“URGÊNCIA” É A CONDIÇÃO NECESSÁRIA PARA O DESENVOLVIMENTO DAS RENOVÁVEIS
2025-11-28 22:05:00

Energia Portugal pode ter um papel relevante nas energias renováveis, porque beneficia de condições ímpares, mas tem de acelerar. rsferreira@medianove.com Portugal tem condições para liderar a Europa no esforço de descarbonização e transição verde, dado o trabalho que tem sido feito nos últimos anos, os recursos naturais à disposição e uma consciencialização da sociedade civil para a importância desta agenda. Isto foi o que defendeu Nelson Lage, presidente da ADENE , Agência para a Energia, no arranque da conferência “Revolução Energética em Curso”, promovida pelo Jornal Económico. Isto é verdade, mas durante as várias intervenções ônos painéis que se seguiram, feitas por protagonistas do ecossistema da energia, ficou claro a existência de condições é condição necessário, mas não suficiente. e necessário concretizar, decidir, avançar. “e preciso urgên-cia”, sintetizou o ex-secretário de Estado João Galamba, mais tarde, no encerramento dos trabalhos. Apesar de Portugal já ter uma produção hidroelétrica que em 2023 representou 27% do total da eletricidade produzida, o setor acredita que o país tem capacidade para aumentar ainda mais o seu potencial, mas cabe ao Governo dar esse passo. "Portugal tem condições para armazenar mais energia hidroelétrica, mas estamos num momento em que O Estado português tem de decidir se quer ou não este armazenamento. Ou se ficamos no curto prazo só com as baterias”, afirmou David Rivera, country manager da Iberdrola em Portugal, no painel dedicado ao tema, Distribuição, redes e armazenamento: a revolução invisível. Um exemplo concreto: o projeto Tâmega da Iberdrola, que representa um investimento de cerca de 1,5 mil milhões de euros, que engloba as barragens do Alto Tâmega, Daivões e Gouvães e demonstra que o país pode medir forças com os mercados internacionais. “o Tâmega está a prestar um grande serviço ao sistema elétrico português. As energias renováveis têm um valor económico e estão a permitir a Portugal ser competitivo”, referiu. Agora, “é preciso criar as ferramentas que permitam uma previsibilidade de investimento”, diz. “Estamos a ver uma revolução no mercado. e preciso retribuir para que as renováveis possam ter um preço mais competitivo possível. Todas as tecnologias têm de colaborar”, acrescenta David Rivera. Processo e previsibilidade Carlos Ferraz, CEO da Atlante Portugal, também apontou a questão de previsibilidade. “Continuamos a demorar muito tempo nos processos burocráticos. e essencial que sejam céleres e vão de encontro às necessidades do mercado”, afirmou. Com sede em Itália e presente em Portugal desde 2023, a Atlante destaca-se pelo carregamento rápido e ultrarrápido de automóveis alimentada a 100% por energias renováveis. “Tem sido até ao dia de hoje uma boa aposta”, diz. “o mercado português está muito evoluído em relação aos países do sul da Europa, em postos de carregamento rápido e ultrarrápido”, acrescentou, apontando, no entanto, a questão a previsibilidade como um constrangimento. “Estamos à espera da regulamentação da mobilidade elétrica. Aguardamos as novas regras até ao final do ano. Vemos com alguma preocupação a falta de estabilida-de e previsibilidade que é muito importante quando falamos de investimento num mercado recente, que ainda não é maduro”, afirmou Carlos Ferraz. Então, como se aceleram processos para aproveitar as oportunidades? Mais do que leis novas ou regulamentos, o país necessita sobretudo de “urgência” para conseguir maior eficiência e autonomia energética, sob pena de deixar fugir as vantagens comparativas que tem de momento ou ver agravar algumas dinâmicas menos favoráveis, defende João Galamba. O essencial é Portugal “consciencializar-se da urgência” necessária em vários capítulos da política pública, incluindo o energético, reforçou. Rivera também abordou este tema, dizendo que é preciso maior rapidez até para responder ao que faz Espanha.com a interligação das duas redes, temos de estugar o passo para não ficarmos irremediavelmente para trás no solar, principalmente, e na energia eólica. Ferraz apontou a oportunidade na sua área do carregamento para carros elétricos, em que em Espanha os números são completamente díspares naquilo que é o modelo de negócio da empresa em Portugal. “Nos carros elétricos temos mais de 20% de ligeiros novos, em Espanha anda nos 12%. Claro que as empresas tendem a investir onde há este tipo de mercados”, referiu. Na prática, esta necessidade de urgência e ação “traduz-se numa necessidade de clarividência das várias autoridades”, diz Galamba, hoje em dia consultor, que defendeu a necessidade de “coordena-ção entre política energética e económica” e a gestão de rede, um aspeto “cada vez mais importante”. E deixou reparos, a título de exemplo, à postura do presidente da Agência Portuguesa do Ambiente, que, apesar de “desenhar e definir um leilão internacional”, veio a público criticar o promotor num “momento verdadeiramente embaraçoso” para o país. Também O õnstituto da Conservação da Natureza e das Florestas Ou, até, o Ministério Público, que intervêm nos processos. “E uma tragédia para o país e um milagre as pessoas quererem continuar a investir no país apesar disto”, completou João Galamba. "Portugal conseguiu ganhar a confiança de muitos investidores para trazerem o seu investimento. Essa confiança demora muito tempo a ser ganha, mas facilmente se perde”, alertou David Rivera. João Macedo, Pedro Amaral Jorge e Nuno Ribeiro da Silva David Rivera, country manager da Iberdrola em Portugal, e Carlos Ferraz, CEO da Atlante Portugal Assista ao programa no seu smartphone através deste QR Code ou em www.jornaleconomico.pt Prio abasteceu 50 navios e evitou emissão de quatro mil toneladas de CO2 Portugal é um país de mar e um hub sustentável que, de acordo com Telmo Ferreira, responsável Marítimo e de Novos Mercados da Prio, permite aos navios que por cá passam a garantia de metas de sustentabilidade com a utilização de combustíveis mais amigos do ambiente. O caminho dos combustíveis ecológicos da Prio “tem sido feito com muitos parceiros estratégicos, como a Delta, Carris, Portway e Força Aérea”, sendo que o operador alargou o seu caminho para atividades portuárias, percebendo que o sector marítimo “tem urgência na redução dos combustíveis fósseis”. Para chegar aos objetivos colocados pela UE, Telmo Ferreira salientou que “vamos precisar de todas as energias mas acreditamos que as bioenergias são uma aposta do presente para o sector marítimo”. Nessa vertente, a Prio tem operações em curso no Porto de Leixões e também em Lisboa. “Em 2025, abastecemos mais de 50 navios e evitamos quatro mil toneladas de co2 neste ano”, revelou o responsável. Nelson Lage diz que a principal lacuna nacional é “um défice de talento verde” Telmo Ferreira, responsável Marítimo e de Novos Mercados da Prio Armando Santos, head of energy da Quadrante; Débora Melo Fernandes, sócia da Perez-Llorca; e Nuno Santos, presidente da APIGCEE Ricardo Santos Ferreira; João Barros; Rodolfo Alexandre Reis