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NOVA REITORA EM ENTREVISTA AO JA - ALEXANDRA TEODÓSIO QUER "UNIVERSIDADE ABERTA À REGIÃO"

Jornal do Algarve

2025-12-05 22:09:01

NOVA REITORA EM ENTREVISTA AO JA Alexandra Teodósio quer "Universidade aberta à região" A primeira mulher a assumir a liderança da Universidade do Algarve, quer uma academia "mais aberta à região” e um modelo de ensino modernizado, adaptado à "Geração Z". Em exclusivo 00 Jornal do Algarve, Alexandra Anica Teodósio revelou as prioridades e desafios que marcarão 0 início do seu mandato A Universidade do Algarve (UAIg) tem, pela primeira vez, uma reitora. Alexandra Teodósio, investigadora e docente da instituição há varias décadas, foi eleita a 12 de novembro pelo Conselho Geral, no Campus de Gambelas. Obteve 19 dos 32 votos possíveis, sucedendo a Paulo Aguas e toma posse a 17 de dezembro, dia em que a academia celebra 46 anos. A eleição representa um marco simbólico para a universidade e para o ensino superior português. Para Teodósio, contudo, o significado ultrapassa o histórico: "Fiquei surpreendida, mas também muito agradecida pela confiança que a maioria do Conselho Geral depositou em mim.” A docente reconhece, contudo, que o peso da responsabilidade é grande: “Somos uma instituição com mais de 10 mil estudantes, mais de mil funcionários e muitos projetos em andamento. No dia a dia, temos de dar sempre a nossa melhor resposta.” Da investigação à liderança da academia Com experiência acumulada como vice-reitora de Paulo Aguas, Alexandra Teodósio afirma que a sua candidatura resulta da vontade de “contribuir um pouco mais para o desenvolvimento sustentável” da UAlg e da região. Recorda que, nos últimos anos, trabalhou em projetos ligados à sustentabilidade ambiental, tanto no campus como no exterior, incluindo iniciativas com Angola, Moçambique, são Tomé e Príncipe e a Amazónia brasileira. A motivação para avançar, afirma, resulta do desejo de responder aos grandes desafios contemporâneos: alterações climáticas, transições sociais aceleradas e novas expectativas das gerações mais jovens. Uma universidade mais aberta, prática e flexível Entre as prioridades estratégicas, destaca o reforço da ligação com municípios, empresas e comunidades locais. O objetivo é uma universidade mais integrada no território, com ensino que ocorra dentro e fora do campus e estudantes envolvidos em desafios reais. “Gostava de abrir mais a universidade à região, que a aprendizagem aconteça dentro e fora dos nossos muros, com mais relação com os municípios e com as empresas, e que os nossos estudantes possam fazer mais mãos na massa com problemas reais.” A flexibilização curricular é outro pilar. Teodósio defende mais unidades opcionais, percursos menos rígidos e pedagogias centradas no estudante. Parte da componente teórica deverá transitar para formatos digitais, libertando tempo para atividades práticas e contacto direto com docentes e investigadores. "Vamos ter de flexibilizar muito mais os currículos, com mais disciplinas de opção que se possam fazer em qualquer área científica. Eu acho que também motiva muito mais o estudante do que um percurso muito fechado e pré-determinado, que depois se adapta pouco às suas necessidades”, sublinha. A integração dos estudantes do primeiro ano é identificada como uma fragilidade antiga da instituição: “Temos uma das taxas de abandono mais altas do país. Precisamos de acolher melhor quem chega.” Para a reitora, os próprios estudantes devem liderar esse acolhimento, e algumas tradições académicas deverão ser repensadas em diálogo com a Associação Académica. Teodósio quer acima de tudo, “contribuir para uma integração mais saudável dos estudantes na academia". Rankings e internacionalização Nos últimos anos, a UAlg tem conquistado posições de destaque nos rankings internacionais, sobretudo no pilar da internacionalização do Times Higher Education. “Eu acho que a nossa posição nos rankings tem estado mais destacada na nossa internacionalização, na nossa capacidade, através dos centros de investigação, de atrairmos investigadores de todo o mundo, através dos nossos mestrados Erasmus Mundus, que também recrutam em todo o mundo", explica Teodósio. Outro eixo relevante é o desempenho no ranking dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) da Organização das Nações Unidas (ONU), com particular incidência no uso sustentável dos recurSos marinhos. “Normalmente temos posições boas, não só na área da proteção da vida marinha e terrestre, mas sobretudo do seu uSo sustentavel, com muitos projetos de investigação na área do mar, das ciências agrarias, mas também da parte social”, destaca a reitora. Além disso, sublinha ainda o contributo da UAIg para o ODS 16, que visa promover sociedades pacíficas e inclusivas para o desenvolvimento sustentavel. Oferta formativa A modernização do modelo pedagógico é uma das prioridades. Teodósio defende o ensino centrado no estudante: “Um dos objetivos é modernizarmos a nossa forma de ensinar e dos nossos estudantes aprenderem, que seja muito mais centrado no próprio estudante, num processo autónomo em que o professor ou o investigador apenas o guia", esclarece. A ideia passa igualmente por incluir mais parte pratica e menos teórica, cumprindo toda a legislação: “Passar alguma parte da componente teórica para online, e dar mais tempo de contacto pratico entre o docente e o estudanten, esclarece, acrescentando que tudo será feito dentro do quadro legal. “As orientações europeias e nacionais já vão nesse sentido”, sublinha. Identifica também a necessidade de adaptar metodologias à "geração z", que não responde aos mesmos modelos de ensino de há 10 ou 20 anos. A reitora mostra-se confiante de que, com essas mudanças , quer por parte dos estudantes, quer por parte dos docentes ~ haverá resultados visíveis já nos próximos quatro anos. Residências e expansão para o Barlavento As condições de alojamento