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ELECTRIC SUMMIT ENERGY FOR LIFE

Negócios

2025-11-28 22:05:01

A revolução elétrica já chegou A mobilidade elétrica já não é uma questão de “se”, mas de “quão rápido” irá dominar o mercado automóvel. Esta é a conclusão de Bjõrn Schaubel, partner da EY Parthenon, que apresentou dados sobre a evolução tecnológica e a adoção de veículos elétricos na 4.a edição da Electric Summit. Em 2019, apenas 2,3% dos veículos novos vendidos na Europa eram elétriCOS. Atualmente, o continente regista 18% de quotade mercado, mas Portugal supera esta média. Emjaneirode 2024, os veículos elétricos representaram 22,5% das vendas nacionais, chegando aos 26% emo outubro. “Estão asuperara Europa, parabéns”, destacou Bjõrn Schaubel, partner da EY Parthenon e responsável pela ademobilidade na Alemanhae Europa Ocidental, na 4. a ediçãodo Electric Summit, uma riniciativado Negócios que contacomo apoiod da Galp e da Siemens, a EY como knowledge partner e Oeiras como município anfitrião. A nível europet, a evolução tem sido consistente. “Começámos em 2019 com 2,3% de novos veículos que eram elétricos a bateria. Agora, já estamosnos 18%”, ,explica o responsável da EY, projetando que “em 2030, 58% dos novos veículos serão elétricos abateria”. Bjõrn Schaubel desmonta os mitos que ainda rodeiam a mobilidade elétrica. Sobre adurabilidade das baterias, é categórico. “No início, toda a gente falavaque as baterias só durariam cinco, seis anos, e perderiam eficiência. Já não é o caso. Estamos a falar de baterias que fizeram500, 600 mil quilómetrose e ainda têm uma eficiência acima de 80%, quase 90% às vezes”. A autonomia também deixou deser problema para uso quotidiano. “Hoje temos em média quase 400 quilómetros nos modelos atuais do mercado”, ,refere. “Paraa condução diária, não é problema nenhum. Emmédia, pelo menosn na Alemanha, SàO cerca de 30 a 40 quilómetros quer eseconduzcomum carro. Se dividiro os 400 por 40, ainda posso conduzir 10 dias seguidos semcarregar.” Em 2030, espera-se uma autonomia média de 450 quilómetros, commodelos quie chegarão aos 900 quilómetros. Condução autónoma A análise de 120 modelos pela EY revela que a diferença de preço atualentre veículos elétricos e convencionais é de “mais ou menos 25%", ,mas Bjõrn Schaubel antecipamudanças rápidas. “Esta semana, já vemos veículos elétricos de fabricantes europeus onde oferecem o veículo elétrico e o veículo a combustãor comparável ao mesmo preço”. Sobre o custo total de propriedade, destaca a vantagem de Portugal face à Alemanha. “Aprendi aqui que em Portugal são 10 cêntimos à noite. Na Alemanha pagamos acima de 30 cêntimos por quilowatt em casa. Em países onde os custos de energia são muito mais baixos, a paridade do custo total de propriedade chega mais depressa”. Uma das inovações mais promissoras é o carregamento bidirecional, quepermite aos veículos devolverem energia à rede elétrica. “A partirde 2026-2027, cada avezr mais modelos virão para o mercado já capazes de oferecer carregamento veículo-para-rede” anuncia Bjõrn Schaubel. “Não só poupamos dinheiro quando carregamos em períodos de baixa, podemos também ganhar dinheiro com este carro, porque carregamos quando o preçoe baixo edevolvemos a0 sistema, àrede, aenergiap por um preçomais alto.” A escala será significativa e “em 2030, já veremos 70 milhões de carros na rua na Europa com esta capacidade”. A condução autónomajã realidade em cidades como São Francisco, ondeos robotáxis da Waymo fazem “150mil viagens comerciais por semana”. As implicações são transformadoras, as frotas autónomas podem operar 20 horas por dia, otimizando o carregamento e a gestão energética, o custo por quilómetro dos robotáxis já compete com os táxis convencionais e tende a baixar, e isto pode reduzir drasticamente a necessidade de propriedade de veículos, libertando »espaço urbano atualmenteocupado por estacionamento. “A mobilidade do futuro será, sem