EXPOSIÇÃO DE JOÃO PEDRO VALE E NUNO ALEXANDRE FERREIRA VALE FERREIRA: ENTRE BRAGA E NOVA IORQUE PARA VER NA ZET GALLERY
2025-12-08 22:07:32

Símbolos da produção artística que consciencializa para os assuntos da liberdade sexual e para as questões que afetam a comunidade LGBTQIA+, João Pedro Vale e Nuno Alexandre Ferreira procuram explorar o imaginário local para criar novas abordagens para peças novas ou pré-existentes. “Peculiar”, inspirada na estátua de D. João Peculiar, retirada em 2016 do espaço público de Braga, foi criada especificamente para a exposição na ZET. A inspiração para o nome da exposição, “Vale Ferreira: Braga , Nova Iorque”, está na persona e obra de António Variações, amarense que cedo se mudou para Lisboa e se constituiu como um símbolo de liberdade para uma geração que estava a sair de mais de 40 anos de ditadura. Ao longo de 10 obras em que recorrem a diferentes técnicas e materiais, nomeadamente, instalação sonora, escultura ou pintura, João Pedro Vale e Nuno Alexandre Ferreira (JPV + NAF) exploram assuntos como a sexualidade, as identidades ou a liberdade. Na ZET, os artistas partem da obra de António Variação, que esteve na origem do nome da exposição, para mostrarem o seu trabalho sem limites ou barreiras. Para Helena Mendes Pereira, diretora geral e curadora da ZET Galeria de Arte, que descreve os artistas como dos mais influentes e importantes da sua geração, é importante esta ligação das obras a Braga. “No início da década de 1980, durante a gravação do álbum “Anjo da Guarda” nos estúdios da Valentim de Carvalho, o produtor Nuno Rodrigues perguntou-lhe: “António, queres que isto soe como?” António Variações respondeu: “Quero que a minha música seja qualquer coisa entre Nova Iorque e a Sé de Braga”, pretendendo descrever a fusão de estilos que procurava na sua música, combinando a sofisticação e a modernidade de Nova Iorque com as raízes e a tradição de Braga. O que o JPV + NAF nos apresentam tem essa caraterística, de partir daqui, de Braga, mas que transporta uma mensagem universal de resistência, de liberdade, de orgulho, que subscrevemos. Os espaços culturais não podem ficar em em cima do muro , devem ter uma posição política e expressá-la”, defende. Para a curadora, “é uma reflexão sobre os tempos escuros que vivemos e sobre as reminiscências de tudo isto no passado e na construção das inquestionáveis identidades. Aquilo que sabemos hoje é que, também eles, também esta exposição, está algures entre Braga e Nova Iorque e também eles, como António Variações, estão entre as vozes mais ruidosas e pertinentes de uma geração”, comenta. JPV + NAF destacam o carácter político da sua obra, uma caraterística que os acompanha desde o início da sua obra. “Eu gosto de pensar que somos uma espécie de maratonistas, desde que começámos. Não somos sprinters, nem panfletários, independentemente dos contextos sociais e políticos que atravessámos ou que estamos a viver agora. Tudo o que fazemos é um ato político e, se escolhermos nada ter que ver com a política, isso é também um ato político”, defendem. A exposição “Vale Ferreira: Braga , Nova Iorque” estará patente até 10 de janeiro de 2026.