T-DRIVE, UMA FORMA DIFERENTE DE CONCEBER UM MOTOR DE OITO CILINDROS
2025-12-11 22:06:16

As marcas de automóveis têm a necessidade de desenvolver sistemas diferentes dos convencionais, tanto para estudar novas tecnologias, como para garantir que os seus automóveis estão à frente da concorrência e satisfazem as necessidades dos seus clientes. Para isso, o mundo automóvel está em constante evolução e estudos para novos desenvolvimentos estão sempre na ordem do dia. No entanto, nem todos chegam aos concessionários das marcas, muitas vezes devido ao custo associado à nova tecnologia, outras vezes porque não foram atingidos os objectivos delineados. Uma dessas tecnologias foi o motor T-Drive da Ford, um sistema inovador e diferente de produzir um motor de oito cilindros em linha, desenvolvido por Donald Lewis Carriere, engenheiro que esteve mais de 40 anos na Ford e com várias patentes a ele associadas. Donald desenvolveu e patenteou o sistema T-Drive, que tal como o nome indica é um sistema em T, onde o motor de oito cilindros em linha está colocado transversalmente no cofre do motor, mas a caixa de velocidades está colocada longitudinalmente, apoiada no meio desta. Um pouco idêntico ao sistema que a Ferrari utilizou, ou até mesmo o Lamborghini Miura, mas aí os motores estavam colocados na zona central traseira do automóvel. Com o sistema T-Drive, a Ford poderia seleccionar o tipo de tracção a aplicar, se apenas tracção traseira, tracção integral ou até mesmo tracção frontal. Este sistema tornava-se muito mais compacto, não havendo a necessidade de um cofre do motor de dimensões generosas. Este sistema chegou a ser testado em automóveis “reais”, com dois protótipos de testes produzidos: um Ford Tempo e um Ford Thunderbird, dos quais hoje apenas existem as imagens da época tiradas pela publicação Car and Drive. Além destes, a Ford ainda equipou vários protótipos com este sistema, para atrair ainda mais atenção nos salões, como é o caso do protótipo Ford Contour apresentado em 1991, que até teve direito a um chassis desenvolvido propositadamente para receber o motor T-Drive, produzido em alumínio pela Reynolds Aluminum e pela Advanced Manufacturing da Ford. O protótipo Mercury Mystique, também de 1991, coadjuvava o motor T-Drive com uma carroçaria monovolume, mostrando a flexibilidade deste sistema. Infelizmente, a motorização T-Drive acabaria por não chegar à produção, com a Ford a centrar as suas atenções nos motores Duratec de duas árvores de cames à cabeça.