dúvida, eletrizante!”, concluiu Bjõrn Schaubel. “Não descarbonizamos a economia só com a mobilidade elétrica” Miguel Pinto Luz, ministro das Infraestruturas e Habitação, defendeu uma visão integrada e não dogmática da transição com foco na economia real. “é preciso juntarmos os vários stakeholders, o Estado, os privados, os reguladores, os reguladores operacionais, as empresas, para poderem discutir estes temas de forma séria, transparente, aberta, e não dogmática. Mais do que estarmos preparados, temos de agir”, afirmou Miguel Pinto Luz, ministro das Infraestruturas e Habitação, na abertura da 4.8 edição do Electric Summit, uma iniciativa do Negócios que conta com o apoio da Galp e da Siemens, e tem a EY como knowledge partner e Oeiras como município anfitrião. “Este Governo não tem só pressa, tem pressa de agir bem. E não me canso de dizer isto, porque agir à pressa e mal seria prejudicial para o país”, considerou Miguel Pinto Luz, que defendeu uma abordagem não dogmáticaà à descarbonização da mobilidade, alertando que a transição não se faz apenas com veículos elétricos. “Ainda temos muitos autocarros Euro 5 a circular pelas nossas ruas”, afirmou. O ministro argumentou que a substituição de veículos antigos por modelos mais recentes, mesmo que ainda a diesel, representa um passo importante na descarbonização. “Se trocarmos um veículo Euro 5 por um Euro 6, estamos a descarbonizar. Continuamos a poluir, mas estamos a descarbonizar em relação ao que tínhamos anteriormente”. Alta velocidade e aviação sustentável O ministro salientou ainda aspetos frequentemente esquecidos na discussão sobre sustentabilidade. “A dimensão do Euro 6e traz-nos dimensões como o desgaste dos pneus, o desgaste das pastilhas de travão. Toda a dimensão de sustentabilidade que está à volta de um autocarro não se cinge à sua motorização. Não podemos esquecê-las, porque até na mobilidade elétrica estamos a po-luir”, disse Miguel Pinto Luz. Revelou que O Governo investiu mais de 300 milhões de euros no ano passado para a aquisição de mais de 800 autocarros elétricos, uma transformação que já é visível nas áreas metropolitanas de Lisboa e Porto e nos quatro cantos do território. Miguel Pinto Luz reafirmou os compromissos para a alta velocidade ferroviária, 1h15 para o Porto até 2032 e três horas para Madrid até 2034, classificando,a como uma aposta com impacto direto na descarbonização. "é um esforço grande de descarbo-nização do lado a amontante do setor da aviação, já que temos 40 movimentos por dia Lisboa-Porto e 20 movimentos por dia Lisboa Madrid”, considerou Miguel Pinto Luz. Destacou ainda o trabalho da Aliança para a Sustentabilidade na Aviação e a preparação do novo aeroporto Luís Vaz de Camões, que será o primeiro aeroporto greenfield em décadas na Europa. “o greenfield em aeroportos é algo muito difícil de se fazer. Mas estamos a prepará-lo precisamente para esta dimensão da sustentabilidade”. “Servir a economia real é servir os nossos concidadãos. é isso que temos que ter em mente, porque a economia real gera riqueza, queo é distribuída pelos nossos concidadãos e é para eles que fazemos políticas públicas todos os dias”, considerou Miguel Pinto Luz sobre o propósito final das políticas de mobilidade sustentável. Alertou ainda para os riscos de políticas ineficientes. “Temos que ser eficientes, sob pena de criar tensões sociais que serão irreversíveis e o deslaçar de um tecido e de umprojeto de sociedade que a Europa criou há 60 anos”. A UE é o rei vai nu e vai ficar muito mais fraca” Wolfgang Münchau traçou um retrato implacável da fragilidade europeia e alerta para a paralisia que se avizinha com a ascensão da extrema-direita. “Temos de reconhecer que o rei, a União Europeia (UE), está nu. Está muito fracae e, provavelmente, vai ficar ainda muito mais fraca”, afirmou Wolfgang Múnchau, economista e analista europeul, que recentemente publicou o liVTO “Kaput o fim do milagre alemão”. Nos