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E-LAR COM O DOBRO DO DINHEIRO QUER CHEGAR A 59 MIL FAMÍLIAS

Negócios Online

2025-12-11 22:06:17

“Vouchers” esgotaram rapidamente na primeira edição do programa de apoio à conversão de equipamentos a gás por elétricos. O Governo avança com uma nova fase com mais dinheiro, mas também corrigida de falhas como o apoio à selagem do gás para as famílias mais carenciadas. Bastaram seis dias, ou seja, menos de uma semana, para esgotar todos os “vouchers” do E-Lar. Ainda existem apoios para serem descontados junto dos comerciantes de eletrodomésticos, mas o Governo decidiu avançar já com uma nova fase do mesmo programa com mais do dobro da dotação para que mais famílias possam fazer a transição do gás para uma energia mais sustentável, a elétrica. A meta, diz a ministra do Ambiente e Energia, é chegar a 59 mil famílias. “A primeira fase do programa E-Lar foi um sucesso, mas não foi um sucesso inesperado”, diz Maria da Graça Carvalho ao Negócios, suportada na velocidade a que o número de candidaturas superou o de “vouchers” disponibilizados. “Sabíamos de antemão que o processo de descarbonização - passo obrigatório para a transição para energias sustentáveis - tem de ser incentivado e apoiado, sobretudo junto das famílias com menos recursos”, acrescenta como justificação para esse sucesso. De acordo com os últimos dados, das 21.662 candidaturas validadas só tinham sido utilizados 7.255 “vouchers”, sendo que muitos destes ainda o podem vir a ser. Contudo, em vez de aguardar o final do processo para perceber o que ficou ou não por utilizar, como aconteceu no caso dos “cheques” para a mobilidade elétrica, o Governo abriu uma nova fase que arranca agora. É nossa intenção que chegue ao maior número de famílias possível. Maria da Graça Carvalho Ministra do Ambiente e Energia “Mantivemos a essência do programa, mas dada a procura, reforçámos a dotação para mais do dobro, tentando evitar que a verba seja comprometida logo nos primeiros dias do concurso”, diz a ministra ao Negócios. Se na primeira edição existiam 30 milhões, agora a verba ascende a 60,83 milhões de euros. Este valor está repartido de forma igual entre os dois grupos de beneficiários: 30,417 milhões de euros para os beneficiários da Tarifa Social de Energia Elétrica e 30,417 milhões para a classe média. O Governo aponta, com o aumento de verbas, chegar a mais famílias com esta medida. “É nossa intenção que chegue ao maior número de famílias possível e, pelas nossas contas, devemos conseguir ajudar nesta transição energética pelo menos 59 mil agregados familiares”, revela Maria da Graça Carvalho. Resposta às críticas Inserido no Plano de Recuperação e Resiliência, este programa apoia a substituição de equipamentos a gás por alternativas elétricas mais eficientes, reforçando a eletrificação dos consumos, a eficiência energética e a recolha e reciclagem de equipamentos antigos. São elegíveis placas elétricas, fornos, conjuntos elétricos (placa e forno) e termoacumuladores elétricos com classe A ou superior, ou classe B no caso de modelos superiores a 30 litros. Além dos apoios para a aquisição dos equipamentos, definidos com base nos valores de mercado destes, por forma a permitir o apoio na totalidade para os mais carenciados , a classe média terá sempre de suportar o IVA -, o E-Lar também cobre os custos de transporte e montagem dos eletrodomésticos para aqueles que são beneficiários da Tarifa Social de Energia Elétrica. Contudo, nesta nova fase, “fomos sensíveis a algumas das críticas que faziam sentido na primeira edição e juntámos aos serviços que já eram pagos no caso das famílias vulneráveis, tal como o transporte e instalação, um extra para garantir o fecho das condutas de gás em segurança”, nota Maria da Graça Carvalho. Em causa está um serviço que agora será apoiado com 50 euros. Paulo Moutinho paulomoutinho@negocios.pt Paulo Moutinho