até u1m bocadinho mais ávido pOr tecnologia e pela mobilidade elétrica. Estão a ponderar algum tipo de produção, montagem ou hub logístico em território nacional? A BYD Portugal é o distribuidor da marca n10 nosso País, mas tem a casa-mãe ou o representante contratual, que é o Grupo Salvador Caetano. Ao nível do Grupo, que também é um player mundial, não temos interferência; já a BYD em si, à data, não tem 11ma visão muito definida. A nível europeu, existe uma fábrica na Hungria, em que a perspetiva é que abra já no final deste ano, com a produção do primeiro veículo em solo europeu; tem uma segunda fábrica na Turquia, que está também aprovada e em desenvolvimento; e haverá uma terceira fábrica, que está já em discussão/ /decisão e em que Portugal também esteve na corrida. O País tem fatores de posicionamento vantajosos, talvez não superiores em relação a outras geografias, por algumas razões políticas e de estrutura, mas o que é certo é que conseguiu captar um investimento, pOr exemplo, da chinesa CALB [China Aviation Lithium Battery], uma das principais fabricantes de baterias e esse investimento foi conseguido e captado. Obviamente, só por si, este investimento vai ser interessante, pois pode ser u1m pólo de dinamização para outros ecossistemas ligados à mobilidade, nomeadamente OS próprios fabricantes que se vão sentir tentados a vir instalar fábricas em Portugal. A data não há nada preto no branco para Portugal, poderá ou não haver aqui algum interesse por , como já referi ter alguma atratividade. O que existe na BYD europeia, além das fábricas, é O desenvolvimento dos carregadores rápidos, OS chamados “fast charger”. A BYD foi pioneira, a nível mundial, a apresentar O carregador de um megawatt de velocidade, potência, carregamento. Neste momento, já existem na China e vêm para a Europa. Posso adiantar, porque é algo novo, que estão aqui 110 road map para a Europa como um todo, por isso, obviamente, Portugal irá beneficiar desta decisão estratégica da BYD. No que respeita ao branding e à comunicação, existem diferenças no País em relação a outros mercados? e uma boa questão! Existe alguma diferença, porque estamos a falar de uma marca com um milhão de colaboradores, entre eles 100 mil engenheiros, portanto, se pensarmos num gigante que tem de deslocar estas equipas para fazer uma implementação, por exemplo, no continente europeu , que tem uma realidade super diversa a nível cultural, linguístico e geográfico = o é difícil. Em Portugal, depois de se ler todo o ADN da BYD e perceber quais eram aS diretrizes principais, traçou-se uma linha de comunicação de posicionamento de marca em linha com isso, mas adaptada a0 nosso mercado. E O mercado português é um pouco mais premium, oui seja, apresenta uma segmentação de marcas premium que se posiciona no topo da tabela de vendas ainda que o salário mínimo não corresponda. Atendendo a isto tudo, e a0 facto de a BYD também ter esse ADN de “premium accessible” começou por ser u1m dos slogans do posicionamento de marca = houve um adaptar à realidade portuguesa. O premium accessible, a componente forte tecnológica, a componente forte de sustentabilidade... Isto tudo foram temas pilares para comunicar a marca no País. O ecossistema BYD é grande, não é só a divisão Auto. lem baterias, acumuladores para grandes eimpresas e indústria, painéis fotovoltaicos, ferrovia e camiões. Isto existe tudo na China, mas virá também para a Europa. Que importância têm as experiências digitais e o pós-venda no ecossistema BYD? e imensa. A componente do pós,venda e a preocupação com o cliente são, neste momento, o foco, ou seja, estamos aqui a fazer um caminho. A nossa preocupação número um foi ter toda uma rede de assistência, de parceiros, porque não estamos a vender online. São 23 pontos de venda em Portugal, com pós-venda, equipas técnicas qualificadas, formação e know-how para dar assistência. Mas, como disse, é 111m caminho que estamos a fazer porque passaram apenas dois anos e meio, e, apesar dos números que já atingimos, temos de ter alguma sustentabilidade. E ainda que saibamos o que queremos fazer, os recursos humanos são fundamentais e, hoje em dia, há 1m défice efetivo de mão de obra e de recursos, o que também pode condicionar a colocação no terreno de toda a visão que temos de suporte ao cliente. Na parte do pós-venda, também te1m0s a componente digital, mas será um projeto mais para 2026, em que vamos disponibilizar uma aplicação com oferta de serviços, controlo de manutenções e disponibilização de serviços. Ainda assim, as nossas viaturas já são altamente conectadas, tendo