ESTE MASERATI NÃO É PARA TODOS. O GT2 STRADALE ESTÁ À ALTURA DOS RIVAIS?
2025-12-17 22:13:06

Este Maserati GT2 Stradale é para quem quer mesmo conduzir. Tem a verdadeira medida de um supercarro moderno. Maserati GT2 Stradale Primeiras impressões 8.5/10 O Maserati GT2 Stradale apura a receita de um supercarro à moda antiga: só a combustão e nem um eletrão à vista. Prós EstiloExclusividadeDetalhesBoa dieta de peso Este Maserati GT2 Stradale não é apenas uma versão mais rápida do MCPura. É aquilo que acontece quando a Maserati decide tirar peso, aumentar potência e transformar um supercarro num instrumento de condução ainda mais preciso, algures no limite entre a estrada e a competição. Isso sente-se desde o momento em que nos sentamos ao volante e ouvimos o Nettuno V6 biturbo ganhar vida. Não há artifícios nem dramas. É direto, cru e muito audível sobretudo quando há espaço suficiente para deixar respirar os seus 640 cv de potência que abdicam de qualquer ajuda elétrica. Tive oportunidade de o conduzir em estrada e de o pilotar no circuito que o viu nascer, o Autódromo di Modena, em Itália. Neste vídeo, tento colocar por palavras tudo aquilo que o Maserati GT2 Stradale tentou transmitir-me. As sensações ao volante, acelerações e travagens no limite são uma linguagem universal: Da competição para a estrada A frase acima é um lugar comum, mas a verdade é que o GT2 Stradale nasce de um contexto muito claro. A Maserati voltou à competição, venceu e decidiu lançar uma versão evocativa dos recentes sucessos na competição. Há aqui uma linha direta entre o programa GT2 de competição e aquilo que podem levar para a vossa garagem. © Razão Automóvel O Maserati GT2 Stradale não é um exercício de estilo nem uma edição especial para o preencher um catálogo. Se tiverem dúvidas, conduzam um. O motor continua a ser o V6 Nettuno de 3,0 litros biturbo, aqui com 640 cv. Nos dias que correm é um número pouco expressivo. Mas quem gosta verdadeiramente deste tipo de versões sabe que a potência não é o mais importante. Veja-se o caso do Porsche 911 GT3 RS que “apenas” excede marginalmente os 500 cv O contexto não engana. O GT2 Stradale é a materialização da nova era da Maserati na competição. Voltaram ao GT2, venceram logo no primeiro ano e decidiram levar esse know-how para a estrada. Produzido em série limitada a 914 unidades (referência ao ano de fundação da marca, 1914), o GT2 Stradale promete tornar-se um dos modelos mais puristas e exclusivos da marca em décadas. Menos peso, mais intenção O peso anunciado é de 1365 kg a seco, o que representa um corte significativo face aos valores reais do MC20 standard, que foi sempre criticado pelo peso excessivo. A receita passou por retirar peso e adicionar componentes de competição. A Maserati afirma uma poupança de 60 kg face ao MC20 base. Cada banco de carbono desenvolvido com a Sabelt permite reduzir 20 kg e a consola central também foi redesenhada com o mesmo objetivo. A suspensão está mais firme, a rigidez estrutural aumentou e o habitáculo foi simplificado. Os tapetes passam a ser opcionais. Mais importante do que o número é o carácter. A resposta ao acelerador é imediata, a entrega de binário é forte desde cedo e a progressão é constante. Não há picos artificiais nem suavizações desnecessárias. A sensação é sempre mecânica e muito física. A ligação entre o pedal direito e o eixo traseiro é clara e sem filtros. © Razão Automóvel Tudo o que acontece é consequência direta do que o condutor faz. Para o bem e para o mal Em estrada é pouco GT2 Em estrada, nas imediações de Modena, o GT2 Stradale deixa mais ou menos claro ao que vem. Tive oportunidade de testar durante alguns quilómetros um MC20 Cielo no mesmo percurso, o que permitiu uma comparação direta entre ambos. Ou seja, entre os extremos da gama MC20 (agora MCPura). A suspensão é mais firme, mas apesar do som de escape mais audível, é confortável e intimida menos do que eu estava à espera em estradas mais degradadas. E em Itália, nas montanhas perto do Circuito de Modena, a circular entre pequenas vilas com um asfalto pouco recomendável a quem tem problemas de costas, não senti que estivesse a pedir uma ida ao meu osteopata. Quando o ritmo sobe, o chassis assenta, o carro ganha fluidez e passa tudo a fazer ainda mais sentido. A frente é mais precisa e a traseira acompanha. É um carro que em qualquer estrada pública está claramente abaixo das suas capacidades. © Razão Automóvel O GT2 Stradale é um supercarro que recompensa quem conduz. Tal como no MCPura, a posição do sistema de infoentretenimento continua a não ser a melhor, mas honestamente, aqui não é uma prioridade. E quando saio da estrada para ir para a pista, esqueço estas frescuras do dia a dia, para libertar este animal italiano onde ele deve viver feliz. Um animal em pista Em pista, em Modena, o GT2 Stradale revela a sua verdadeira natureza. A aerodinâmica revista começa a trabalhar a sério, sobretudo em apoio rápido e nas zonas de travagem. A estabilidade é muito mais elevada, a frente mantém-se sólida e a traseira transmite imensa confiança mesmo quando chegamos perto do limite. Não é um carro traiçoeiro. Visualmente, o GT2 Stradale pode intimidar, mas está longe de ser difícil de conquistar. Não quero com isto dizer que os nossos erros em pista são disfarçados, mas as ações certas são recompensadas. A leitura dos limites é clara e progressiva, o que permite ganhar ritmo volta após volta, sem surpresas. Por mim ainda lá estava O trabalho feito na redução de peso e no aumento de rigidez estrutural sente-se em cada transição. Há menos inércia, respostas mais rápidas e uma sensação de precisão constante. A travagem é forte e consistente, a caixa reage com rapidez e todo o conjunto transmite sempre a ideia de estar preparado para mais uma volta. Na verdade, foram oito voltas ao circuito de Modena sem levantar o pé. Não é para todos (e ainda bem) O GT2 Stradale não tenta ser tudo para todos, para esses, o Maserati MCPura é a melhor opção. Este GT2 procura ser fiel a uma ideia muito específica de supercarro. Um carro construído em torno de um motor de combustão, de um chassis afinado sem concessões e de uma ligação direta entre máquina e condutor. Nos dias que correm é quase um manifesto. É italiano no sentido certo e no fim, feitas as contas, não fica na memória pelos números. Fica porque obriga o condutor a estar presente, envolvido e comprometido. E isso continua a ser, para mim, a verdadeira medida de um grande supercarro. Em Portugal, o Maserati GT2 Stradale tem preços a começar nos 355 454 euros - um valor que o coloca em linha com a referência Porsche 911 GT3 RS -, mas este valor pode subir rapidamente para perto de meio milhão de euros, selecionando algumas opções. Veredito Maserati GT2 Stradale Primeiras impressões 8.5/10 Diogo Teixeira