TOYOTA AYGO X AGORA É HÍBRIDO COM MAIS POTÊNCIA E MENOS CONSUMO
2025-12-16 22:09:16

O novo Aygo X estreia a tecnologia híbrida no segmento dos SUV compactos. Fomos conduzi-lo e os consumos impressionam tanto como a evolução dinâmica, mas o preço deverá subir. Enquanto muitos fabricantes abandonam o segmento dos citadinos por falta de rentabilidade ou o transformam em algo puramente eléctrico, a Toyota decidiu seguir um caminho diferente. Com o lançamento do novo Aygo X, previsto para chegar a Portugal no início de 2026, a marca japonesa completa uma missão ambiciosa: electrificar toda a frota europeia. Este é o primeiro full-hybrid do segmento, uma distinção técnica que merece ser explicada antes de passarmos à estrada. Ao contrário dos sistemas mild-hybrid que vemos em concorrentes directos, onde uma pequena bateria apenas dá uma ajuda ligeira ao motor de combustão, este Aygo X é um híbrido a sério. O sistema permite que o carro ande apenas com energia eléctrica em diversas situações, especialmente no pára-arranca das cidades. Isto é conseguido graças à tecnologia herdada e adaptada dos irmãos mais velhos, o Yaris e o Yaris Cross. Para quem nos lê e gosta de números, esta mudança traduz-se numa eficiência recorde para um carro sem necessidade de ligar à tomada, com a marca a anunciar emissões de 86 g/km de CO2. Mais músculo, mas também mais peso A grande novidade está debaixo do capot. O antigo motor de 1.0 litro usado pelo Aygo X anterior foi reformado. No lugar deste, encontramos agora um bloco de 1.5 litros a gasolina, auxiliado por um motor eléctrico de 60cv. A potência combinada sobe para uns respeitáveis 116cv. Para se ter uma ideia do salto evolutivo, estamos a falar de um acréscimo de 44cv face à geração anterior. Este aumento de potência não serve apenas para mostrar na ficha técnica; transforma completamente a capacidade de o carro sair da sua zona de conforto urbana. Contudo, a introdução de baterias e sistemas eléctricos tem um custo na balança. O novo conjunto híbrido adicionou cerca de 140 quilos ao peso total do veículo. Por outro lado, o centro de gravidade desceu 40 milímetros. Na prática, isto significa que o carro está mais “agarrado” à estrada. Ao volante pelas estradas de Itália Foi na pitoresca zona da Toscânia que pusemos o Aygo X à prova. A primeira sensação que fica é a de maturidade. O aumento da potência e a disponibilidade imediata de binário, cortesia do motor eléctrico, tornaram o modelo muito mais reactivo. Se antes uma ultrapassagem em estrada nacional exigia um planeamento cuidado e talvez uma oração, agora o Aygo X despacha o assunto com uma confiança surpreendente, conseguindo lidar bem com velocidades mais altas sem que o motor pareça estar em sofrimento. Está longe de ser um desportivo ou ter a reactividade de um 100% eléctrico, mas a potência é q.b. para permitir uma condução divertida. O comportamento em curva foi outra surpresa agradável. A direcção revelou-se precisa e com o peso certo, permitindo apontar a frente do carro com rigor. Graças à plataforma GA-B, conhecida pela rigidez, e ao tal centro de gravidade mais baixo, o rolamento da carroçaria é contido. Raramente notámos subviragem - aquela tendência de o carro ir em frente quando queremos virar - e a traseira mostrou-se sempre muito composta. É um carro divertido, que cumpre a promessa de uma condução mais enérgica. Foto No interior há agora um ecrã central de grande dimensão com suporte para Android Auto e Apple CarPlay DR Para quem procura algo com um visual mais agressivo, a Toyota propõe a versão GR Sport. Esta destaca-se pelo esquema de cores, com o capot em preto e detalhes em amarelo mostarda, inspirados na Gazoo Racing. Embora a marca refira uma afinação específica da suspensão e direcção para esta versão, a verdade é que, com a mesma motorização, não nos parece a escolha mais racional, servindo mais o ego estético do que a performance real. A prova dos nove: os consumos Numa altura em que o preço dos combustíveis