EMPRESÁRIOS OPTIMISTAS PARA 2026, MAS EXIGEM REFORMAS ESTRUTURAIS
2025-12-22 22:08:15

XLV ITI 3ARóMETRO ApOIOS: kbs novobanco S resultados do XLV Barómetro Executive Digest mostram um quadro de confiança no desempenho económico alcançado este ano e nas perspectivas de crescimento para 2026, ainda que existam alguns receios macroeconómicos e uma exigência urgente de reformas estruturais. Globalmente, 2025 foi considerado um ano muito positivo para as empresas inquiridas. Mais de 60% consideraram que foi melhor (54%) ou muito melhor (10%) do que 2024, enquanto 30% mantiveram os seus resultados. Destaque,se que apenas 6% reportaram um desempenho inferior relativamente ao ano transacto. A melhoria confirma-se nas projecções para 2026. 71% das empresas antecipam aumento de volume ne-gócios, com 48% a preverem crescimentos até 10%, 15% entre 10% e 20%, e 8% acima dos 20%. Apenas 2% prevêem uma quebra, e 25% estimam manter os níveis actuais. Estes dados revelam também uma base sólida de confiança deste universo empresarial. O QUE àS EMPRESAS ESPERAM PARA 2026 O optimismo é também extensível às perspetivas setoriais para 2026. 80% dos inquiridos antecipam crescimento no seu sector de atividade: 70% contam um crescimento moderado, enquanto 10% esperam um forte crescimento. Do total de empresários ouvidos, apenas 15% prevêem uma estagnação e 5% uma ligeira retracção. Nenhum dos inquiridos antecipa uma quebra acentuada. Quanto aos planos de investimento, 45% das empresas inquiridas contam aumentar o investimento (5% de forma significativa), enquanto um pouco menos de metade (47%) pretende manter os níveis atuais. Apenas 5% prevêem uma redução. Esta distribuição de valores mostra-nos que existe um equilíbrio entre ambição e prudência por parte dos empresários, reflectindo confiança no futuro, mas também atenção a possíveis riscos externos. INTELIGENCIA ARTIFICIAL: APOSTA ESTRATEGICA ? IMPACTANTE A Inteligência Artificial (IA) é uma prioridade estratégica para as empresas em 2026. Mais de metade dos inquiridos (53%) planeiam aumentar o investimento em IA e 15% pretendem expandir a sua utilização no dia-a-dia das suas empresas. Apenas 2% dos inquiridos ainda não utiliza IA, o que mostra uma rápida e generalizada adopção desta tecnologia. No que toca ao possível impacto laboral da IA nas empresas, 57% acreditam que esta aumentará a produtividade, mas com a necessidade da realocação de trabalhadores para novas funções. No entanto, 30% prevêem reduções na força de trabalho: 22% até 5% e 8% entre 5% e 10%. Nenhum empresário/gestor antecipa cortes superiores a 10%. Desta forma, é possível concluir que a IA é vista como um motor de eficiência e reorganização, e não tanto como responsável por desemprego em massa. ORçAMENTO DO ESTADO ? aS REFORMAS PRIORITaRIAS Metade dos participantes no XLV Barómetro Executive Digest avaliam o Orçamento do Estado para 2026 como globalmente positivo, mas consideram que o documento poderia ser melhorado. Assim, 35% vêem-no como neutro, enquanto apenas 7% aprovam-no sem reservas. Do outro lado do espectro, 5% consideram-no negativo. XLV BARÓMETRO EXECUTIVE DIGEST De entre as reformas mais exigidas pelos empresários destacam-se a redução da carga fiscal sobre as empresas (IRC), a desburocratização e a promoção do crescimento económico. Outras áreas referidas incluem a Saúde e a Justiça, a Reforma Laboral e a execução do PRR. Curiosamente, a redução do IRS e a digitalização surgem com apenas 10% de prioridade. O destaque dado pelos empresários à fiscalidade e à eficiência administrativa mostra-nos quais são os principais entraves à competitividade identificados pelo sector privado. Os PRINCIPAIS RECEIOS E RISCOS PARA 2026 Apesar do optimismo interno, os empresários manifestam fortes preocupações com o contexto externo e com os possíveis impactos que este pode ter nos seus negócios. O maior receio é o de crises financeiras (73%), seguido por guerras comerciais (40%), crises políticas (38%) e conflitos militares (38%). Estes factores explicam, em parte, a prudência dos inquiridos