pressmedia logo

FORD RECUA NOS VEÍCULOS ELÉTRICOS COM PROCURA A CAIR E POLÍTICA HOSTIL

Euronews Portugal Online

2025-12-16 22:09:16

Empresa vai apostar na produção de veículos híbridos e a gasolina, e em modelos elétricos mais pequenos e acessíveis Ford afasta-se dos até há pouco ambiciosos planos para veículos elétricos, numa altura de perdas financeiras, e privilegia o investimento em motores a gasolina e híbridos, disse a empresa na segunda-feira. Sediada em Detroit, a fabricante, que tal como a maioria dos concorrentes investiu milhares de milhões na eletrificação, anunciou que deixará de produzir a pick-up elétrica F-150 Lightning, optando antes por uma versão de autonomia alargada do modelo. Ford vai também introduzir alterações na produção. O Tennessee Electric Vehicle Center, parte do campus BlueOval City e antes apontado como o futuro dos veículos elétricos e baterias da Ford, passa a chamar-se Tennessee Truck Plant e produzirá, em alternativa, novos camiões a gasolina de preço acessível. A Ohio Assembly Plant da Ford irá fabricar uma nova carrinha a gasolina e híbrida. Futuro de BlueOval City Desde 2023, a empresa perdeu 13 mil milhões de dólares (11,06 mil milhões de euros) com os veículos elétricos e diz esperar um impacto de 19,5 mil milhões de dólares (16,59 mil milhões de euros), sobretudo no quarto trimestre, devido ao negócio dos veículos elétricos. "Esta é uma mudança orientada pelo cliente para tornar a Ford mais forte, resiliente e rentável", disse o CEO Jim Farley, em comunicado. "A realidade operacional mudou e estamos a redirecionar capital para oportunidades de crescimento de maior retorno: Ford Pro, os nossos camiões e carrinhas líderes de mercado, híbridos e oportunidades de elevada margem como o novo negócio de armazenamento de energia em baterias." A Ford diz esperar que, até 2030, metade das vendas globais sejam híbridos, veículos elétricos de autonomia alargada, que também incluem um motor a gasolina, e veículos elétricos, acima dos 17% deste ano. "A eliminação da F-150 Lightning elétrica pela Ford não surpreende depois de a pick-up não ter chegado a ocupar a capacidade da fábrica. A opção da Ford de converter um camião a gasolina existente para aceitar o sistema de propulsão elétrico ajudou a reduzir os custos iniciais, o que, em retrospetiva, foi a decisão acertada", disse Sam Fiorani, vice-presidente da AutoForecast Solutions, à Associated Press. "Há meses que o futuro de BlueOval City estava em dúvida e este anúncio fixa a orientação desta grande fábrica", acrescentou Fiorani. "Adicionar um veículo acessível à gama da Ford preenche uma lacuna evidente no mercado." Obstáculos à eletrificação Nos últimos anos, vários outros fabricantes ajustaram os planos para produtos eletrificados, numa altura em que a procura por veículos elétricos nos Estados Unidos ficou aquém das expectativas. Os veículos elétricos representaram cerca de 8% das vendas de automóveis novos nos Estados Unidos no último ano, mas fatores como o custo e a infraestrutura de carregamento continuam a preocupar o comprador comum. O preço médio de transação de um novo veículo elétrico no mês passado foi de 58 638 dólares (49 900 euros), face a 49 814 dólares (42 400 euros) para um automóvel novo no geral, segundo o Kelley Blue Book. Entretanto, apesar de a disponibilidade de carregamento público ter melhorado, o setor tem apostado no carregamento doméstico como argumento de venda, e nem todos têm acesso a carregamento em casa. Viragem política Desde que reassumiu o cargo, o Presidente Donald Trump alterou drasticamente a política dos EUA, afastando-a dos veículos elétricos, chamando "mandato" às medidas favoráveis aos veículos elétricos estabelecidas sob o ex-Presidente Joe Biden. Embora as políticas da era Biden, incluindo incentivos fiscais generosos para consumidores e regras de emissões e consumo para os fabricantes, tenham incentivado a adoção de veículos elétricos, nenhuma obrigava a indústria a vender ou os norte-americanos a comprar veículos elétricos. Biden tinha como meta que metade das novas vendas de automóveis nos Estados Unidos fosse elétrica até 2030. A administração Trump reduziu essa meta, eliminou os créditos fiscais para veículos elétricos e propôs o abrandamento das regras de emissões e consumos. "A combinação da lenta adoção de veículos elétricos pelo público e da postura mais branda da administração Trump sobre consumos e emissões levou todos os fabricantes a repensar a sua direção atual", acrescentou Fiorani. "Os veículos elétricos continuam a ser o futuro, mas a transição para os elétricos sempre iria demorar mais do que os fabricantes têm vindo a prometer ao público."