seuentender, a questão central não passa só por reconhecer esta fragilidade. “Como indivíduos, a nossa escolha pode ser pensar sobre isto como algo derrotista, onde basicamente aceitamos que isto aconteça, OL olharmos para isto como uma oportunidade de mudança”, assumiu Wolfgang Múnchau, na intervenção que fez no Electric Summit, uma iniciativa do Negócios que conta com o apoio da Galp e da Siemens, e tem a EY como knowledge partnere Oeiras como município anfitrião. A transformação é evidente. “A UE dos meus anosj jovens erai a UE da esperança, do mercado único, do euro. Era a UE de uma economia vibrante. Em 1999, quando o euro foi fundado, a UE era: região do mundo com maior probabilidade de sucesso. Todos falavam sobre o declínio da América inos século XXI e a ascensão do euro. Não aconteceu”, afirmou Wolfgang Múnchau. O problema, segundo o analista, é que desde a criação do euro "não houve muita integração, mas, pelo contrário, muita burocracia”. O Regulamento Geralsobre a Proteção de Dados (RGPD) é um exemplo paradigmático. “Como uma pequena empresa editorial, posso absolutamente dizer-vos que é um pesadelo cumprir as disposições do RGPD se temos muitos clientes em diferentes países europeus porgue são diferentes em cada país. é um regulamento, não uma diretiva. Cada país implementa-o à sua maneira.” E acrescentou que “enquanto os outros SaO OS inovadores e pessoas de negócios, na Europa somos os reguladores. Como se pode regular uma indústria em que a Europa não tem peso nenhum, como a inteligência artificial? é delirante”. Futuro próximo Para Wolfgang Múnchau, quando as pessoas lhe perguntam o que está errado com a Europa, qual é a única coisa que se pode fazer, responde: “fazer uma união dos mercados de capitais. Porque não há maneira de Portugal ou até da Alemanha poderem financiar uma Google a partir das poupanças nacionais.” Adiantou ainda que a Europa tem potencial, pois é “um mercado avançado com 500 milhões de pessoas, maior do que OS Estados Unidos. Se tivéssemos um mecanismo que canalizasse as poupanças dos nossos cidadãos para os investimentos mais rentáveis, seria um mecanismo que contornaria o sistema bancário”. Deu ainda o exemplo das startups. “Estamos a ter bastante sucesso hoje em empresas startup. Mas não conseguimos torná-las grandes. é por isso que precisamos dos mercados de capitais. O capital de risco é a parte fácil. O próximo passo é a parte difícil”, referiu Wolfgang Múnchau. e Mobilidade mais sustentável e Setor automóvel em transição e Descarbonizar o transporte de mercadorias Miguel Pinto Luz “Se trocarmos um veículo Euro 5 por um Euro 6, estamos a descarbonizar. Continuamos a poluir, mas estamos a descarbonizar em relação ao que tínhamos anteriormente.” &6 Começámos em 2019 com 2,3% de novos veículos que eram elétricos a bateria e já estamos nos 18% na Europa, mas Portugal supera esta média. As baterias provaram ser muito mais duráveis do que se pensava e já vemos modelos com 500 ou 600 mil quilómetros que mantêm mais de 80% da eficiência. BJoRN SCHAUBEL Partner da EY Parthenon e responsável pela área de mobilidade na Alemanha e Europa Ocidental ¥ orn schaubel referiu que a aceleração da mobilidade elétrica está a transformar o mercado europeu e Portugal destaca-se como um dos pafses mais avançados na adoção de vefculos elétricos. &6 Agir à pressa e mal seria prejudicial para o país. A transição exige seriedade e transparência. Estamos a preparar o novo aeroporto Luís Vaz de Camões para responder às exigências de sustentabilidade das próximas décadas. MIGUEL PINTO Luz Ministro das Infraestruturas e Habitação &6 A indústria automóvel europeia está a perder terreno porque não conseguimos transformar startups em empresas globais. Falta capital e falta escala. A União Europeia dos meus anos jovens era a uE da esperança e da economia vibrante. Hoje está muito fraca. WOLFGANG MúNCHAU Economista e analista alemão FILIPE S. FERNANDES