nos planos de investimento das empresas que lideram. Internamente, a falta de mão-de-obra preocupa 35% dos empresários, enquanto 13 % receiam rupturas nas cadeias de abastecimento e 8% apontam a escassez de matérias-primas. Esta contradição (entre confiança interna e receios externos) sinaliza o estado de espírito empresarial: crescimento sustentado, mas vulnerável a choques sistémicos. CONCLUSàO Resumindo, o XIV Barómetro Executive Digest mostra-nos um tecido empresarial competitivo e robusto, com resultados positivos em 2025 e expectativas sólidas de crescimento sustentado para 2026. A aposta estratégica na Inteligência Artificial como factor essencial de productividade, inovação e transformação é clara, embora tenha de ser acompanhada por uma reestruturação laboral moderada e responsável. Os planos de investimento reflectem confiança no futuro, mas também cuidado prudente, motivado por receios macroeconómicos e geopolíticos que continuam a influenciar as decisões. PAINEL Adrian Bridge, Taylors Port Alberto Ramos, Bankinter Alberto Rui, IPG Mediabrands Alexandra Andrade, Adecco Portugal Alexandre Fernandes, Klarna Alvaro Covões, Everything Is New Alvaro Nascimento Inquest Amândio da Fonseca, EGOR Ana Figueiredo, Altice Ana Passos, Universidade Europeia Ana Salomé Martins, Symington Family Estates Ana Trigo Morais, Ponto Verde André Freire de Andrade, Dentsu António Casanova, Unilever António Castanho, CA Seguros António Chaves Costa, Tecnifar António Correia, PwC António Cunha Vaz, Cunha Vaz & Associados António Donato, Tecnimede António Gonçalves, Hotéis Real António Henriques, CH Consulting António Lagartixo, Deloitte António Loureiro, Travelport António Portela, BIAL António Ramalho António Saraiva, Cruz Vermelha Portuguesa António Valério, Multipessoal Arlindo Oliveira, INESC Bernardo Correa de Barros, Visit Cascais Bernardo Correia, Google Bernardo Rodo, OMD Bruno Almeida, MediaCom Carla Marques, Intelcia Carla Maximino, Hotel Mundial Carla Rebelo, Adecco Group Carlos Alvares, BNU Macau Carlos Freire, AON Carlos Lacerda, SAP Carlos Nogueira, Europartners Carlos Oliveira, Mirol Carlos Ribas, Bosch Carlos Vieira, Católica Porto Business School Cátia Martins, L Oréal Céline Abecassis-Moedas Católica Lisbon Clara Raposo, ISEG Cristina Rodrigues, Capgemini Cristina Siza Vieira, AHP Daniel Bessa, Porto Business School Daniel Redondo, Licor Beirão Daniel Sá, Universidade Europeia Daniel Traça, Nova SBE David Antunes, Makro David Arie, Perfumes & Companhia David Fernandes Quito, Emirates Dennis Teixeira, HP Enterprise Diogo Alarcão, ASF Diogo Sousa, Galp Duarte Guedes, Hertz Duarte Pinto, SUMOL+COMPAL Dulce Mota, Montepio Eduardo Cabrita, MSC Cruzeiros Emanuel Proença, Prio Energy Erik Lassche, Fullsix Eunice Silva, Vale da Rosa Fernanda Marantes, Havas Fernando Esmeraldo, Status Capital Fernando Neves de Almeida, Boyden Fernando Oliveira, Mundicenter Fernando Silva Maia, Amorim Turismo Fernando Silva, Siemens Filipe Santos, Católica Lisbon Francisco Pedro Balsemão, Impresa Francisco Pita, ANA Aeroportos Francisco sá da Bandeira, Pondera Francisco Teixeira, Grupo M Francisco Teixeira, Royal Caribbean Gilda Parreira, Pierre-Fabre Gonçalo Barral, Groupe Atlantic Gonçalo Lobo Xavier, APED Gustavo M. Guimarães Helena Martins, Intermarché Inês Lima, McDonalds Inês Simões, Ageas Isabel Barata, EDA Isabel Barros, SONAE MC Isabel Brito, KPMG Isabel Reis, Dell Isabel Ucha, Euronext Isabel Vaz, Luz Saúde Joana Santos Silva, ISEG João Almeida Lopes, Medinfar João Bento, CTT João Diogo, Galp João Duque, ISEG João Epifânio, Altice João Machado, Pestana Hotels & Resorts João Matoso Henriques, SDG João Mello Franco, Banco CTT João Paulo Velez, Câmara Municipal de Lisboa João Pinto, Católica Porto Business School João Pinto Coelho, Quinta da Marinha João Sousa, CTT João Valentim, AESE João Vieira Lopes, CCD Joaquim Cabaço, Trivalor Jorge Magalhães Correia, Fidelidade Jorge Pisco, CPPME Jorge Rebelo de Almeida, Vila Galé Hotéis José Correia, HP Enterprise José Crespo de Carvalho, ISCTE/INDEG José