NOVO RENAULT TRAFIC ELÉCTRICO SURPREENDE AO BATER TODOS OS ELÉCTRICOS DA MARCA
2025-11-30 14:39:04

O novo Trafic, o furgão comercial e de passageiros da Renault, é uma lufada de ar fresco na indústria. A ponto de bater os restantes eléctricos da marca, em áreas como a plataforma e rapidez de carga. Ao serviço da Renault desde 1980 e depois de ter produzido mais de 2,5 milhões de unidades, o furgão Trafic, com versões de carga e de passageiros, mostrou a sua 4.ª geração no Solutrans, o salão de veículos comerciais que tem lugar em França, a cada dois anos. A marca francesa continuará a comercializar a actual versão do Trafic com motor a combustão, mas concluiu (e bem) que as versões eléctricas alimentadas por bateria necessitam de uma série de “armas” específicas para tornarem um furgão EV mais eficiente e mais interessante para o potencial utilizador. O novo furgão EV, que a Renault denomina Trafic E-Tech eléctrico, será produzido na fábrica da marca em Sandouville, em França, juntamente com a versão ICE (Internal Combustion Engine), ou seja, com motores a gasolina ou diesel. O interior do Trafic a bateria 4 fotos Para optimizar o potencial do Trafic E-Tech eléctrico, a marca francesa começou por recorrer a uma nova plataforma skateboard, considerada pela indústria como a ideal para conceber veículos alimentados por bateria, por permitir a optimização do espaço, ao não necessitar de uma frente longa para acolher mecânicas a combustão mais volumosas e pesadas. A Renault designa a nova plataforma como Software Defined Vehicle (SVD), sendo que esta base servirá igualmente para outros modelos. Resolvida a questão da plataforma, a Renault avançou para a rapidez do carregamento, com o intuito de reduzir o tempo necessário de estar ligado a um ponto de carga para iniciar novo percurso. Nesse sentido, foi necessário revolucionar o sistema eléctrico e aderir aos 800V, o dobro dos tradicionais 400V, o que permite recarregar mais rapidamente. Daí que o novo Trafic E-Tech electric ofereça uma autonomia de até 450 km em WLTP (ainda pendente de homologação, para a bateria Long Range), mas sobretudo recargas de 15% a 80% em apenas 20 minutos, graças a uma potência que o construtor ainda não anunciou - uma velocidade de carregamento que não acontece nos restantes eléctricos da marca, nem da concorrência. Muitas versões e duas baterias A plataforma SVD admite várias dimensões de baterias, tanto mais que o facto de estarmos perante um chassi específico para veículos eléctricos permite conceber um furgão com uma frente mínima para maximizar o espaço de carga. Isto faz com que o novo Trafic, que na versão L1 anuncia um comprimento de 4,87 metros, possua um comprimento inferior ao do actual Kangoo longo e, ainda assim, seja capaz de acolher europaletes pela porta traseira ou pela lateral e acomodá-las nos 5,1 m3 de espaço de carga (e 1250 kg), ou nos 5,8 m3 da versão longa L2, com mais 40 cm de distância entre eixos, mas ambas com apenas 1,89 m de altura, para não limitar o acesso a parques de estacionamento subterrâneos. A capacidade de carga do novo Trafic E-Tech eléctrico é maior do que na versão a combustão, apesar do comprimento e altura mais reduzidos 3 fotos As duas versões do novo Trafic eléctrico, em termos de comprimento (L1 e L2), vão permitir à Renault oferecer diversas declinações do seu modelo comercial, de chassis cabina à plataforma plana, de carga simples ou basculante. Tudo isto num veículo comercial extremamente ágil que, devido à troca da volumosa mecânica a combustão por outra substancialmente mais pequena e eléctrica, associada a uma frente muito mais curta e a um maior ângulo de viragem, tem um diâmetro de viragem de somente 10,3 metros, igual ao de um Renault Clio com apenas 4 metros, pese embora o novo furgão tenha cerca de 5 metros de comprimento. O motor que move o novo Trafic fornece 150 kW (204 cv) e 345 Nm, sendo produzido na Europa, como também são fabricadas no Velho Continente as células que formam o pack das baterias que alimentam o modelo. A Renault anuncia duas baterias com diferentes capacidades e químicas, uma mais pequena (a Urban) para clientes que se desloquem principalmente em ambientes urbanos e semi-urbanos, com 59 kWh de capacidade e química LFP, capaz de garantir 350 km de autonomia. Para quem necessite de maiores autonomias, os franceses prepararam um acumulador com 81 kWh (Long Range) e química NMC, que assegura a capacidade de percorrer 450 km entre visitas a um ponto de carga. Os pormenores que distinguem o novo Trafic a bateria 5 fotos Além de uma capacidade que alinha pelos melhores do segmento, o Trafic E-Tech electric pretende impôr-se pela rapidez de carregamento, o que consegue graças ao seu sistema de 800V, que reduz o tempo necessário para recarregar as baterias, o que pode acontecer durante as paragens para cargas e descargas. A Renault menciona apenas que, graças aos 800V em vez dos habituais 400V, a bateria Long Range consegue ir de 15% a 80% em 20 minutos, o que deixa antever uma potência de carga média de 160 kW, a que corresponderia uma potência máxima de cerca de 250 kW, compatível com um sistema a 800V. Este valor ultrapassa claramente os 100 kW a que recarrega o R5, os 130 kW do Megane ou os 150 kW do Scenic, todos eles a 400V, aproximando-se dos 350 kW do R5 Turbo 3E, o primeiro modelo deste construtor a 800V. O Trafic eléctrico vai ser produzido em França, na fábrica de Sandouville, de onde também saem as versões actuais com motor a combustão, que continuarão a ser comercializadas. O novo furgão eléctrico coloca 18 sistemas de ajuda à condução ao serviço de quem se senta atrás do volante, além de uma versão mais evoluída do sistema operativo que a Renault monta nos seus modelos mais recentes, o CAR OS, que corre sobre o Android Automotive OS, um dos principais trunfos do modelo. Isto significa que conta com soluções como o Google Assist, o Google Voice Recognition e o Google Maps, além do Waze. O Trafic E-Tech eléctrico vai chegar ao mercado no final de 2026. O interior do Trafic a bateria A capacidade de carga do novo Trafic E-Tech eléctrico é maior do que na versão a combustão, apesar do comprimento e altura mais reduzidos Os pormenores que distinguem o novo Trafic a bateria Alfredo Lavrador