LISBOA ´TRAVA A FUNDO´ NOS ELÉTRICOS E PREPARA LIMITES TEMPORAIS E TARIFAS DE ESTACIONAMENTO EM ZONAS CENTRAIS
2025-12-16 22:09:16

Lisboa prepara-se para uma mudança histórica na política de estacionamento de veículos elétricos. A EMEL, empresa municipal de mobilidade, vai implementar nos próximos anos restrições temporais e tarifárias para os automóveis elétricos, obrigando-os a libertar lugares nas zonas mais procuradas da cidade. Esta decisão marca o fim de um regime de privilégio em vigor desde 2013, que permitia estacionar gratuitamente e sem limites temporais mediante o pagamento anual de 12 euros. De acordo com o Público, o Plano de Atividades e Orçamento da EMEL para 2026-2029 prevê esta revisão como parte de uma estratégia mais ampla para modernizar a política de estacionamento, ajustando tarifas e promovendo maior rotatividade, especialmente nas áreas centrais da cidade. O documento indica que o objetivo é garantir cerca de 15% de lugares livres por arruamento ou por conjuntos de arruamentos vizinhos, assegurando uma distribuição mais eficiente do espaço urbano. O aumento do número de veículos elétricos tem vindo a pressionar o sistema de estacionamento. Em novembro, Lisboa contava com 40.479 dísticos verdes, número que se revelou insuficiente para responder à procura. A EMEL observa que a maior parte destes selos pertence a carros provenientes de fora da cidade, com 62% dos veículos a vir de outros concelhos da Área Metropolitana de Lisboa (AML), e 49% destes especificamente de fora de Lisboa, incentivando o uso do automóvel privado nos deslocamentos pendulares. O crescimento da frota elétrica e dos dísticos de residente tem também aumentado o chamado “trânsito parasita”, ou seja, a circulação adicional causada pela procura de estacionamento, que contribui para um aumento desnecessário das emissões. A EMEL reconhece que, mesmo com a criação de uma média de 2.100 novos lugares por ano até 2029, a oferta continuará a ser insuficiente, obrigando a medidas que promovam a rotação e um uso mais racional do espaço público. Para garantir a rotatividade, a empresa planeia monitorizar a ocupação de veículos elétricos e reconfigurar o dístico verde, introduzindo mecanismos de limitação temporal ou tarifária que desincentivem o estacionamento prolongado. Esta estratégia será acompanhada por um reforço da rede de postos de carregamento de veículos elétricos, tanto na via pública como nos parques da EMEL, garantindo que o incentivo à mobilidade elétrica e à descarbonização se mantenha. Paralelamente, a revisão das tarifas de rotação nas zonas tarifadas da cidade visa refletir melhor a procura e incentivar a rotatividade nos locais de maior pressão. Os preços, atualmente entre 0,80EUR por hora nas zonas verdes e 2EUR por hora nas zonas castanhas, serão ajustados e harmonizados com as tarifas de parques fechados da EMEL, promovendo o uso complementar destes e reduzindo a circulação em busca de estacionamento.