CARLOS SILVA E SANCHO RAMALHO VENCEM TAÇA DE NOVAS ENERGIAS NO ECO RALLY DE LISBOA
2025-12-01 22:09:44

A dupla campeã de 2024 venceu a Taça de Portugal de Novas Energias, impedindo a “dobradinha” dos actuais campeões nacionais numa prova decidida por apenas três segundos. O Eco Rally de Lisboa 2025, organizado pelo CPKA (Clube de Promoção de Karting e Automobilismo), encerrou a temporada competitiva da mobilidade eléctrica em Portugal com um duelo intenso entre as duas equipas mais fortes do pelotão. Carlos Silva e Sancho Ramalho, aos comandos do seu habitual BMW i3, venceram a Taça de Novas Energias da FPAK, superiorizando-se aos recém-coroados campeões nacionais, Eduardo Carpinteiro Albino e José Carlos Figueiredo (Kia EV3). A prova, disputada no formato de regularidade e exclusiva a automóveis 100% eléctricos de produção em série, percorreu um total de 223 quilómetros, 105 dos quais a contar para as 12 classificativas de regularidade. A partida fez-se no domingo de manhã, num cenário icónico junto ao Padrão dos Descobrimentos, levando os concorrentes da capital até à Azambuja, com paragem em Mafra, antes do exigente final na Serra de Sintra e chegada à Marina de Cascais. Foto Os concorrentes partiram do Padrão dos Descobrimentos em Lisboa e a prova passou, ainda, pelos municípios de Azambuja, Vila Franca de Xira, Mafra, Sintra e Cascais AIFA Jogar em casa Para Carlos Silva, a vitória teve um sabor especial, não apenas pelo troféu, mas pelo cenário. “É uma prova que se disputa numa região que, para mim, diz muito e eu gosto muito de jogar em casa”, afirmou o piloto ao PÚBLICO. A dupla assumiu a liderança logo na segunda classificativa e não mais a largou, gerindo uma vantagem curta até ao final. Sancho Ramalho, o navegador, explicou a estratégia de serenidade que ditou o sucesso: “Fizemos um bom rali, fomos sempre fazendo tudo muito direito (...) foi fazer a prova com muita calma”. A gestão foi milimétrica, chegando ao almoço em Mafra com apenas três segundos de vantagem, margem que conseguiram segurar até ao final, apesar das dificuldades da tarde. Com este triunfo, Carlos Silva e Sancho Ramalho - que foram campeões nacionais em 2024 - impediram que Eduardo Carpinteiro Albino e José Carlos Figueiredo juntassem a Taça ao Campeonato Nacional de Novas Energias conquistado este ano. A rivalidade saudável entre as duas duplas ficou patente na entrega de prémios, onde Carlos Silva, em tom de brincadeira, sugeriu a criação de uma “super-taça” para decidir o “campeão dos campeões”. Apesar de elogiar o traçado e a organização da prova, Carlos Silva apontou algumas arestas a limar, nomeadamente num dos sectores da manhã. “Aquele troço grande hoje de manhã, dos mecos, devia ter sido separado em dois. Aquela parte estreita de 18 km/h não faz muito sentido ali”, referiu o piloto, notando que a situação criou “alguns problemas de trânsito” que poderiam ter sido evitados, adicionando uma outra sugestão para o próximo ano: “Acho que o rali pode crescer um ou dois troços e já fica com os quilómetros normais de uma prova do Campeonato de Portugal!" Ambição mundial para 2026 Com a época nacional encerrada, as atenções viram-se agora para 2026 e para a internacionalização. Depois de um terceiro lugar no campeonato internacional (FIA Eco Rally Cup) este ano, a ambição da dupla Silva/Ramalho é subir a fasquia nesta competição de nível mundial. “O objectivo é claramente montar um projecto para fazer o número mínimo de provas em que se aproveitam pontos”, explicou Carlos Silva, apontando para a participação em oito ou nove provas internacionais. O navegador Sancho Ramalho reforça a aposta: “A grande ambição será fazer mais provas do campeonato internacional (...) para tentar melhorar o terceiro lugar deste ano”. Carlos Silva acredita que o talento nacional está pronto para se impor lá fora: “O nosso campeonato português tem um nível de pilotos e de navegadores muito alto (...) se isso acontecer [mais equipas portuguesas no estrangeiro], eu acho que os portugueses vão dar cartas”. Envolver mas as marcas e os concessionários Numa nota final sobre a promoção da mobilidade eléctrica, Carlos Silva deixou um apelo a um maior envolvimento dos concessionários locais, e não apenas das marcas importadoras. Para o vencedor da Taça, esta é a modalidade mais acessível do desporto automóvel, comparando-a aos seus inícios no Rali de Sintra: “Aqui é a mesma coisa, é agarrar num carro de casa e fazer uma competição”. O piloto sublinha que é necessário motivar os responsáveis das marcas e das concessões para participarem, aproveitando o facto de os fabricantes terem necessidade de promover os seus veículos eléctricos num ambiente real e competitivo. PÚBLICO