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ENTREVISTA A ANTÓNIO OLIVEIRA MARTINS, DIRETOR-GERAL DA AYVENS, CONSIDERA - RENTING FACILITA A TRANSIÇÃO PARA UMA MOBILIDADE ELÉTRICA E SUSTENTÁVEL

Vida Económica

2025-11-28 22:05:00

Em entrevista à “Vida Económica", António Oliveira Martins, diretor-geral da Ayvens, garante que o renting ganha força num cenário de inflação e incerteza, assume o risco da transição para o elétrico, apoia as metas de sustentabilidade das empresas, chega cada vez mais aos particulares e prepara o setor para um futuro de mobilidade por subscrição, com foco na conveniência e no carregamento. virgilo Vida Económica = Apesar da inflação e da incerteza, o renting continua a crescer. O que está a impulsionar esta procura e como é que a Ayvens tem ajustado a sua oferta? António Oliveira Martins = A sua pergunta quase contém a resposta. é precisamente este contexto de incerteza, inflação e disrupção no mercado automóvel que coloca o renting ainda mais na agenda de quem procura uma solução para uma frota ou para um veículo. Os múltiplos riscos associados a esta transformação = sejam eles tecnológicos, económicos ou de desvalorização = são, em grande medida, transferidos para a locadora através do renting, em alternativa à compra ou ao leasing tradicional. Isso cria um contexto muito favorável ao crescimento do renting. VE Do que acabou de referir, há algum exemplo recente em que a Ayvens tenha ajustado a sua oferta? AOM = Uma das questões em que sentimos que era preciso investir, envolvendo todos os intervenientes, foi na credibilização do veículo elétrico usado. Muito recentemente lançámos uma iniciativa precisamente com esse objetivo: para cada veículo elétrico que vendemos no mercado de usados, no fnal do contrato de renting, passámos a juntar à inspeção que já fazíamos (danos e estado geral do carro) um certificado do estado da bateria. VE = Quando falamos de crescimento do renting, pensamos muitas vezes em empresas. Do lado dos particulares, nota que há cada vez mais pessoas a aderir? Que perfil está a aderir a este modelo? AOM ~ No cliente particular, acima de determinado valor de renda, o mercado retrai-se muito. Agora que houve uma normalização dos descontos e que as marcas estão a investir para acelerar a eletrificação, voltámos a ter ofertas para particulares abaixo daquela barreira de preço a partir da qual deixa de haver apetite. E, quando isso acontece, sentimos novamente a procura. é fundamental, no entanto, que a oferta seja competitiva para que o renting entre verdadeiramente na equação de escolha do cliente particular. Se a renda ficar acima de certos limiares, verificamos uma retração enorme da procura. Hoje sabemos, por tipo de veículo, quais são esses limites. Nessa fase, a única forma de chegarmos ao cliente particular foi adaptarmo-nos e lançarmos também ofertas de renting de usados. VE A eletrificação é inevitável, mas ainda há travões à adoção dos carros elétricos. O maior obstáculo continua a ser o preço, a autonomia, a fiscalidade ou a rede de carregamento? AOM = Em abono da verdade, para as empresas a fiscalidade não é um obstáculo = pelo contrário, é bastante amiga da transição. Para particulares, praticamente não há incentivos, mas para empresas a fiscalidade é um forte argumento a favor do elétrico. Na minha opinião, o grande tema tem mais a ver com as diferenças de experiência entre abastecer um carro a combustão e carregar um carro elétrico, e a ansiedade que isso gera. Do ponto de vista económico, não há razão para não o fazer. Todos os anos realizamos um estudo de custo total de utilização e, quando consideramos não só a renda de renting, mas também o custo da energia/combustível e a carga fscal, para empresas a solução mais económica, na maioria dos segmentos e utilizações, já é o elétrico. VE = Cada vez mais empresas têm metas de sustentabilidade para cumprir. O renting pode ser uma ferramenta útil para atingir esses objetivos? Que soluções concretas a Ayvens já disponibiliza? AOM = Se o caminho defnido for o de tornar a frota mais sustentável, podemos apoiar diretamente essa transição colocando à disposição ofertas de renting de veículos de baixas emissões que sejam economicamente interessantes e viáveis para o cliente. Há ainda um aspeto muito importante: o grande desafio dos valores residuais dos veículos elétricos.com uma evolução tecnológica tão rápida, um elétrico com quatro ou cinco anos pode estar relativamente obsoleto. Esse risco de obsolescência é assumido, em grande parte, pelas empresas de renting por conta dos seus clientes. Logo aí temos um papel essencial na viabilização da transição. Em resumo: assumimos riscos relevantes pelos clientes e disponibilizamos ferramentas de reporting robustas, que lhes permitem recolher a informação necessária, cumprir as obrigações de transparência e mostrar à sociedade que estão a caminhar no sentido de cumprir as metas de sustentabilidade. Dinamismo no mercado de usados VE , o mercado está a mudar rapidamente, com novas formas de mobilidade. O renting tradicional vai transformar-se? Como imagina a Ayvens e o setor daqui a cinco anos? AOM = Acredito que o conceito de carro pOr subscrição será o futuro. E O renting é, hoje, a forma mais próxima que existe desse modelo de subscrição, com sustentabilidade económica. Olho para daqui a cinco anos e imagino frotas muito próximas da eletrificação total = seja com carros 100% elétricos, seja com uma componente híbrida muito superior à atual. Vejo também uma grande evolução na diversidade de oferta, na velocidade de carregamento e nas autonomias, permitindo que praticamente qualquer pessoa possa, se assim o quiser, ter condições para utilizar um elétrico. Do lado do mercado, será essencial termos um mercado de usados dinâmico, transparente e com uma oferta substancial de veículos elétricos, para escoar os carros que saem dos contratos de renting em condições económicas equilibradas. O renting tem uma enorme capacidade de adaptação: transforma estes veículos numa espécie de subscrição, numa renda fixa que cobre todos os serviços e a desvalorização do automóvel. Quanto à partilha, sou mais cético, pelo menos com os modelos atuais. Acredito na partilha sobretudo se falarmos de veículos autónomos. De resto, temos visto vários projetos de carsharing que não foram sustentáveis e acabaram POr desaparecer. A conetividade, essa sim, vai crescer cada vez mais: o pós-venda, a experiência de utilização, tudo se aproxima de uma lógica de “app”, com atualizações e melhorias contínuas. A relação da Ayvens com fabricantes e com a rede de pós-venda também será impactada por isso. VE = Podemos então concluir que as frotas caminham para a eletrificação total e que o renting pode ser a alavanca dessa transformação? AOM Eu diria que o renting é, sobretudo, um grande facilitador dessa transformação. Não sei se “alavanca” é a palavra certa, porque isso implicaria que estamos a acelerar a velocidade a que tudo acontece. E penso que essa velocidade depende muito das condições específicas de cada cliente para dar esse passo. Agora, que temos um papel de facilitação muito importante = assumindo riscos, desenhando soluções economicamente viáveis e ajudando as empresas a gerir esta transição | , disso não tenho dúvidas. Ayvens reforça confiança no veículo elétrico usado com certificação da bateria Particulares voltam a aderir ao renting graças a ofertas mais competitivas "Acredito que o conceito de carro por subscrição será o futuro. E o renting é, hoje, a forma mais próxima que existe desse modelo de subscrição, com sustentabilidade económica" afirma António Oliveira Martins. VIRGÍLIO FERREIRA