estudantil melhoraram substancialmente, com residências renovadas e duas novas unidades prestes a abrir, aumentando em quase 50% a capacidade de acolhimento. A reitora defende que a prioridade passa por dar resposta sobretudo aos "estudantes dos primeiros anos, porque são os que chegam e precisam mais deste suporte". A ambição territorial estende-se também ao Barlavento algarvio. A reitora quer consolidar um polo em Portimão e reforçar a oferta de ensino superior na região, aproximando a universidade das populações locais: “Tenho a ambição de conseguir desenvolver mais um campus no Barlavento, as-sociado a Portimão", sublinha. No Sotavento, a universidade pretende consolidar as infraestruturas já em desenvolvimento, como o polo em Castro Marim, associado ao SAPAL (Instituto de Conservação da Natureza e das Florestas), e O HUB Azul no porto de Olhão, em parceria com o município de Olhão, Docapesca, Instituto Português do Mar e da Atmosfera (IPMA) e o Laboratório Colaborativo S2AQUA. A expansão contempla ainda a criação de um futuro campus de saúde no Parque das Cidades, entre Faro e Loulé. Com estas iniciativas, a UAlg reforça a sua presença em toda a região: “Em conjunto, todas elas permitirão aumentar as atividades de ensino e investigação da UAlg na região", reforça a reitora. Os desafios do Algarve O Algarve enfrenta problemas estruturais = escassez hídrica, sazonalidade económica, pressão ambiental . e a nova reitora quer que a UAlg se posicione como parceira ativa na procura de respostas. “A nossa principal ferramenta são projetos de investigação em colaboração com a região", afirma. Entre os exemplos destaca o projeto europeu “Culatra 2030”, que envolve toda a comunidade da ilha e integra áreas tão diversas como energias renovaveis, produção de água doce, reciclagem, inovação social e tecnologias ambientais. "Há muitos contributos que a Universidade pode fazer através da sua investigação e inovação, mas precisamos também da região connosco e que haja esse interesse para poder implementar os projetos", sublinha. Alavancar a economia algarvia Para Alexandra Teodósio, o contributo da UAIg para a economia regional assenta, antes de mais, na formação de graduados qualificados que alimentam o tecido económico local. Ao dotar os estudantes de competências adequadas, a UAlg capacita tanto novos empreendedores a criar os seus próprios negócios como profissionais aptos a prestar serviços essenciais à região. Ainda assim, considera que existe um potencial significativo por explorar, sobretudo no domínio da produção sustentável de alimentos em terra e no mar. A investigadora destaca o papel estratégico da economia azul no Algarve, sublinhando que a costa algarvia continua a oferecer oportunidades pouco aproveitadas para a produção de alimentos marinhos de baixo nível trófico = como bivalves, mexilhão ou caranguejo recursos que podem ser cultivados de forma sustentável, ao contrário de muitas espécies de peixe já sobreexploradas. "ê usar recursos que ainda estão por usar, que têm potencial para serem produzidos de forma sustentável e garantir a nossa alimentação, que será saudável para o ambiente e, sobretudo, para nós", esclarece. Teodósio aponta ainda para o impacto que a sustentabilidade pode ter dentro da própria universidade, dando como exemplo a oferta alimentar das cantinas da UAIg, que procura refletir estes princípios: “Gostava também de dar o exemplo através do alimento que é fornecido nas nossas cantinas. Este desafio que a oferta do alimento nas nossas cantinas responde a todas estas questões da sustentabilidade, quer em terra, quer no mar.” Financiamento: o maior desafio O financiamento surge como a preocupação central para os próximos anos. A previsão de diminuição do número de estudantes em Portugal preocupa as instituições de ensino superior e a UAlg não é exceção. “Temos um corpo docente e de investigador a crescer, mas os contratos ainda não são justos para todos. E a academia precisa de solidificar esses vinculos. Mas sem o financiamento do Orçamento de Estado é um desafio. E ele está também muito relacionado com a prevista redução do número de estudantes. O financiamento e em função do número de estudantes e, associado ao envelhecimento, também temos cada vez menos estudantes a chegar ao ensino superior”, alerta a reitora. Entre as respostas pos-síveis esta a expansão da internacionalização e o reforço das microcredenciais dirigidas a adultos ja no mercado de trabalho, que necessitam de requalificação num contexto de mudanças aceleradas. “As mudanças são muito drásticas e a universidade também tem de estar preparada para dar essa oferta a este outro grupo de estudan-tes já inseridos no mercado de trabalho. ? isSo vai ser outro desafio", aponta. O legado que quer deixar No final do mandato, Alexandra Teodósio deseja deixar uma universidade “mais aberta à região", com mais infraestruturas desportivas, mais parcerias municipais e mais presença no Barlavento. A expansão da oferta formativa e o reforço da atratividade institucional são metas claras. “o crescimento do nosso número de estudantes também depende muito da nossa capacidade de oferta formativa inicial, se tem exposições e licenciaturas na zona de Barlavento. Sem descurar todas as outras zonas, mas vai ser uma aposta também que é preciso desenvolver durante este mandato”, destaca. A primeira reitora da Universidade do Algarve inicia agora um ciclo novo, marcado tanto pela continuidade do trabalho desenvolvido como vice-reitora quanto pela ambição de projetar a academia algarvia num futuro mais sustentável, mais internacional e mais próximo das pessoas. A primeira mulher a assumir a liderança da Universidade do Algarve, quer uma academia "mais aberta à região” e um modelo de ensino modernizado, adaptado à "Geração Z". Em exclusivo ao Jornal do Algarve, Alexandra Anica Teodósio revelou as prioridades e desafios que marcarão 0 início do seu mandato P6e7 JÉSSICA MESTRE