Esteves, Porto Business School José F. Gonçalves, Accenture José Galamba de Oliveira, APS José Gomes, Ageas José Leal de Araújo, Trivalor José Manuel Oliveira, Marktest José Miguel Leonardo, Cruz Vermelha Portuguesa José Pedro Dias Pinheiro, Grupo M José Ramos, Salvador Caetano José Theotónio, Pestana Hotels & Resorts José Verissimo, ISEG Licínio Pina, Crédito Agricola Luís Anula, Mapfre Luís Castro Henriques, Portugal Global Luís Filipe Reis, Sonae SGPS Luís Lopes, Vodafone Luís Martins, Turismo Portoe e Norte Luís Mergulhão, Omnicom Media Group Luís Miguel Salas, FLIMA Luís Paulo Salvado, Novabase Luís Sítima, Odgers Berndtson Luisa Pestana, Vodafone Madalena Gusmão, Caudalie Manuel Di Pietro, Taste Manuel Lopes da Costa, Auren Manuel Tarre, Gelpeixe Manuela Tavares de Sousa, Imperial Marcelo Nico, Tabaqueira Margarida Blattmann, Wamos Maria da Glória Ribeiro, AMROP Maria João Oliveira, Wavemaker Maria Sales Luís, Multicare Mariana Carvalho, Haleon Marilia Santos, VW/SIVA Mário Ferrari, MSD Mário Ferreira, PG Hotels Massimo Senatore, BMW Miguel Almeida, NOS Miguel Farinha, EY Miguel Stilwell de Andrade, EDP Moez Sacoor, Sacoor Brothers Group Mónica Camacho, Seat Nelson Machado, Ocidental Nelson Pires, Jaba Recordati Nicolau Santos, RTP Niels Kowollik, Mercedes Nuno Fernandes, IESE Nuno Ferreira Morgado, PLMJ Nuno Ferreira Pires, Sport TV Nuno Mendonça, Audi Nuno Moreira da Cruz, Católica Lisbon Nuno Oliveira, via Outlets Nuno Pinto de Magalhães, Sociedade Central de Cervejas Patrícia Mestre, Microsoft Patrícia Teixeira Lopes, Porto Business School Paula Cordeiro, Santander Paula Panarra, Microsoft Paulo Campos Costa, Fundação Luso-Brasileira Paulo Carmona Paulo Dias Pereira, Bankinter Paulo Macedo, CGD Paulo Magro da Luz, Egor Paulo Monge, Sana Hotels Paulo Pereira da Silva, Renova Paulo Ramada, AP Hotels & Resorts Paulo imões, Egon Zehnder Paulo Teixeira, Pfizer Paulo Tomé, Novobanco Pedro Afonso, VINCI Energies Portugal Pedro Amorim, Experis Pedro Baltazar, Nova Expressão Pedro Brito, Nova SBE Pedro Carvalho Tranquilidade Pedro Castro e Almeida, Santander Pedro Costa Ferreira, APAVT Pedro Gonzalez, VMLY&R Pedro Janela, Wygroup Pedro Oliveira, Nova SBE Pedro Rebelo de Sousa, SRS Advogados Pedro Ribeiro, Dom Pedro Hotéis Pedro Santa Clara, Shaken Pedro Tavares, Onstrategy Pedro Teixeira, Continental Pneus Raul Neto Randstad Rebeca Venancio, Microsoft Ricardo Lopes, ISEG Executive Education Ricardo Lopes, Renault Ricardo Valadares, Millennium BCP Ricardo Vieira, VW/Siva Rita Lago da Silva, AESE Rita Nabeiro, Adega Mayor Rita Pereira, Frulact Roberta Medina, Rock In Rio Rodrigo Simões de Almeida, Mercer Rogério Campos Henriques, Fidelidade Rogério Carapuça, APDC Rosa Costa, Turismo dos Açores Rui Borges, GrandVision Rui Cabrita, EDP Rui Coutinho, Porto Business School Rui Lopes Ferreira, uper Bock Group Rui Miguel Nabeiro, Delta Cafés Rui Minhos, Tabaqueira Rui Paiva, We Do Rui Pedro Almeida, Moneris Rui Piteira, Tabaqueira Rui Santos, Almirall Rui Sousa, Católica Porto Business School Ruth Breitenfeld, Cepsa Salomão Kolinski, Tempus Salvador da Cunha, Lift amuel Godinho, Carat Sandra Alvarez Batista, PHD Media Sara Marote, Turismo da Madeira Sílvia Barata, BP Sofia Salgado Pinto, Católica Porto Business School Sofia Tenreiro, Deloitte Solange Moreira, Ukino Hotels Steven Braekeveldt, Ageas Sunamita Cohen, Porto Business School Teresa Abecasis, Iberis Capital Teresa Brantuas, Allianz Teresa Oliveira, Mindshare Thomas Marra-GI GROUP Tiago Guerra, Tecnico + Tiago Oom, Unicre Tiago Vidal, Llorente & Cuenca Timóteo Gonçalves, B the travel brand Tomás Jervell, Nors Vasco Antunes Pereira, Lusíadas Saúde Vasco Falcão, Konica Minolta Vera Pinto Pereira, EDP Vitor Ribeirinho, KPMG Como correu o ano de 2025 para a sua empresa/grupo/instituição, em comparação com 2024? VITOR RIBEIRINHO Dezembro é tradicionalmente um mês de reflexão e de retrospectivas sobre o ano que está a terminar. Foi isso que fizeram os participantes da mais recente edição do Barómetro, revelando uma percepção globalmente positiva sobre 2025. 