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USAR EM VEZ DE POSSUIR É O FUTURO DA MOBILIDADE

Vida Económica Online

2025-12-01 22:09:46

ARAC defende aluguer operacional como chave da mobilidade elétrica e sustentável em Portugal “O aluguer operacional é hoje um instrumento-chave da transição energética e da mobilidade sustentável”, afirma Joaquim Robalo de Almeida, secretário-geral da ARAC , Associação Nacional dos Locadores de Veículos, em entrevista à “Vida Económica”. O responsável destaca o papel do setor na eletrificação das frotas, na eficiência económica e na mudança de mentalidade do “possuir” para o “usar”. Vida Económica , O aluguer operacional tem crescido de forma consistente, mas Portugal continua muito ligado à propriedade do automóvel. O que está a mudar nos hábitos dos consumidores e que papel a ARAC quer assumir nesta transição? Joaquim Robalo de Almeida , O aluguer operacional tem registado um crescimento significativo, refletindo uma mudança estrutural nos hábitos de mobilidade dos portugueses. Mais do que um bem de posse, o automóvel começa a ser encarado como um serviço. Os consumidores valorizam flexibilidade, previsibilidade de custos e ausência de preocupações com manutenção ou revenda. Este movimento é particularmente forte entre as empresas, que veem no aluguer operacional uma solução racional e sustentável de gestão de frotas. O crescimento da procura por veículos eletrificados reforça ainda mais o papel do renting como instrumento da transição energética. Ao incluir manutenção e renovação tecnológica, o aluguer operacional reduz riscos e acelera a descarbonização. A ARAC quer liderar esta mudança e consolidar o setor como parceiro estratégico da mobilidade sustentável. VE , A mobilidade elétrica é apontada como inevitável, mas a infraestrutura ainda está aquém das necessidades. Que entraves persistem e o que é urgente mudar? JRA , A transição é inevitável, mas Portugal enfrenta obstáculos sérios. A rede de carregamento, o regime fiscal e o enquadramento regulatório não acompanham o ritmo exigido. A não dedutibilidade integral do IVA na aquisição de viaturas e carregadores e a limitação dos benefícios fiscais desincentivam o investimento, sobretudo no rent-a-car, onde os custos iniciais e a falta de mercado de usados elétricos travam a renovação das frotas. Persistem também burocracias na instalação de postos e fraca cobertura territorial, especialmente em zonas turísticas e empresariais. A multiplicidade de operadores e a falta de transparência nas tarifas geram desconfiança. A ARAC propõe um plano integrado para a frota elétrica, com incentivos, acordos com fabricantes e uma regulação que assegure interoperabilidade e previsibilidade. Sem esta coordenação, o país arrisca comprometer o crescimento sustentável do setor automóvel e turístico. VE , Os operadores estão a eletrificar as frotas, mas a operação continua mais cara e complexa. O que está a ser feito no terreno e o que falta do lado do Governo e das autarquias? JRA , As empresas de locação estão fortemente comprometidas, investindo em frotas elétricas, infraestruturas próprias e tecnologia de gestão. Contudo, os custos continuam superiores aos dos motores de combustão. O preço elevado dos veículos, a depreciação rápida e a falta de um mercado de usados viável afetam a rentabilidade. Além disso, a rede pública de carregamento é insuficiente e irregular, e o processo de licenciamento é moroso. Do lado da procura, os clientes continuam hesitantes: turistas e utilizadores de rent-a-car valorizam autonomia e simplicidade, e a escassez de pontos de carregamento fiáveis ainda causa receio. A ARAC defende medidas estruturais: simplificação do licenciamento, reforço da potência elétrica, incentivos fiscais estáveis e planeamento municipal integrado. Só com infraestrutura robusta e confiança do utilizador será possível consolidar uma mobilidade elétrica eficiente, segura e atrativa. Principais mitos a combater VE , Ainda existe muita desinformação sobre o aluguer operacional e a mobilidade sustentável. Quais os principais mitos a combater? JRA , Persistem mitos que dificultam a adoção de soluções mais eficientes. Um dos mais comuns é considerar o aluguer dispendioso. Pelo contrário, o aluguer operacional é economicamente racional e previsível, permitindo planeamento de custos, redução de riscos e eficiência fiscal. Inclui serviços como manutenção, seguro e pneus, garantindo uma frota moderna e tecnologicamente atualizada. Outro equívoco diz respeito à fiabilidade da mobilidade elétrica. Apesar dos desafios, ela vai muito além da propulsão: envolve gestão inteligente de frotas, partilha e neutralidade carbónica. O aluguer é um instrumento decisivo para acelerar a renovação do parque automóvel e reduzir emissões. A ARAC investe em campanhas de esclarecimento, formação e informação transparente, explicando o custo total de utilização, o impacto ambiental e as vantagens económicas face à compra tradicional. O objetivo é reforçar a confiança e demonstrar que a mobilidade sustentável é competitiva, segura e conveniente. VE , Que mobilidade projeta a ARAC para 2030 e qual será o peso do aluguer operacional num modelo onde “usar” supera “possuir”? JRA , Até 2030, a mobilidade em Portugal será mais digital, multimodal e sustentável. O aluguer operacional deixará de ser uma alternativa à compra para se tornar um verdadeiro serviço de mobilidade. Consumidores mais conscientes, empresas com metas ESG e políticas públicas orientadas para a sustentabilidade impulsionarão este modelo. A ARAC prevê um crescimento expressivo do aluguer operacional, com soluções flexíveis, modelos de subscrição e locação digital. As plataformas inteligentes permitirão ao utilizador aceder ao veículo ideal pelo tempo necessário, sem encargos de propriedade. A mobilidade será integrada, articulando aluguer, transportes públicos e micromobilidade num ecossistema coordenado por plataformas digitais - o conceito de Mobilidade como Serviço (MaaS). Para concretizar esta visão, é essencial estabilidade fiscal e política, incentivos à eletrificação e à inovação, e uma estratégia nacional de mobilidade sustentável. Em 2030, a mobilidade será medida não em quilómetros, mas em eficiência, partilha e conveniência. O setor do aluguer, pela sua agilidade e capacidade de investimento, estará no centro da transição, contribuindo para um país mais moderno, competitivo e ambientalmente responsável. Virgílio Ferreira