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A ANEDOTA DO PREÇO ALTO DO LUXO

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2025-12-05 22:09:00

Opinião :: CronistasA anedota do preço alto do luxo Isto é uma loucura total. Tenho a sensação de que nunca tantos tiveram acesso possível a produtos e serviços de luxo. Ou melhor, que eram de luxo há 30 ou 40 anos Publicado há 11 minutosPedro Simões Dias Partilhar Facebook Whatsapp LinkedinSobre o autorPedro Simões Dias Fundador da Comporta Perfumes e advogado de proteção de direitos de marcas Mais artigos tagsadvogado de proteção de direitos de marcasAssociação LaurelBMWcomporta perfumesDiorGucciLaurelluxoopiniãopedro simões dias Tenho no seio da Laurel, que é uma associação que congrega diversas marcas portuguesas na área do luxo , ou, como gosta o secretário-geral de dizer, na área da excelência (para mim, luxo e excelência não são o mesmo) ,, uma diatribe que gosto de exibir: qual é a definição de luxo. Para mim, luxo é algo que é escandalosamente, desavergonhadamente obscenamente caro. Estou profundamente convencido de que um preço obscenamente caro para um produto ou para um serviço é o único elemento que é exclusivamente caracterizador do luxo. Devo estar errado porque a generalidade dos académicos nesta área defende critérios de caraterização do luxo como exclusividade, criatividade, inovação, experiência (o luxo moderno como muito experiencial, não é só o objeto, mas todo o ritual em torno dele), manufactura/saber-fazer, personalização/customização e até, imaginem lá, sustentabilidade e propósito . Um dia destes posso explicar a minha teoria e demonstrar que cada um destes critérios pode representar luxo, mas todos eles representam também produtos e serviços que não são luxo. Vai ser só dar exemplos. Como eu reforço que luxo tem de ser algo obscenamente caro, surpreendeu-me um amigo, há poucos dias, com uma notícia de um jornal credível a dizer que as marcas de luxo estavam a perder dinheiro pelos preços invulgarmente caros em que tinham posicionado os seus produtos nos últimos anos e que, algumas delas, estariam a fazer uma revisão da política de preços de modo a oferecer preços para o mercado que acomodem mais clientes. Isto é uma loucura total. Tenho a sensação de que nunca tantos tiveram acesso possível a produtos e serviços de luxo. Ou melhor, que eram de luxo há 30 ou 40 anos sou do tempo em que praticamente ninguém tinha um carro Mercedes. Quando era miúdo, ter um carro Mercedes era sinal de ser uma pessoa com muito dinheiro. Sou do tempo em que praticamente as viagens de avião eram meramente para situações profissionais e que eram muito caras. Quase ninguém andava de avião. Pelo menos, em Portugal. Ir a restaurantes estrelados era para uma aristocracia social muito especial. Entretanto, o mundo virou de pernas para o ar e o que continua a ser aspiracional é muito mais limitado do que anteriormente. A namorada de um dos meus filhos anda com várias carteiras Chanel (LV são mato ao pequeno-almoço na Padaria Portuguesa e carteiras Birkin veem-se várias quando se sai para jantar em alguns restaurantes só falta comparar os tamanhos). Outros miúdos que vão lá a casa têm vários AP (como, com ar blasé , eles chamam aos Audemar Piguet). A quantidade de 911, Mercedes e BMW nas ruas faz com que luxo já só sejam Bugatti, Bentley ou Rolls-Royce. Agora, marcas como a Gucci e a Dior irem baixar os preços por acharem que os seus preços são incrivelmente caros talvez seja a maior anedota que o mundo do luxo já viu. Sobre o autorPedro Simões DiasFundador da Comporta Perfumes e advogado de proteção de direitos de marcasMais artigos Pedro Simões Dias