64% dos inquiridos indicam que os últimos 12 meses correram melhor ou muito melhor comparativamente com o ano passado e 71% estimam que o seu volume de negócios vá aumentar este ano. São dados animadores sobre este ano e bases importantes para 2026. De resto, os números aqui indicados vão ao encontro de algumas das conclusões do estudo “KPMG CEO Outlook”, que contou com a participação de 50 CEO nacionais e mais de 1350 a nível global, nomeadamente no que diz respeito à confiança na economia nacional, com 74% a acreditarem que esta vai crescer nos próximos três anos. Curiosamente, outro dos pontos em destaque no nosso estudo é a Inteligência Artificial, que conta também com um capitulo dedicado neste Barómetro e uma confiança reforçada da parte dos inquiridos. Mais de 60% dos participantes vai investir mais ou continuar a investir fortemente nesta tecnologia, o que é elucidativo de uma cada vez maior predisposição das organizações para integrar processos de transformação digital no seu dia-a-dia, numa óptica de melhoria de eficiência e não de substituição de colaboradores, como fica claro para a maioria dos inquiridos no Barómetro. Terminamos 2025 com um olhar positivo sobre os últimos 365 dias e perspectivas animadoras para 2026 que esperamos que se possam vir a concretizar. Que a economia portuguesa possa voltar a ser distinguida internacionalmente nos próximos anos, esse deve ser o desejo e a ambição de todos. CEO/SENIOR PARTNER KPMG PORTUGAL LUís RIBEIRO Os resultados deste último Barómetro suportam a percepção de um desempenho relativamente positivo da economia portuguesa em 2025 e de perspectivas moderadamente favoráveis para 2026. Estas duas ideias exigem, contudo, uma análise mais cuidada. Em 2025, O crescimento da economia portuguesa terá assentado, sobretudo, no dinamismo do consumo privado, em função do baixo desemprego e da subida do rendimento disponivel, por sua vez beneficiando das decidas dos juros e de apoios orçamentais. Não há nada de errado nisto; mas é expectável que o crescimento do emprego modere e que a margem de manobra da política orçamental diminua no futuro próximo. Nesse sentido, é fundamental focar as atenções no investimento e nas exportações como motores de crescimento. E no dinamismo destes dois agregados que se poderão encontrar ganhos de produtividade e de competitividade que sustentem aumentos reais do rendimento, que não dependam de apoios pontuais da política orçamental. Em 2025, o investimento cresceu abaixo das expectativas iniciais e as exportações desaceleraram, num contexto internacional muito desafiante. A atracção do investimento (para lá do PRR) e o estímulo às exportações dependem da capacidade de de se se criar criar um um ambiente ambiente económico económico adequado, quer a nível nacional, quer a nível europeu. Neste dominio, Portugal e e a a UE UE correm correm o o risco risco de de se se demorarem demorarem em em “lutas” do passado, atrasando-se na corrida da digitalização e automação, no acesso acesso aos aos minerais minerais críticos, críticos, no no investimento investimento em IA e na independência energética, onde oS EUA e a China levam já vantagem. Uma Uma estimativa estimativa recente recente do FMI FMI referia referia que, que, do dentro da UE, as barreiras invisíveis ao comércio tinham um efeito equivalente a a uma uma tarifa de de 44%. 44%. o ? barómetro barómetro aponta aponta tarifa (bem) a desburocratização como uma das reformas prioritárias em Portugal. Esta Esta e e outras outras reformas reformas (no (no domínio domínio da da justiça, justiça, da educação, da fiscalidade, etc.) que permitam libertar o potencial competitivo dos empresários e trabalhadores devem ser vistas como condições necessárias para que a economia portuguesa continue a crescer. Mas já não serão uma condição suficiente: a UE e Portugal têm já outros caminhos para recuperar no novo quadro económico global. ? economia portuguesa parece ter potencial para beneficiar de novos investimentos no domínio da IA, da geração da energia necessária