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ELÉTRICOS PODEM PERDER BENEFÍCIOS DE ESTACIONAMENTO EM LISBOA

Razão Automóvel Online

2025-12-17 22:13:07

A EMEL vai rever os benefícios de estacionamento para veículos elétricos, que já ocupam quase metade dos lugares tarifados de Lisboa. Várias cidades já começaram a limitar algumas regalias aos automóveis elétricos, alegando que estes também contribuem para o congestionamento do trânsito - e Lisboa não é exceção. De acordo com o Público, a EMEL (Empresa Municipal de Mobilidade e Estacionamento de Lisboa) prepara-se para rever a política de privilégios para veículos elétricos. Atualmente, os mais de 40 mil dísticos verdes ocupam mais de 46% dos lugares tarifados na cidade, prejudicando a rotatividade e causando perdas estimadas em 3,7 milhões de euros por ano em tarifas não cobradas. O aumento do número de dísticos, a maior parte atribuída a veículos provenientes de outros concelhos da Área Metropolitana de Lisboa, tem ainda contribuído para a pressão nos arruamentos vizinhos e para o crescimento do chamado “trânsito parasita”, ou seja, veículos à procura de estacionamento que aumentam desnecessariamente a circulação e as emissões. © Guilherme Costa / Razão Automóvel No final do ano passado, já existiam 30 702 automóveis com dístico verde. Para comparação, em 2021, este número não chegava aos oito mil dísticos. Desde 2013, o dístico verde permite aos veículos elétricos estacionar sem limite de tempo em todas as Zonas de Estacionamento de Duração Limitada, mediante o pagamento anual de 12 euros. Embora a medida tenha sido criada para incentivar a mobilidade elétrica, a EMEL reconhece que, nas zonas centrais da cidade, tem gerado dificuldades significativas na gestão dos lugares disponíveis. O que pode mudar? A empresa está a planear limitar o estacionamento prolongado para veículos elétricos, mantendo, contudo, os incentivos à mobilidade elétrica e à descarbonização. A chamada “reconfiguração do dístico verde” prevê a introdução de mecanismos de limitação temporal ou tarifária que desincentivem o estacionamento prolongado, acompanhada pela expansão da rede de postos de carregamento, tanto na via pública como nos parques da EMEL. O Plano de Atividades e Orçamento para 2026-2029 apresenta ainda uma estratégia mais ampla para reorganizar a política de estacionamento na cidade. Entre os objetivos estão aumentar a rotatividade nos arruamentos centrais, garantindo cerca de 15% de lugares livres por rua ou conjunto de ruas, e rever as tarifas de rotação, ajustando os preços às áreas de maior pressão e alinhando-os com os parques fechados da EMEL. “A regulação tarifária e a melhor distribuição das tarifas de estacionamento incentivam o uso dos transportes públicos e dos modos de mobilidade suave”, afirma a empresa. Os valores do atual tarifário não são revistos, em grande parte, desde 2011. Apesar da criação média de cerca de 2100 novos lugares por ano até 2029 - o que levará a EMEL a gerir 111 840 lugares na via pública -, a procura continua a superar a oferta, justificando a necessidade de uma política mais equilibrada e eficiente. O Plano de Atividades será discutido hoje em reunião de vereação na Câmara Municipal de Lisboa. Mariana Teles