EUROPA QUER VOLTAR A TER CARROS PEQUENOS E BARATOS
2025-12-23 22:02:56

Comissão Europeia relaxou regras de emissões de CO2, que estipulavam o fim da venda de carros a combustão em 2035, mas quer massificar a mobilidade elétrica luis.p.carvalho@jn.pt MOBILIDADE A chegada dos carIOS elétricos ao mercado e os regulamentos de segurança europeus implicaram um aumento do custo dos veículos, mesmo no tradicional mercado dos segmentos A e B, os mais pequenos e populares em Portugal. Numa tentativa de acelerar a implementação no mercado dos veículos sem emissões, mantendo-os a num nível de custo comportável pela classe média, a Comissão Europeia quer criar uma categoria a que chama “Carros pequenos e baratos”, os M1E, com um comprimento máximo de 4,20 metros e regras específicas. Será uma tentativa de regresso a grandes sucessos comerciais Onos carros em que o Velho Continente sempre se destacou, como o Fiat Uno, Renault 5, Citroên AX ou Peugeot 106. Para além das vantagens para o consumidor, estes veículos se-rão elegíveis para “supercréditos” nas metas de emissões até 2034, com cada venda a contar 1,3 vezes, o que significa que 10 veículos elétricos pequenos seriam creditados como 13, nas contas de co2 das marcas que os produzem. A Renault e a Stellantis, dois dos principais construtores no espaço europeu, lideraram a pressão sobre a UE para a criação desta nova classe de carros pequenos. Segundo a proposta da Comissão Europeia, terão uma menor carga regulatória, com um nível de estabilidade de legislação a dez anos, para permitir reduzir custos em alterações impostas pOr lei, mas terão de ser completamente elétricos e construídos no espaço europeu. O plano “constitui um forte incentivo para os fabricantes de veículos produzirem e comercializarem volumes mais elevados de veículos elétricos pequenos, com um efeito positivo indireto esperado também na acessibilidade destes veículos”. A iniciativa pode também conduzir a incentivos fiscais (tais como regimes de subsídios) e não fiscais (como lugares de estacionamento reservados, carregamentos mais baratos ou isenção de portagens). Vários modelos já se enquadram nestes requisitos, como OS Renault Twingo, 4 e 5; o Volkswagen ID. Polo, Skoda Epiq e Cupra Raval; a Stellantis está representada pelo Citroên e-C3, Opel Corsa Electric, Fiat 500e e Peugeot E-208. O Kia EV2, construído na Eslováquia, também se qualifica. O futuro ID. Everyl, produzido na Autoeuropa, em Palmela, também se enquadrará nesta categoria. METAS SUAVIZADAS A aposta em elétricos pequenos e baratos foi pormenorizada em simultâneo com o abandono da meta de ter à venda, em 2035, só veículos elétricos ou a hidrogénio, fixando-se agora o objetivo nos 90% Assim, a partir de 2035, é obrigatória a redução de 90% das emissões de gases poluentes, sendo os restantes 10% compensados com a utilização de aço de baixo carbono produzido na UE, uso de combustíveis sintéticos (“e-fuels”) e de biocombustíveis. Esta compensação permitirá que veículos que não sejam totalmente elétricos ou movidos a hidrogénio continuem a ser vendidos após 2035.com a revisão das metas, Bruxelas considera que a competitividade da UE aumenta, ao mesmo tempo que economiza custos estimados em 706 milhões de euros anuais e redução da burocracia. Bruxelas quer ainda acelerar o desenvolvimento de uma cadeia de valor de baterias totalmente fabricada na UE, a “Battery booster”, que prevê uma verba de 1,5 mil milhões de euros para apoiar os produtores europeus de células de baterias através de empréstimos sem juros. Para além disto, está previsto um investimento de 1,8 mil milhões de euros na indústria. COMAG?NCIAS EM DESTAQUE Neutralidade carbónica A Comissão Europeia garante manter o objetivo de neutralidade climática até 2050 e está empenhada em que todas as políticas continuem a ser coerentes com este nível de ambição. Frotas elétricas Cerca de 60% das vendas de cattos novos na UE são para frotas e a UE vai obrigar à eletri ficação, com base no PIB per capita, mas ex cluindo as pequenas e médias empresas Modelo que será produzido na Autoeuropa estará nos critérios destes novos veículos Luís Pedro Carvalho