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MOEVE PREPARA ESTREIA NO CARREGAMENTO DE CAMIÕES

Expresso

2025-12-19 22:09:32

Leiria receberá o primeiro carregador ultrapotente da ex-Cepsa no país Nasceu em Espanha, em 1929, como Compañía Española de Petróleos SA. Durante 95 anos chamou-se Cepsa e dedicou-se, sobretudo, aos combustíveis fósseis, não só do lado de lá da fronteira mas também em Portugal. Mas no final de 2024 passou de Cepsa a Moeve e trocou o vermelho pelo azul, numa mudança de imagem a acompanhar a transição das energias poluentes para as renováveis. Isabel Gorgoso, que em julho de 2025 foi nomeada como CEO (presidente executiva) da Moeve Portugal, admite que a mudança de marca “foi uma aposta muito arriscada”, mas necessária, sobretudo depois de a empresa ter vendido os seus ativos petrolíferos no Médio Oriente, América Latina e e Norte de âfrica. “os poços de petróleo eram um negócio muito lucrativo, mas temos de avançar para outras formas de energia. Mesmo assim, restam-nos décadas de combustíveis fósseis pela frente”, disse a CEO ao Expresso. A empresa mantém as suas refinarias em Huelva e Algeciras, no sul de Espanha, que alimentam milhares de estações de serviço por toda a Península Ibérica (cerca de 260 em Portugal e perto de 2000 em Espanha), 25% das quais já “mudaram de cara” para a nova marca. o processo vai custar EUR130 milhões e deverá ficar concluído em 2027. Ao mesmo tempo, a Moeve está a focar-se cada vez mais na produção de hidrogénio verde e biocombustíveis avançados e no carregamento elétrico para veículos ligeiros e pesados, área na qual tem uma parceria com a alemã Ionity, uma joint venture da BMW, Ford, Hyundai, Mercedes-Benz e Volkswagen. Só para a mobilidade elétrica, o envelope total de investimento da companhia espanhola ronda os EUR600 milhões, confirmou a responsável. acrescentando que “é um plano até 2030 e ainda só vamos a meio”. Em Portugal, a Moeve planeia construir 10 novos hubs com 10 ou mais postos de carregamento elétrico com operação própria até 2028. os primeiros serão em Leiria (arranque previsto para março de 2026) e Almodôvar, reforçando a presença nas autoestradas A1 e A2, respetivamente. Nestes dois locais, a Moeve vai duplicar os carregadores elétricos, dos atuais seis para 12, sendo que em Leiria vai também instalar em março de 2026 um carregador para camiões elétricos com 400 kW (quilowatts) de potência. “e O primeiro em Portugal e o primeiro de sempre em toda a Península Ibérica. A nossa aposta na mobilidade elétrica é muito mais clara em Portugal do que em Espanha. Damos prioridade ao país porque a procura assim o exige”, diz Isabel Gorgoso. Segundo a gestora, a Moeve só instala carregadores elétricos com 150 kW ou mais, para reduzir o tempo de carga. “Selecionámos vários pontos nas principais autoestradas de Portugal. Onde a procura é muito elevada teremos oito a dez postos, ou mais, para que haja sempre carregamento disponível”, garante a responsável. No país, a empresa conta neste momento com uma rede ultrarrápida em 30 estações de serviço. Além disso, revela, a Moeve quer começar a “substituir bombas de gasolina por carregadores elétricos.” Quanto à possibilidade de instalar mais carregadores de 400 kW para camiões, a CEO para Portugal diz que o plano de expansão ainda não está traçado porque “a venda de camiões elétricos ainda é residual, mas está a aumentar”. “Temos planos para instalar nos nossos futuros hubs carregadores que se possa adaptar a pesados e ligeiros, para compensar o investimento. Há modelos elétricos que já aceitam carregadores mais potentes”, explica. No que diz respeito a Espanha, Isabel Gorgoso admite que o país vizinho está “muito mais atrás” na mobilidade elétrica. “o Governo português apostou na criação de uma rede pública de carregado-res, criou a Mobi.E, facilitou investimentos e deu ajudas para as pessoas comprarem carros elétricos. Isso vê-se na estrada”, frisa. Do lado de lá da fronteira, a grande aposta da Moeve passa agora pela nova fábrica de biocombustíveis que está a ser construída perto da refinaria de Huelva. “Já temos 50% do projeto construído. Se não houver surpresas, esperamos entrar em produção até ao final do próximo ano. Será a maior fábrica de biocombustíveis do sul da Europa”, diz. Já no hidrogénio verde, o objetivo da empresa é ter 2 GW (gigawatts) até 2030, com a decisão final de investimento para a primeira fase de 400 MW (megawatts) a ser tomada em dezembro. “o principal obstáculo é o abastecimento de eletricidade de fontes limpas. Mas estamos confiantes de que a partir de 2028 ou 2029 poderemos ter as primeiras produções de hidrogénio verde”, garante a CEO. Enquanto isso, o processo de mudança de marca nas estações de serviço continua, com o vermelho da Cepsa a coexistir com o azul da Moeve nos dois países. Em Portugal, a empresa diz ter uma rede estável e consolidada, não estando prevista a construção de novas estações de serviço. Em Espanha, tem ainda uma terceira marca, a Ballenoil, no segmento de baixo custo. Isabel Gorgoso diz que para já não há planos para a trazer para Portugal, “mas é uma possibilidade, obviamente”. “o mercado português é diferente. Aqui apostamos mais no nosso conceito premium de estações de serviço, que queremos que sejam cada vez mais multienergéticas”, remata. bsilva@expresso.impresa.p NúMEROS 600 milhões de euros é a valor total de investimento que a Moeve quer dedicar à mobilidade elétrica até 2030 130 milhões de euros é quanto vai custar à empresa mudar mais de 2000 estações de serviço em Portugal e Espanha da marca Cepsa para Moeve Isabel Gorgoso lidera a Moeve em Portugal desde julho BÁRBARA SILVA