continua a ser uma dor de cabeça para as famílias portuguesas, é aqui que o Aygo X brilha. A marca anuncia um consumo oficial de 3,7 litros aos 100 quilómetros. Normalmente, olhamos para estes valores com cepticismo, mas este nosso primeiro contacto revelou que a realidade não anda longe. Num primeiro percurso misto, que incluiu meia hora no trânsito caótico de Florença e outra meia hora em auto-estrada à velocidade máxima permitida por lei, o computador de bordo marcou 4,9 l/100 km. Mas o que realmente impressionou foi o comportamento em estrada nacional. Numa condução mais dinâmica, a puxar pelo carro para testar os limites do chassis, ficámos pelos 5,5 l/100 km. Depois, repetindo o tipo de estrada, mas com uma condução cuidada e defensiva, conseguimos baixar para uns incríveis 3,9 l/100 km. Parte deste segredo reside na inteligência do sistema. O carro utiliza informações geográficas para gerir a energia. Por exemplo, se o sistema de navegação sabe que se aproxima uma descida, o carro gasta mais bateria na subida anterior, sabendo que poderá regenerar essa energia logo a seguir. É a tecnologia a trabalhar para a carteira do condutor. Vida a bordo e tecnologia Apesar de ter crescido em “músculo”, o Aygo X mantém as dimensões compactas que facilitam a vida na cidade, com o mesmo espaço entre eixos do antecessor. O interior foi renovado e apresenta um desenho limpo, mas há contrastes. Temos um ecrã central de dimensões generosas, mas o software da Toyota continua a pecar por ser demasiado espartano. Há poucas funcionalidades nativas para explorar e o grafismo já acusa o peso da idade, parecendo algo datado face à concorrência mais digital. A versão GR Sport tem linhas mais desportivas e capot em preto, mas a motorização é a mesma DR A versão GR Sport tem linhas mais desportivas e capot em preto, mas a motorização é a mesma DR Fotogaleria A versão GR Sport tem linhas mais desportivas e capot em preto, mas a motorização é a mesma DR A solução, como quase sempre actualmente, passa por ignorar o sistema nativo e ligar o telemóvel. Felizmente, o suporte para Android Auto e Apple CarPlay está presente em todos os níveis de equipamento e funciona sem fios, o que é uma mais-valia. Já quem quiser carregar o telemóvel por indução terá de optar pelas versões Pulse ou superiores, onde este equipamento está disponível. O espaço a bordo é suficiente para quatro passageiros, mas não esperem milagres num carro deste segmento; atrás, dois adultos ou dois jovens crescidos terão dificuldades e a bagageira, de 231 litros, serve para as compras da semana ou uma mala de viagem, mas pouco mais. A factura fiscal e a sustentabilidade Não podemos ignorar a pegada ecológica. A Toyota afirma que a pegada de carbono total do veículo, desde a produção até ao fim de vida, foi reduzida em 18% face à geração anterior. A utilização de materiais reciclados no interior e a produção numa fábrica que recorre a energias renováveis são passos louváveis. No entanto, há uma nuvem no horizonte para o mercado português: o preço. Embora o valor final ainda não tenha sido anunciado, a matemática fiscal não perdoa. O aumento da cilindrada de 1.0 para 1.5 litros tem um impacto brutal no Imposto Sobre Veículos (ISV). As nossas contas apontam para um agravamento fiscal na ordem dos 2000 euros apenas devido a esta alteração do motor. Somando isto à natural evolução tecnológica e à inflação, é de esperar que o preço base do novo Aygo X fique acima da barreira psicológica dos 20 mil euros. Em suma, o novo Toyota Aygo X é um produto muito mais maduro, competente e económico de utilizar do que o modelo que substitui. É um citadino que não tem medo de sair da cidade. Resta saber se o mercado nacional, altamente sensível ao preço neste segmento, estará disposto a pagar o prémio exigido por toda esta tecnologia híbrida e pelo aumento de cilindrada. A qualidade está lá, mas a factura fiscal poderá ser o obstáculo mais difícil de contornar. tp.ocilbup@ongam.oigres Sérgio Magno