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PEDRO FARIA: "HOJE, COMPRAMOS CARROS ELÉTRICOS PELA POUPANÇA, NÃO PELA TECNOLOGIA"

Deco Proteste Online

2025-11-28 22:04:14

A poupança e a eficiência estão no centro da decisão do carro elétrico. "O híbrido plug-in junta o pior de dois mundos: pouca autonomia e mais visitas à oficina", alerta Pedro Faria, presidente da UVE, que defende a transição total para o automóvel elétrico O que podemos esperar do novo regime da mobilidade elétrica? No modelo antigo, o utilizador fazia um contrato com um comercializador de eletricidade, que definia o preço da energia. Com o contrato recebia um cartão ou uma app e podia carregar em qualquer posto. A entidade centralizadora, a Mobi.E, fazia toda a compensação entre comercializadores e operadores. Depois, no posto, havia o custo da utilização, anunciado de forma pouco clara: "20 cêntimos/kWh, mais 2 cêntimos por minuto, mais tarifa de ativação." O utilizador não percebia o custo final. A fatura era um somatório: eletricidade do comercializador, tarifa de acesso às redes de mobilidade, custo do posto, taxa da Mobi.E e impostos. Este modelo, contudo, permitia associar o carregador doméstico ao mesmo cartão, facilitando a gestão para empresas com frotas. O novo regime acaba com o comercializador dedicado à mobilidade elétrica e com a gestão centralizada. Passa a haver uma relação direta com cada operador. Se quiser carregar na EDP, faço contrato com a EDP, recebo cartão ou app e carrego apenas nos postos dessa empresa. Se quiser usar outro operador, como a Galp, tenho de repetir tudo. Isto significa contratos separados com cada operador da rede. Para agregar redes, o novo modelo cria o prestador de serviços da mobilidade elétrica, que pode ter acordos com vários operadores. E pode existir um agregador de redes que unifique tudo. O utilizador contrata o prestador de serviços, que contrata o agregador, que contrata os operadores. Mas isto acrescenta duas novas taxas (a do agregador e a do prestador) à eletricidade, às tarifas de acesso, ao custo do posto e aos impostos. O utilizador só verá o preço final, mas a estrutura de custos continua complexa. Há três pontos importantes. Primeiro: desaparece a taxa da entidade gestora da mobilidade elétrica. Segundo: poderíamos pensar que vai ficar mais barato, mas é previsível que fique mais caro. Para fidelizar clientes, os operadores vão usar preços diferenciados: "50 cêntimos para quem não for subscritor; 25 para quem subscrever." Isto força o utilizador a ter fidelizações mensais. O novo regulamento tem aspetos muito positivos: cria coimas para quem não instalar TPA e obriga ao retrofit do TPA em todos os postos até 31 de dezembro de 2026, e não apenas nos de 50 kW nas autoestradas principais. As datas são claras: o regime entrou em vigor a 19 de agosto; até 17 de dezembro deve estar regulamentado; e o período transitório termina a 31 de dezembro de 2026. O período de transição deveria durar enquanto houver utilizadores no modelo antigo. Queremos o maior número possível de soluções para o utilizador. Nos standes há mais informação? Os vendedores sabem mais sobre a oferta de carros elétricos? Evoluiu muito. Antigamente, quando alguém chegava ao concessionário para comprar um elétrico, a probabilidade era 50-50 de sair lá com um carro elétrico ou a combustão. Hoje, não é assim. As marcas têm objetivos e querem evitar multas. O vendedor tem mais informação, e vemos essa preocupação. Os vendedores têm um conhecimento grande do que estão a vender, mas continuam a não passar informações sobre manutenção. Algumas marcas praticam custos exorbitantes para trocar escovas de limpa para-brisas e líquidos. O que falta fazer em Portugal? Carregadores. Um utilizador vai de carro de combustão, estaciona na área de serviço da A1 e vê uma fila, em algumas alturas do ano, de quatro carros à espera para carregar. Perdemos essa pessoa do veículo de combustão. Não muda para a mobilidade elétrica enquanto se lembrar daquilo. Independentemente de saber que meio quilómetro à frente tem outro carregador. Depois temos de conseguir, com a concorrência, baixar o preço na rede pública. É fundamental. Temos de trabalhar nisso, e só com mais postos e mais concorrência é que vai acontecer. E depois há um fator de instabilidade política. A mudança de regime cria incerteza. O modelo foi alterado, temos o processo a decorrer. As empresas instalaram milhares de carregadores em casa dos colaboradores a quem dão um cartão e carregam com o custo para a empresa. Mas enquanto se encontram e não se encontram as soluções, para as empresas, é dramático. Publicado a 28 novembro 2025