à IA, etc. Mas é fundamental manter as condições de atracção desse investimento. ADMINISTRADOR NOVOBANCO Face ao ano anterior, qual é a estimativa do volume de negócios da sua empresa/ grupo/instituição nem 2025? Para 2026, como antevê a evolução do sector de actividade onde se insere a sua empresa/grupo/instituição? Quais são OS planos de investimento da sua empresa/grupo/instituição para 2026? RAUL NETO Num período tradicionalmente dedicado a balanços e previsões, a Inteligência Artificial (IA) assume-se como o tema que está na agenda de todas as organizações, e que terá primazia na sua estratégia para 2026. Os resultados desta edição do Barómetro mostram isso de forma inequívoca: 53% das organizações afirmam que vão investir mais em IA em 2026, enquanto 30% indicam que vão manter ou reforçar as soluções de IA já existentes. Numeros que revelam uma ampla convergência no sentido de acelerar a transformação tecnológica das suas organizações. Mas o verdadeiro desafio não está no investimento tecnológico em si, mas sim na capacidade das organizações para prepararem as suas pessoas para esta nova realidade. a evolução das competências exigidas pelo mercado está a acontecer a um ritmo muito superior ao dos modelos tradicionais de formação, e isso reforça a necessidade de programas de requalificação contínua. a IA está a transformar tarefas e processos, obrigando empresas e colaboradores a repensarem as funçõese a ajustarem a forma como São exercidas. Esta transição requer liderança, clareza e um compromisso firme com a capacitação, para garantir que a tecnologia promova e dinamize o valor humano e não apenas preconize ganhos operacionais. a cultura das empresas é igualmente desafiada, sobretudo pela necessidade de construir confiança em soluções que alteram a tomada de decisão e a colaboração entre equipas. A capacidade de equilibrar, inovação com ética, produtividade com inclusão, e velocidade com responsabilidade, será determinante para o sucesso desta transformação. ê o equilíbrio entre tecnologia e pessoas que ditará a competitividade sustentável das empresas nos próximos anos. CEO RANDSTAD LUís LOPES Particularmente no que respeita ao entusiasmo em torno do potencial da Inteligência Artificial (IA), vejo nos resultados deste Barómetro um sinal forte de que as empresas perceberam a adopção destas ferramentas como um passo lógico na sua caminhada para a indispensável digitalização. á intenção de adopção massiva destas tecnologias dois terços das empresas esperam investir tanto ou mais em IA em 2026, contra apenas 2% que ainda não a usam - não deixará de estar relacionada com a vontade, revelada pela esmagadora maioria dos inquiridos (87% no total) de manter ou reforçar o investimento global nas suas empresas no ano que vem. Não será para menos: analisados na sua globalidade, os resultados mostram empresários e gestores animados com o desempenho em 2025 (mais de 50% dizem que a actividade neste ano superou a de 2024 e quase metade espera fechar o ano com o volume de negócios a crescer até aos 10%) e esperançosos para 2026 (80% perspectivam crescimento moderado a forte e apenas 15% antecipam estagnação). A este optimismo sobre 2026 os inquiridos juntam, contudo, uma dose importante de lucidez: em pano de fundo, as maiores preocupações continuam relacionadas com a possibilidade de crises, sejam financeiras, políticas, militares ou comerciais. CEO VODAFONE PORTUGAL Que papel terá a Inteligência Artificial (IA) na sua empresa/grupo/instituição em 2026? 