FERRARI ELLETRICA - O PROMETIDO!...
2025-11-28 22:04:39

A Ferrari nunca recusou um automóvel elétrico, mas sempre disse que o faria só quando a tecnologia disponível permitisse que o resultado estivesse ao nível dos padrões que impõe a si própria, e daquilo que os seus clientes esperam. ? esse tempo chegou: o carro conhecido internamente pelo nome de código Elletrica será lançado na primavera de 2026, e as principais características técnicas até já são conhecidas... Quando o tema são a Ferrari, as suas atividades comerciais ou desportivas e os seus carros destinados a uma utilização em estrada, tantas vezes, a questão nem é tanto saber se as suas propostas são melhores ou piores do que as concorrentes, mas entender uma postura singular, que Ihe confere uma aura, inequivocamente, “diferente” (os resultados, esses, é que podem variar...). Só para citar um exemplo recente, se a maioria dos “comuns mortais” tenderá a considerar o Purosangue um Sport Utility Vehicle (SUV), a marca de Maranello continua a rejeitar essa classificação para o seu automóvel mais familiar (e polivalente) de sempre, preferindo considerá-lo como algo à parte de tudo o resto. Chegado o tempo em que a eletrificação “total e absoluta” do setor automóvel passou a estar na ordem do dia, e a ser prioridade (pelo menos para as autoridades europeias), após já ter aderido à hibridização, e, mesmo, à tecnologia híbrida Plug-In (se bem que daquela forma tão pe-culiar, comum à grande maioria dos fabricantes de superdesportivos, em que a vertente elétrica serve mais como argumento de Marketing, e como vantagem técnica para alcançar valores extraordinários de potência e binário, do que para garantir longos períodos de condução sem emissões de poluentes), a marca do “cavallino rampante” voltou a assumir uma posição muito diferenciada e diferenciadora. Não rejeitando, em absoluto, a solução, e garantindo que os poderosos motores de combustão, mais ou menos eletrificados, continuarão a constituir o núcleo da sua oferta, sempre foi adiantando que estava atenta ao fenómeno, e que, quando a tecnologia o permitisse, também teria algo a dizer. Por outras palavras, que só lançaria um automóvel 100% elétrico quando a tecnologia disponível lhe permitisse criar algo digno dos seus pergaminhos. Momento histórico Perante isto, não foi sem algum espanto que o mundo assistiu à revelação do projeto Elletrica, o nome de código interno dado pela Ferrari ao seu primeiro automóvel elétrico de produção em série, com lançamento marcado para a próxima primavera, altura em que será desvendado na totalidade, assim como a sua designação comercial mas com o fabricante transalpino, de caminho, a fazer saber que já no início de 2026 dará a conhecer a versão definitiva do interior. Ora, para uma marca tão conservadora em determinadas matérias, há que reconhecer que a Ferrari, desta feita, foi tão quase veloz quanto os seus automóveis, batendo toda a concorrência, nomeadamente a arquirrival Lamborghini... Ainda que, de caminho, tenha, de algum modo, “levantado o pé”, insinuando que uma segunda proposta deste género pode não estar para tão breve quanto tinha planeado mas isso serão contas de outro rosário. E em que, consiste, então o Elletrica? ê “tão-só” aquilo que o construtor italiano define como toda a componente técnica do seu futuro modelo 100% elétrico, à exceção da carroçaria e do interior. Confiante no resultado alcançado, nem sequer se coibiu de anunciar em detalhe todos os seus componentes e especificações, e, até, valores relativos a rendimento, prestações e autonomia, entre outros. Segundo a Ferrari, tudo resulta de uma abordagem radicalmente nova e inovadora, que visa combinar tecnologia de ponta, “performances” de exceção, e o prazer de condução que distingue os carros que produz. Todos os componentes fundamentais foram concebidos e desenvolvidos, e serão produzidos, pela própria marca, que tem vindo a consolidar os seus conhecimentos nesta matéria tanto na Fórmula 1, já que desde 20194que os monolugares utilizam tecnologia híbrida, como nos modelos de produção em série (La Ferrari, SF90 Stradale , o primeiro híbrido Plug-In =, 296 GTB e 849 Testarossa). E o Elletrica promete, mesmo, ser algo de muito especial: pronto a entrar em produção, o projeto conta com mais de seis dezenas de soluções técnicas patenteadas, e, pela primeira vez, chassis e carroçaria