TRUMP REANIMA MOTORES DE COMBUSTÃO COM DECISÃO POLÉMICA
2025-12-04 22:11:38

A Casa Branca volta a virar as costas aos veículos elétricos. Donald Trump confirmou o alívio das regras de economia de combustível e emissões, que obrigavam os construtores a melhorar a eficiência dos modelos a gasolina e gasóleo até ultrapassar as 50 milhas por galão em 2031, uma meta traçada no mandato de Joe Biden. Mais concretamente, o Governo de Biden tinha determinado uma melhoria de 8% para os modelos de 2024 e 2025 e de 10% para os modelos de 2026, para atingir mais de 50 milhas por galão até 2031 (80 km por 3,78 litros). A decisão da administração Trump representa um regresso às normas anteriores e traduz um sinal político claro: Washington já não quer forçar a transição para a mobilidade elétrica. “Estamos oficialmente a remover os padrões CAFE [Corporate Average Fuel Economy, ou na tradução para português Economia Média de Combustível Corporativa] ridiculamente restritivos e horríveis de Joe Biden, que impuseram restrições dispendiosas e todo o tipo de problemas”, disse o republicano na Sala Oval da Casa Branca, citado pela agência France-Presse (AFP). Trump, que é cético em relação às alterações climáticas, justificou o retrocesso com argumentos económicos, sublinhando que os padrões CAFE aumentavam os custos de produção e pressionavam os preços finais dos automóveis. A leitura foi bem recebida pelos três principais fabricantes norte-americanos. Jim Farley, CEO da Ford, afirmou que a alteração “alinha os padrões com a realidade do mercado”, enquanto Antonio Filosa, CEO da Stellantis, elogiou o “realismo” regulamentar que, segundo defendeu, permitirá desenvolver a indústria automóvel nos Estados Unidos. Também a General Motors destacou a importância de oferecer simultaneamente elétricos e modelos de combustão. Implicações no caminho da descarbonização Mas esta mudança tem implicações profundas no caminho para a descarbonização. A eliminação das metas mais exigentes reduz o incentivo para acelerar o desenvolvimento de tecnologias mais eficientes e diminui, na prática, a pressão para o aumento da quota de elétricos. A própria Administração Biden previa que as regras revogadas poupariam milhares de milhões de dólares em combustível e reduziriam emissões associadas a problemas de saúde pública. Várias figuras ligadas às políticas climáticas alertam agora para um retrocesso com custos ambientais e estratégicos. Várias figuras ligadas às políticas climáticas alertam agora para um retrocesso com custos ambientais e estratégicos. Gina McCarthy, que ocupou cargos de liderança ambiental nas administrações Biden e Obama, afirmou que a decisão “prejudica a indústria” e “agrava as alterações climáticas”, sublinhando que a aposta nos motores de combustão interna abre espaço para que a China consolide uma vantagem estrutural no mercado global de veículos elétricos. Para os especialistas em mobilidade sustentável, a principal preocupação não é apenas o aumento das emissões, mas a perda de competitividade tecnológica. Com o mercado norte-americano a registar uma estagnação nos 8% de quota de elétricos desde 2024, a reversão das metas pode prolongar artificialmente a vida dos motores de combustão, atrasar investimentos e travar o ritmo de inovação num setor que, globalmente, avança em sentido oposto. A proposta agora apresentada dará origem a um processo formal de consulta pública, mas assinala desde já uma viragem. Se for aprovada, permitirá que os fabricantes privilegiem modelos menos eficientes, reduzindo a pressão para o desenvolvimento de gamas elétricas acessíveis e atrasando a evolução tecnológica que a redução de emissões exige. Com esta decisão, Trump sinaliza que o futuro automóvel dos Estados Unidos continuará a depender, durante mais tempo, da gasolina. E isso é exatamente o que muitos construtores queriam ouvir. Welectric Welectric