202% 6 Qual o impacto que acredita que a IA terá na produtividade da sua empresa/grupo/instituição e consequentemente redução da força de trabalho no próximo ano? O Orçamento do Estado para 2026 é um bom documento para a sua empresa/grupo/instituição? JOSÉ BORRALHO o Barómetro dá-nos uma imagem clara do nosso tecido empresarial: há motivação para crescer, investir e inovar. A maioria das empresas afirma ter tido um desempenho melhor face ao ano anterior, sinal de vitalidade económica e capacidade de adaptação num contexto ainda desafiante. Mas esta confiança interna contrasta com o olhar des- confiado sobre o pais. Os líderes empresariais continuam a ver a instabilidade financeira e política como os maiores riscos para 2026, o que permite concluir que o que trava o crescimento não é falta de visão das empresas, é a incerteza do contexto onde operam. Exemplo disso é a leitura moderada do Orçamento do Estado: globalmente positivo, mas aquém do que seria necessário para acelerar competitividade e atrair investimento. á leitura é clara: as empresas estão prontas para avançar; o país tem de deixar de ser espectador e tornar-se facilitador. Por outro lado, há um dado particularmente encorajador: a aposta crescente na IA. Mais de metade planeia reforçar o investimento nesta área, transformando a tecnologia não apenas numa ferramenta de eficiência, mas num motor de diferenciação estratégica. Já não estamos na fase de experimentar, entramos definitivamente na fase de executar com visão. ás empresas querem futuro. Estão a fazer o seu papel, estão a investir, estão a transformar-se. ? que pedem é que o país alinhe a sua ambição com a delas. Se houver estabilidade, reformas estruturais e políticas amigas da competitividade, 2026 poderá não ser um ano apenas de crescimento moderado, mas sim de avanço decidido. CIO E FUNDADOR ESCOLHA DO CONSUMIDOR LUís MENEZES Apesar do contexto global desafiante e incerto, os resultados do 45.0 Barómetro Executive Digest reflectem um sinal de confiança por parte das empresas portuguesas. E notório que a maioria das organizações (64%) consideram que 2025 terminou melhor ou muito melhor face ao ano anterior, o que evidencia uma forte capacidade de adaptação do tecido empresarial nacional. Olhando para 2026, cerca de 80% dos inquiridos apontam para o crescimento ou, pelo menos, a manutenção do volume de negócios, o que demonstra um optimismo prudente e renova o fôlego das empresas portuguesas perante a conjuntura actual. Destacam-se dois aspectos decisivos: por um lado, a intenção de investir mantém-se sólida, com 45% das empresas a prever um acréscimo de investimento no próximo ano, sinal claro de vontade de avançar e inovar; por outro, mais de metade das organizações pretende reforçar a aposta na Inteligência Artificial, com expectativa de ganhos de produtividade, mas sem antecipar reduções relevantes nos postos de trabalho , apenas uma minoria projecta cortes significativos. O Barómetro evidencia um ambiente que aposta na transformação tecnológica, mas mantém-se atento à importância das pessoas e do talento. Portugal revela estabilidade e capacidade de evolução, com a Inteligência Artificial no centro da estratégia competitiva, sem abdicar da valorização dos seus recursos humanos. Este cenário reflecte o compromisso do sector em garantir um crescimento sustentável, impulsionar a inovação e valorizar o talento como elemento central da competitividade nacional. CEO GRUPO AGEAS PORTUGAL RUI LOPES FERREIRA Os resultados apresentados não surpreendem e acompanho essa hierarquia de prioridades que foi mencionada pela maioria dos empresários inquiridos. Ño momento actual, em que a competição impera dentro e fora do País, estas deveriam ser encaradas como reformas verdadeiramente urgentes. Porque são pilares fundamentais para estimular a produtividade e a competitividade, levando ao desenvolvimento económico e social do País, e a uma maior convergência com a Europa. Na verdade, tanto a carga fiscal (seja para as empresas, mas também para os cidadãos) como a burocracia são dois dos maiores desafios que enfrentamos há anos, e que se constituem como factores de bloqueio a um maior crescimento económico que se pretende robusto e sustentado; ora isso exige políticas publicas concretas, independentemente do ciclo governativo, que tragam estabilidade, agilidade e confiança, e que, em consequência, estimulem a criação de emprego e a criação de riqueza. Se, por um lado, as empresas precisam de um ambiente fiscal simples e favoravel, que não penalize o investimento reprodutivo, que é o que gera riqueza, por outro, temos