HYUNDAI NEXO , A SOLUÇÃO DA MARCA PARA O HIDROGÉNIO ... MENOS EM PORTUGAL
2025-12-22 22:08:16

Hyundai Nexo prova maturidade do hidrogénio, mas Portugal ainda não tem condições para o receber O artigo de hoje não é sobre um ensaio a um automóvel mas foca-se num press release da Hyundai e que marca uma evolução rumo aos veículos movidos a hidrogénio Num momento em que os construtores continuam a investir fortemente na eletrificação com margens enormes ainda de evolução, também já se trabalha no hidrogénio, outra das soluções previstas As várias fontes que consultei são demasiado interessantes com pormenores de engenharia mas depois surge uma nota para o mercado português, que refreia os ímpetos. Quis assim perceber o que é que torna este NEXO tão especial. Até agora tenho-me debruçado sobre automóveis a diesel, gasolina, híbridos e elétricos. Mas suscitou-me a curiosidade do Hyundai Nexo , um SUV movido a hidrogénio Não é um elétrico a bateria que se liga a uma tomada. Este é um elétrico com célula de combustível. A eletricidade é gerada no próprio NEXO, a partir do hidrogénio. Porque conheço muito pouco do tema torna-se para mim um desafio , aprender. Analisei as fontes, fui estudar o tema e apresentar a minha narrativa O melhor ponto de partida é mesmo o grande triunfo que a Hyundai Portugal refere: a segurança. O Nexo conseguiu a classificação máxima de cinco estrelas nos testes do Euro NCAP. Sabemos que atualmente muitos automóveis conseguem as cinco estrelas, mas os detalhes é que importam, porque não basta passar no exame, é preciso fazê-lo com distinção. E os números dizem muito: 90% na proteção de ocupantes adultos,85% na proteção de crianças, colocando-o no topo da tabela ao lado dos melhores. Mas o que se torna mais significativo é o que isto representa para um veículo a hidrogénio. O grande fantasma, a preocupação do público, sempre foi a segurança, a ideia de andar com tanques de alta pressão. E a Hyundai parece ter resolvido esse desafio: Por exemplo, no impacto frontal, o habitáculo manteve-se completamente estável.Nos testes de impacto traseiro, obteve a pontuação máxima na proteção contra o efeito chicote , onde podem surgir lesões da cervical.E para quem tem filhos, nos testes com os dummies de crianças de 6 e 10 anos, a proteção foi máxima. Isto demonstra a engenharia que podemos encontrar por trás deste modelo. Se atingir estes resultados num automóvel a gasolina já é difícil, veja-se num veículo que tem de acomodar e proteger três tanques de hidrogénio de alta pressão Utilizam uma estrutura com aço de altíssima resistência, não só para proteger as pessoas do impacto, como em qualquer carro, mas também para criar uma espécie de caixa forte à volta de todo o sistema de hidrogénio. Ou seja, a marca consegue “desmontar” o ponto fraco dos sistema de hidrogénio, tanto mais que a marca faz recurso de nove airbags, alguns especificamente desenhados para proteger os tanques. Trata-se de uma abordagem de segurança em várias camadas, Isto representa o resultado de quase três décadas de desenvolvimento, como eles próprios referem e estão a pretender consolidar uma liderança e a dizer ao mercado, que a questão da segurança do hidrogénio está resolvida. Por outro lado, estes automóveis não eram propriamente entusiasmantes de conduzir. Para ser verdade, se a segurança era o escudo, a performance e a usabilidade são a espada. Mas é quando consultamos os números que tudo muda: Autonomia até 826 km em ciclo WLTPTempo de reabastecimento em cerca de 5 minutos. Para quem vive com a chamada ansiedade de autonomia e os longos tempos de carregamento, isto soa a música celestial Em termos de potência temos 190 kW, o que dá uma aceleração dos 0 aos 100 km/h em cerca de 7,8 segundos. Não vai bater recordes, mas é mais do que suficiente para uma condução despachada e segura. É um carro familiar e rápido. Como continua a existir alguma confusão sobre o tema do hidrogénio vamos ver como funciona: Não existe uma explosão, não existe um motor a queimar hidrogénio. O que acontece dentro da célula de combustível é uma reação química controlada, onde o hidrogénio dos tanques se cruza com o oxigénio que captado do ar e, dessa reação nasce eletricidade que alimenta o motor elétrico e gera calor.O único produto residual, é vapor de água e tão puro, que teoricamente se poderia beber.Ou seja, estamos perante um laboratório químico sobre rodas, basicamente. Depois introduz duas inovações. A primeira utiliza o binário instantâneo do motor elétrico para melhorar a agilidade em curva, aplicando um pouco mais de força nas rodas exteriores e o Smart Generative System liga o sistema de regeneração à navegação para por exemplo, ao detetar uma rotunda a 300 m, o NEXO começa a abrandar sozinho de forma muito suave, otimizando a recuperação de energia e poupando os travões. Pode parecer um pormenor inteligente, um detalhe, mas são estes que tornam a tecnologia abstrata e mais útil A parte mais técnica foi analisada. Mas será que o interior do automóvel é um bom espaço para podermos viajar 800 km? A experiência a bordo hoje em dia conta tanto como a mecânica e a estética. Pelo que vi eles não estão só a vender uma tecnologia, estão a vender uma experiência completa e sofisticada. Utilizam uma linguagem de design que é a Art of Steel e que junto com os farois dão-lhe uma identidade visual muito forte. Por dentro, o destaque é o painel enorme com dois ecrãs curvos de 12,3 polegadas, a função vehicle to load, o V2L - que permite ligar qualquer aparelho elétrico ao NEXO, ou os detalhes de conforto, como os bancos premium que têm até um apoio para as pernas. Mas existe para mim um aspeto que une toda esta filosofia da Hyundai e essa é a lista de materiais utilizados no interior: pele de base biológica, tecidos feitos a partir de garrafas de plástico recicladas, bioplásticos derivados da cana de açúcar, tinta biológica extraída de óleos vegetais e até a espuma dos bancos é de origem biológica. A Hyundai não quis somente ter emissões zero mas sim construir um automóvel à prova de qualquer crítica. Pretendem posicionar-se não apenas como inovadores no segmento premium, mas como líderes na sustentabilidade. E é esta abordagem holística que torna a proposta tão forte. A sustentabilidade não é um extra, está no ADN do produto. e ao mesmo tempo não descuram a tecnologia que os consumidores do segmento premium esperam, como a chave digital no telemóvel, os espelhos retrovisores digitais, um sistema de som da Bang and Olufsen: a Hyundai está a competir em todas as frentes. Bem, vamos então ao tal asterisco, pelo menos para nós em Portugal e que transforma o desejo de o ensaiar numa miragem, pois o novo Hyundai Nexo irá estar disponível no mercado europeu a partir do início de 2026, não estando ainda prevista a comercialização no mercado nacional. Ou seja, a Hyundai já atingiu a fase estável desta tecnologia, tornando-a segura e pronta para o consumidor e depois dizem-nos que esse futuro para já não é para nós, porque ainda não existem postos de hidrogénio, ou seja o ecossistema à sua volta no nosso mercado aparentemente não reflete ainda esta possibilidade A conclusão principal é que a tecnologia da célula de combustível a hidrogénio, pelo menos na implementação da Hyundai, atingiu um nível de maturidade, segurança e performance que a torna, do ponto de vista do produto viável e até desejável. O Nexo parece estar pronto mas o problema não está no veículo mas em não estarem ainda reunidas as condições para veículos como o Nexo serem comercializados em Portugal Jorge Farromba