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A 102 KM/H E SEM PARAR: RENAULT SUPERA MERCEDES E FAZ HISTÓRIA NOS ELÉTRICOS

Executive Digest Online

2025-12-23 22:04:39

O feito foi alcançado no circuito da UTAC, em Marrocos, indicou o El Economista, escolhido pelas condições meteorológicas estáveis, permitindo à marca francesa ultrapassar o Mercedes Vision EQXX, até então a principal referência mundial em eficiência elétrica A Renault voltou a posicionar-se na linha da frente da mobilidade elétrica ao estabelecer um novo recorde mundial de eficiência. No passado dia 18, o protótipo Renault Filante Record 2025 percorreu 1.008 quilómetros sem qualquer recarga, em menos de dez horas, mantendo uma velocidade média de 102 km/h, em condições típicas de autoestrada. O feito foi alcançado no circuito da UTAC, em Marrocos, indicou o El Economista , escolhido pelas condições meteorológicas estáveis, permitindo à marca francesa ultrapassar o Mercedes Vision EQXX, até então a principal referência mundial em eficiência elétrica. O resultado demonstra que a eficiência extrema não é incompatível com velocidades elevadas nem com uma utilização próxima da condução real. Desde o início, a Renault definiu regras claras para a tentativa de recorde. O Filante Record 2025 não recorreu a baterias de grande capacidade nem a velocidades simbólicas. O protótipo utilizou uma bateria de 87 kWh, exatamente a mesma capacidade do Renault Scenic E-Tech elétrico de produção, mantendo sempre uma média superior a 100 km/h. Durante o teste, o veículo registou um consumo médio de apenas 7,8 kWh por 100 quilómetros. No total, completou 9 horas e 52 minutos de condução efetiva, terminando a prova com 11% de bateria disponível, o que corresponderia a mais de 120 quilómetros adicionais de autonomia à mesma velocidade Em comparação, o Mercedes Vision EQXX conseguiu valores de consumo semelhantes, mas a uma velocidade média inferior. O protótipo alemão percorreu 1.010 quilómetros entre Riade e o Dubai com uma única carga, registando uma média de cerca de 68,7 km/h, ou 79,4 km/h considerando apenas o tempo em movimento. A aerodinâmica foi um dos fatores decisivos para o sucesso do Filante Record 2025. Após testes em túnel de vento realizados na primavera, a Renault introduziu melhorias significativas, adiando a tentativa de recorde para otimizar o projeto. A alteração mais relevante foi o redesenho das carenagens das rodas, que passaram a estar fixas diretamente às rodas e não à célula central, reduzindo a turbulência e melhorando o fluxo de ar em torno da suspensão e da transmissão. As entradas e saídas de ar foram igualmente reduzidas ao mínimo, as zonas técnicas foram refinadas e a secção central da cabine manteve-se praticamente inalterada, por já se encontrar muito próxima do ideal aerodinâmico teórico. O design do protótipo é também uma homenagem à história da marca. A silhueta inspira-se no Renault 40 CV de 1925 e no Étoile Filante de 1956, reinterpretados com uma linguagem futurista e forte influência aeronáutica. A cor azul ultravioleta, a cabine em forma de bolha e a posição de condução próxima da Fórmula 1 reforçam a aposta total na eficiência. Com um peso próximo de uma tonelada, o Filante Record 2025 funcionou como um verdadeiro laboratório tecnológico. A Renault integrou soluções como direção e travagem eletrónicas, materiais ultraleves em fibra de carbono e ligas de alumínio impressas em 3D, otimização topológica das peças e pneus Michelin desenvolvidos especificamente para reduzir a resistência ao rolamento sem comprometer a estabilidade. O recorde foi também uma prova de resistência humana e logística. Após uma primeira tentativa cancelada em França devido ao mau tempo, as equipas deslocaram-se para Marrocos sob forte pressão para concluir o desafio antes do final do ano. A 18 de dezembro, com temperaturas próximas dos quatro graus pela manhã, três pilotos revezaram-se ao volante ao longo de 239 voltas a um circuito com pouco mais de quatro quilómetros, sem qualquer erro ou interrupção. Para a Renault, este recorde não é um exercício isolado. As soluções testadas em aerodinâmica, gestão de energia, redução de peso e tecnologias eletrónicas servirão de base para o desenvolvimento de futuros modelos elétricos de produção, pensados para responder a utilizações reais, incluindo longas viagens em autoestrada.