inevitavelmente de conseguir desburocratizar, adoptando modelos mais inovadores. A “one stop shop”, à semelhança da existente em países como a Irlanda, seria, por exemplo, um passo importante neste caminho para centralizar serviços, simplificar processos e reduzir tempo. Apenas com reformas estruturais, como estas aqui mencionadas, será possível dar mais espaço às empresas para investirem e ajudarem a tornar Portugal mais competitivo e atractivo. CEO SUPER BOCK GROUP O BARóMETRO MOSTRA-NOS UM TECIDO EMPRESARIAL COMPETITIVO ? ROBUSTO, COM EXPECTATIVAS DE CRESCIMENTO SUSTENTADO PARA 2026 Em que áreas o Governo deve focar as suas principais reformas? © Qual o maior receio da sua empresa/ grupo/instituição para 2026? NELSON PIRES Os resultados do 45.0 Barómetro da Executive Digest revelam um optimismo cauteloso no tecido empresarial português, com 64% das empresas a reportar que 2025 correu melhor ou muito melhor que 2024. Este sentimento positivo é sustentado por perspectivas de crescimento do volume de negócios, onde impressionantes 71% antecipam um aumento em 2025, com 48% a projectar um crescimento até 10%. ás Prioridades Estratégicas são crescimento, investimento e Inteligência Artificial (IA). Olhando para 2026, a palavra-chave é estabilidade com crescimento moderado. A grande maioria (70%) prevê um crescimento moderado no seu sector de actividade, e os planos de investimento reflectem essa postura, com 47% a manter a manutenção e 45% a planear um aumento ou forte aumento. á IA é vista como uma prioridade clara. Um total de 66% das empresas planeia investir mais (53%) ou continuar a investir fortemente (13%) em IA. De forma tranquilizadora, a maior parte (57%) acredita que o impacto da IA será a realocação de colaboradores para outras tarefas, e não uma redução massiva da força de trabalho, o que são excelentes notícias num contexto de quase pleno emprego. Reformas estruturais e maiores receios incluem um Orçamento do Estado para 2026 que não gera entusiasmo generalizado: apenas 7% o vêem como “Sim”. Ño que toca à esfera politica, a diminuição da carga fiscal aos cidadãos (40%) e a desburocratização (38%) são as áreas prioritárias para o Governo. Contudo, o receio mais significativo para 2026 são as crises financeiras (73%), seguidas pelas guerras comerciais (40%) e crises políticas (38%), indicando que a instabilidade macroeconómica e geopolítica continua a ser a maior ameaça percebida. Em suma, as empresas portuguesas procuram consolidar os ganhos de 2025, abraçam a IA como ferramenta de produtividade e realocação, mas exigem reformas estruturais e permanecem em alerta máximo face aos riscos externos. GENERAL MANAGER JABA RECORDATI LUIZA FRAGOSO TEODORO Os resultados do 45.0 Barómetro mostram que as empresas portuguesas estão a viver um momento de renovada confiança e ambição. O crescimento registado em 2025 e as expectativas positivas para 2026 revelam que, mais do que nunca, aprendemos a transformar desafios em oportunidades. Mas este progresso não depende apenas de indicadores económicos: depende da nossa capacidade de liderar com visão, de investir em inovação e de cultivar equipas preparadas para aprender e evoluir. A aposta crescente na Inteligência Artificial é um sinal claro de que estamos a abraçar o futuro, mas a verdadeira transformação exige mais do que tecnologia. E preciso mudar culturas, valorizar o ta- lento e simplificar processos, para que a inovação seja realmente sentida no dia-a-dia das organizações. ? Estado tem um papel importante, mas cabe-nos, enquanto líderes, assumir o compromisso de criar ambientes onde a aprendizagem, a colaboração e a ambição sejam motores de crescimento. O futuro da competitividade portuguesa será definido pela coragem de liderar a mudança, pela capacidade de unir propósito e execução, e pela vontade de simplificar e reinventar a forma como crescemos. CEO VERLINGUE PORTUGAL ANA TRIGO MORAIS Os resultados deste Barómetro ajudam a compreender melhor o momento em que as empresas vivem: um contexto em transformação, que exige