uma app que permite aOS utilizadores geri-las. E O objetivo é agregar a essa mesma app outro nível de serviços, nomeadamente os serviços de pós-venda e a proximidade com o cliente. Como é que a BYD se está a preparar para os avanços em Inteligência Artificial (IA) e condução autónoma? São dois tópicos atuais e de um futuro próximo sobre OS quais todos temos uma curiosidade imensa. Aquilo que podemos dizer é que a BYD será pioneira também nessas áreas, no que diz respeito à mobilidade é ponto assente. Há coisas que já são conhecidas, já foram publicadas. A BYD teve uma associação com uma empresa ligada à IA e já fez integrações nas suas viaturas, porque, na China, é muito mais fácil e rápido fazer este tipo de desenvolvimentos, implementações e testes-piloto no terreno. Na Europa, é 1m pouco diferente, pois há uma legislação muito mais complexa, mais cuidada e que pretende proteger O consumidor, O que atrasa O desenvolvimento em relação a outras geografias. Mais tarde ou mais cedo, O consumidor é quem vai ditar O que é que quer e vai estar à espera daquela tecnologia, porque já a viu, já a testou, já sabe que existe. Mas a BYD já está nestas áreas. Aqui, ainda temos uma visão muito pequena do que é que isto à data representa, no entanto, será uma realidade em breve. Há já IA na in-tegração e na conectividade com as viaturas; e há condução autónoma, que tem vários níveis, de um a cinco. Não há nenhuma marca com o nível cinco de tecnologia. Existem algumas aqui posicionadas no quatro e algumas no três, sendo que as principais são marcas chinesas, das quais nunca ouvimos falar sequer. A BYD será uma destas marcas também e, em breve, haverá desenvolvimentos a esse nível também. Assim que a legislação europeia/portuguesa o permita, teremos isto nas estradas e n0 nosso quotidiano. Quais são os objetivos estratégicos, a curto e médio prazo, para Portugal? As diretrizes europeias, onde se insere Portugal, passam por acelerar a mobilidade elétrica. Para isso, vamos trazer novas viaturas temos 12 modelos 110 mercado das duas tecnologias que falei: 100 % elétricos e híbridos plug-in. Entendemos que estes últimos são necessários ainda para a transição para a neutralidade carbónica. O outro objetivo é termos o tal ecossistema da mobilidade na perspetiva dos carregadores fast charger, OL seja, conseguirmos ter o equivalente a 400 quilómetros carregados em cinco minutos, que é mais o1 menos o mesmo que num carro a combustão. A partir dai, esvai-se toda a desvantagem e ansiedade que alguns podem ter a conduzir um elétrico, devido ao tempo que demora a carregar e à durabilidade em termos de autonomia que, hoje em dia, já são mitos porque as autonomias aumentaram, as velocidades de carregamento aumentaram e a disseminação dos postos também aumentou. Tudo isto está muito melhor, mas vai ficar muito melhor ainda. Outra componente que a marca tem na China e que quer trazer para outras geografias é a parte dos acumuladores e dos painéis fotovol-taicos. As viaturas podem e devem fazer parte deste mesmo ecossistema, levando as suas baterias a disponibilizar energia para a casa OLI até para a própria rede, resultando em beneficios e retorno também para o utilizador. Uma das versões de todos os nossos modelos tem já a funcionalidade Vehicle-to-Load (V2L), que é uma tomada, que disponibiliza 220 volts de energia, onde é possível ligar um eletrodoméstico, por exemplo. Chief Operating Officer Em 2008, houve outro marco muito importante, que foi o lançamento do primeiro PHEV [Plug-in Hybrid Electric Vehicle] uma produção em massa mundial SOMOS A MARCA OUE MAIS CRESCE NO MERCADO NACIONAL ACIMA DOS 120 % PORTANTO, CONTINUAMOS EM LINHA COM O CRESCIMENTO AVASSALADOR OUE A PRoPRIA MARCA TEM A NIVEL MUNDIAL Como costumamos dizer, SO OS pneus e os vidros é que não SAO BYD, porque tudo o resto é fabrico inhouse, com propriedade intelectual registada/patenteada BYD ATUALMENTE, TEM CERCA DE UM MILHAO DE COLABORADORES E 10 % DESSA MASSA e R&D IINVESTIGAçAO & DESENVOLVIMENTO) OU SEJA, 100 MIL PESSOAS TRABALHAM NA AREA DE DESENVOLVIMENTO A BYD foi pioneira, a nível mundial, a apresentar o carregador de um megawatt dle velocidade, potência, carregamento. Neste momento, já existem na China e vêm para a Europa SAO 23 PONTOS DE VENDA EM PORTUGAL, COM PôS-VENDA, EQUIPAS TECNICAS QUALIFICADAS, FORMAçAO E KNOW-HOW PARA DAR ASSISTENCIA Em Portugal, depois de se ler todo O ADN da BYD perceber quais eram as diretrizes principais, traçouse uma linha de comunicação de posicionamento de marca eím linha coim isso, mas adaptada ao nosso mercado Carolina Neves