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DIGITAL REFORÇA AUTONOMIA TECNOLÓGICA DA UE E PREPARA NOVA FASE

APDC Online

2025-12-19 22:09:32

2025-12-18 A implementação do Programa Europa Digital (DIGITAL) impulsionou a transformação digital e o desenvolvimento de competências na Europa, revela a avaliação intermédia divulgada pela Comissão Europeia. Mas, embora esteja a cumprir a sua missão de construir uma Europa mais digitalmente autónoma e competitiva, o sucesso futuro dependerá da capacidade da UE de capitalizar as infraestruturas criadas e de resolver o persistente fosso de investimento no ecossistema de startups e scale-ups Entre as principais conquistas estão o financiamento do JUPITER, o primeiro supercomputador exascale da Europa, contribuindo para a iniciativa de fábricas de IA, assim como os Espaços Europeus Comuns de Dados. Facilitu ainda a implantação de 169 Centros Europeus de Inovação Digital em toda a Europa, apoiando mais de 90 mil empresas e organizações. Com um orçamento de EUR8,16 mil milhões de euros para o período 2021-2027, o DIGITAL entregou resultados concretos em suas áreas estratégicas. Bruxelas considera que as conclusões do estudo demonstram que tem sido um instrumento estratégico fundamental para a transformação digital da União Europeia (UE). Preencheu uma lacuna de investimento crucial na fase de implementação de tecnologias digitais, complementando os programas de investigação e inovação existentes, e está a impulsionar a autonomia e a competitividade do bloco no cenário global. Assim, a análise intercalar mostra que o programa alcançou marcos significativos nos seus seis objetivos específicos, focando na implantação de infraestruturas digitais essenciais e no desenvolvimento de competências avançadas. Um dos impactos considerados mais notáveis é no domínio da Computação de Alto Desempenho (HPC). A UE conseguiu reverter a sua desvantagem competitiva, detento agora três supercomputadores entre os mais rápidos do mundo. Sendo que o destaque é o JUPITER, o primeiro supercomputador de exaescala da UE, que ocupa o quarto lugar no ranking TOP500 e o primeiro lugar em eficiência energética (Green500) Já no eixo de cloud, dados e inteligência artificial (IA), o programa estabeleceu quatro Instalações de Teste e Experimentação (TEFs) setoriais em saúde, manufatura, cidades inteligentes e agricultura, fornecendo ambientes de mundo real para validar modelos de IA. Além disso, foram implantados ou estão em implantação Espaços Europeus Comuns de Dados em 12 setores, facilitando transações de dados confiáveis e inovadoras Na área de cibersegurança, foram estabelecidos 26 Cyber Hubs e uma rede de 27 Centros de Coordenação Nacionais (NCCs), resultando na padronização de práticas e na melhoria da colaboração transfronteiriça. O programa também financiou a implantação de 12 ferramentas complexas de cibersegurança para serviços essenciais No que se refere ao investimento em competências digitais avançadas, foram formadas mais de 20,7 mil pessoas em áreas altamente especializadas, como IA, cibersegurança e semicondutores, através de mais de 50 programas de mestrado e 530 cursos de curta duração. O valor percebido destas formações para as PME varia entre 6.500 e 14.400 euros A avaliação intercalar conclui que o programa é altamente relevante e flexível, adaptando-se rapidamente a um contexto tecnológico em constante mudança. A sua implementação tem sido eficaz na criação de valor acrescentado europeu, nomeadamente através de investimentos estratégicos que seriam impossíveis de realizar apenas a nível nacional. Destaca que com infraestruturas de ponta agora operacionais - desde HPC, ambientes de teste de IA e espaços de dados confiáveis até instalações de semicondutores para a indústria testar, experimentar e validar novas tecnologias de ponta - as organizações públicas e privadas europeias são capazes de inovar mais rapidamente, reduzir custos ao adotar tecnologias avançadas e diminuir a dependência de fornecedores não pertencentes à UE. O DIGITAL também demonstrou fortes sinergias com outros programas de financiamento da UE, como o Horizonte Europa, a Facilidade de Recuperação e Resiliência (RRF) e o Fundo Europeu de Desenvolvimento Regional (FEDER), garantindo uma ponte contínua entre a investigação e a implantação. Mas, apesar dos resultados alcançados, o relatório aponta para desafios na participação, com a necessidade de aumentar o conhecimento do programa em alguns estados-membros. Além disso, a exigência de cofinanciamento (50% na maioria das subvenções) varia significativamente, com países como a Holanda, Dinamarca e Áustria a estabelecerem mecanismos estruturados para o efeito Já o futuro do Programa Europa Digital será marcado pela necessidade de responder à evolução tecnológica, com a inteligência artificial generativa a surgir como uma prioridade. Os programas de trabalho finais (2025-2027) preveem um investimento adicional de 3,2 mil milhões de euros, que incluirá a integração da IA generativa nos TEFs setoriais e o apoio à sua utilização no setor público A longo prazo, a Comissão propõe o Fundo Europeu de Competitividade (ECF) no próximo Quadro Financeiro Plurianual (QFP), com o objetivo de fortalecer o pipeline de investigação para implantação, garantindo um apoio contínuo aos investigadores e inovadores, desde a ideia até à expansão (scale-up) No entanto, o relatório alerta para um fosso de investimento crescente entre as empresas europeias e as suas congéneres americanas, especialmente em rondas de financiamento superiores a 15 milhões de dólares. Esta disparidade reflete-se no número de unicórnios, as empresas avaliadas em mais de mil milhões de dólares: a Europa contava com 286 em 2024, significativamente menos do que os mais de 1.600 nos EUA. Superar este desafio de capitalização será assim crucial para que a Europa mantenha o ritmo da sua transformação digital.