adaptação continua e planeamento cuidado. Apesar de grandes desafios, como a desburocratização e Inteligência Artificial, nota-se um esforço para consolidar estratégias e preparar o futuro com maior confiança. Essa tendência torna-se clara quando a maioria das empresas antecipa um crescimento moderado e considera novas oportunidades de investimento já em 2026. Esta disposição revela resiliência e um foco crescente na eficiência, na inovação e na gestão responsável dos recursos. Neste caminho de evolução, a economia circular ganha relevância. Não surge como um tema isolado, mas como parte de um modelo que reforça a estabilidade das cadeias de valor, reduz desperdício e promove uma utilização mais responsável dos materiais. E precisamente por responder a estas necessidades que o trabalho da Sociedade Ponto Verde se torna particularmente significativo. ?o apoiar soluções que criam valor económico e ambiental, contribui para que as empresas encontrem no seu percurso de crescimento uma base mais estável, alinhada com os desafios e oportunidades do País. CEO SOCIEDADE PONTO VERDE O ambiente empresarial português revela optimismo e resiliência, com as organizações a perspectivarem crescimento e a manterem intenções de investimento, apesar das incertezas globais. Destacam-se como prioridades a necessidade de reformas estruturais e a atenção aos riscos financeiros e geopoliticos. A Inteligência Artificial assume-se como eixo central de transformação, não apenas pela adopção tecnológica, mas pela valorização da formação dos colaboradores para uma integração ética e eficaz da IA nos processos de decisão. ? maioria das empresas encara esta transição como oportunidade para requalificar equipas e potenciar novas competências. Neste contexto de transformação acelerada, a capacidade de aprender, adaptar e liderar com visão ética torna-se o verdadeiro diferencial competitivo. A Católica Porto Business School, pioneira na integração regulamentada da Inteligência Artificial no ensino, reafirma o seu compromisso em preparar líderes capazes de transformar desafios em oportunidades, promovendo uma cultura de inovação responsavel e sustentável. ? futuro das organizações será desenhado por quem souber conjugar conhecimento, tecnologia e valores humanos. DEAN CATõLICA PORTO BUSINESS SCHOOL JOÃO PINTO RICARDO MARTINS Os resultados do 45.0 Barómetro revelam um tecido empresarial que, apesar da instabilidade económica e geopolítica, continua a encarar 2026 com um optimismo moderado. A maioria das organizações prevê crescimento e mantém ou reforça planos de investimento, mesmo num contexto onde as preocupações com crises financeiras, conflitos e guerras comerciais permanecem no topo das prioridades. Esta resiliência demonstra maturidade na gestão e uma maior capacidade de adaptação a ciclos voláteis. â forte intenção de aprofundar o uso de Inteligência Artificial com mais de metade das empresas a querer investir mais - indica que esta transformação tecnológica deixou de ser tendência para se tornar uma decisão crítica. Interessante notar que a maioria não antecipa reduções significativas de postos de trabalho, mas sim uma reorganização interna, sinal de que neste plano, a transição será mais evolutiva do que disruptiva no curto prazo. âs expectativas sobre o Orçamento do Estado mostram um consenso claro: : necessidade de desburocratização, redução da carga fiscal e criação de condições mais favoráveis ao crescimento. Esta mensagem repete-se de forma consistente nos últimos anos e evidencia um desejo de estabilidade regulatória que permita às empresas focarem-se no que verdadeiramente cria valor. Isto traduz uma necessidade urgente: acelerar a requalificação, reforçar competências críticas e apoiar as organizações na construção de modelos de trabalho mais ágeis. ? Barómetro confirma, no essencial, um País cauteloso, mas afirmativo perante um ciclo que exigirá talento mais preparado, líderes mais conscientes e estratégias de desenvolvimento verdadeiramente integradas, num cenário global cada vez mais exigente. CEO CEGOG