são construídos em 75% a partir de alumínio reciclado. Como o demonstram as primeiras imagens reveladas, o Elettrica contará com projeções curtas, e uma distância entre eixos relativamente (2,960 m, o suficiente para acomodar quatro indivíduos a bordo, e oferecer quatro portas), disporá de uma posição de condução próxima do eixo dianteiro (como num modelo com motor central, mas com um acesso digno de um GT), e a bateria estará totalmente integrada sob o piso da plataforma, entre os eiXOS 85% dos módulos concentrados na posição mais baixa possivel, para beneficiar o centro de gravidade (é 80 mm mais baixo do que em modelo equivalente com motor de combustão interna), e otimizar a dinâmica. Na traseira pode ser encontrado o primeiro subchassis separado da própria estrutura na história da Ferrari, cuja função é reduzir o ruído e as vibrações no habitáculo, e assegurar os níveis de rigidez e agilidade exigidos num automóvel deste calibre, minimizando os impactos negativos associados ao peso elevado da bateria (cerca de 2300 kg no total, repartidos numa proporção 47%-53% pelos eixos dianteiro e traseiro). O sistema de propulsão é composto por quatro motores elétricos (dois por eixo) com tecnologia oriunda da F1, com uma densidade de potência de 3,23 kW/ kg na frente (total de 210 kW/285 Cv 300 kW/408 CV, no inversor), e de 4,8 kW/ kg atrás (total de 620 kW/843 CV = mais de 600 kW/815 CV, no inversor), em ambos os casos com 93% de eficiência no regime de potência máxima, para uma potência combinada superior a 1000 cv no modo "boost", o suficiente para garantir uma velocidade máxima superior a 325 km/h e uma aceleração 0-100 km/h em 2,5 S. A bateria a 800 v, também concebida e montada pela própria Ferrari, tem 15 módulos de 14 células, alcança uma densidade energética recorde de quase 195 Wh/kg, conta com um sistema de arrefecimento concebido para otimizar a distribuição do calor e a “performance”, oferece uma capacidade utilizável de 122 kWh, pode receber carga rápida até 350 kW, e assegura uma autonomia de mais de 530 km. Dinâmica à altura Por seu turno, a terceira geração da suspensão ativa a 48 v (estreada no Purosange, e aplicada, numa versão já mais evoluída, no F80) promete garantir conforto, controlo dos movimentos da carroçaria, e uma extrema eficácia, ao distribuir, de forma otimizada pelas quatro rodas, todas as forças geradas em curva, graças à sua capacidade para se ajustar 200 vezes por segundo, e para gerir de forma independente as forças verticais, laterais e longitudinais. Quanto aos três modos de condução disponíveis (Range, Tour e Performance), determinam como são geridas a energia, a potência disponível, e a tração =, com as patilhas no volante a garantirem o acesso progressivo a cinco diferentes níveis de entrega de potência e binário, para uma sensação gradual de aceleração e envolvimento ao volante. De referir que, apesar de os dois eixos elétricos garantirem ao Elettrica a tração integral, o dianteiro pode ser totalmente desacoplado e a qualquer velocidade, no modo de condução destinado a autoestrada (nas outras duas posições do eManettino, colocado do lado esquerdo do volante, é sempre um 4x4), para transformá-lo num carro apenas com tração traseira (até 3500 Nm só no eixo posterior!), ao mesmo tempo reduzindo o consumo, e melhorando a autonomia. Refira-se, a propósito, que no lado oposto está o conhecido Manetinno, que permite fazer variar a intervenção dos controlos de tração e estabilidade, sendo possível desligá-los por completo. E como um Ferrari dificilmente seria um Ferrari sem uma banda sonora a condizer, ao invés de replicar artificialmente a sonoridade de um motor térmico, a Ferrari optou por destacar os atributos únicos da propulsão elétrica. Por isso, o som do Elettrica não é gerado digitalmente, antes será uma expressão direta e autêntica de seus componentes: um sensor de alta precisão, instalado no eixo traseiro, capta as frequências da cadeia cinemática, depois amplificadas e projetadas como numa guitarra elétrica. Resultado? Segundo a marca, uma “voz” autêntica e exclusiva do motor elétrico, que, no entanto, só se faz ouvir quando o funcionalmente é útil, por dar feedback ao condutor”. A cumprir-se tudo o prometido, será caso para dizer: bem-vinda, Ferrari, ao mundo da eletrificação, que, daqui em diante, pode bem nunca mais ser o mesmo! António de Sousa Pereira