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CARROS MAIS BARATOS NOS EUA? TRUMP ANUNCIA REVISÃO DAS RESTRIÇÕES ÀS EMISSÕES

Razão Automóvel Online

2025-12-04 22:11:39

Donald Trump, presidente dos EUA, anunciou uma revisão nas normas de economia de combustível. Perceba tudo o que está por trás desta decisão. Quando Donald Trump regressou à liderança dos EUA, prometeu mudanças profundas - e começou a aplicá-las de imediato, nomeadamente através da imposição de novas tarifas de importação a vários países. No entanto, essas alterações estão longe de terminar. Ontem, 3 de dezembro, o presidente norte-americano anunciou a revisão das normas de economia de combustível - CAFE (Corporate Average Fuel Economy) - implementadas durante a administração de Joe Biden. O objetivo declarado é reduzir os preços dos automóveis, ao mesmo tempo que protege a indústria, especialmente os fabricantes tradicionais conhecidos como os “Big Three” (Ford, GM e Stellantis). “O meu Governo está a tomar medidas históricas para reduzir os custos para os consumidores americanos, proteger os empregos na indústria automóvel americana e tornar a compra de um automóvel muito mais acessível”, disse. “Estamos oficialmente a remover os padrões CAFE ridiculamente restritivos e horríveis de Joe Biden, que impuseram restrições dispendiosas e todo o tipo de problemas.” Donald Trump, presidente dos Estados Unidos da América Segundo o presidente, as normas de Biden são irrealistas para veículos a gasolina e elevam o custo dos automóveis. As normas CAFE, existentes desde 1975, exigem que os fabricantes atinjam uma quilometragem média mínima por galão de combustível, incentivando maior eficiência energética e redução do consumo. Sob o Governo de Biden, essas normas foram reforçadas, incluindo metas ambiciosas de eficiência e maior inclusão de veículos elétricos e híbridos na média da frota. Trump propõe agora manter a média da frota dos EUA em 34 milhas por galão (cerca de 54 km) até 2031 (fonte: National Highway Traffic Safety Administration), muito abaixo das metas de Biden de cerca de 50 milhas por galão (cerca de 80 km). © Sebastian Enrique / Unsplash Os construtores receberam a notícia de forma positiva. “Hoje é uma vitória para o bom senso e a acessibilidade”, acrescentou o diretor-executivo da Ford, Jim Farley. O que dizem os ambientalistas? Após este anúncio, foram vários os especialistas a alertarem para o facto de que esta medida vai agravar não só as alterações climáticas, como também o preço dos combustíveis. “Trump está a destruir a maior iniciativa alguma vez tomada por uma nação no combate ao uso de petróleo e à poluição que causa o aquecimento global”, afirmou Dan Becker, ativista do Centro para a Diversidade Biológica, à agência France-Presse (AFP). Gina McCarthy, antiga funcionária de alto nível dos Governos de Biden e Barack Obama também se pronunciou relativamente à nova medida: “O resto do mundo continuará a criar carros mais limpos, enquanto nós ficamos com veículos velhos, pagamos mais pela gasolina e emitimos mais poluentes”, adicionou. “Se há uma coisa de que podemos ter a certeza é que esta administração nunca agirá no melhor interesse da nossa saúde ou do ambiente.” Gina McCarthy, antiga funcionária de alto nível dos Governos de Biden e Barack Obama Trump contra os carros elétricos? O presidente tem-se posicionado contra “mandatos” para veículos elétricos. A administração revogou créditos fiscais e dificultou que estados como a Califórnia imponham limites próprios de emissões, enfraquecendo os incentivos à transição elétrica. O impacto está a ser sentido na indústria: alguns fabricantes norte-americanos reduziram ou adiaram investimentos em novas fábricas de elétricos, atrasando a expansão do setor. Para os consumidores, a promessa de carros mais baratos pode não se refletir na prática. Os preços elevados da gasolina e forte procura por veículos eficientes mantêm a relevância de automóveis de baixo consumo. Analistas alertam que estes continuam a ser valorizados tanto para poupança como para reduzir a dependência de petróleo. Mariana Teles