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A REVOLUÇÃO QUÂNTICA NA PROGRAMAÇÃO COM IA VAI PERMITIR FAZER “COISAS ESPETACULARES”

Diário de Notícias

2025-12-29 06:31:05

TRABALHO Com o fim da barreira entre utilizador e criador, o poder dos qubits redefine a nossa relação com a tecnologia. Com a IA, “vamos ser todos programadores”, diz Miguel Castro Neto, diretor da Nova IMS. TEXTO RICARDO SIMÕES FERREIRA A transição tecnológica que vivemos hoje não é apenas uma questão de maior velocidade de processamento, mas sim uma mudança fundamental no modelo de interação homem-máquina. Se a Inteligência Artificial (IA) generativa já nos permite “conversar” com os computadores, a chegada da computação quântica promete ser o combustível que levará esta relação a um nível de sofisticação até agora inimaginável. Como refere Miguel de Castro Neto, diretor da Nova IMS, especialista em informática e um dos maiores peritos nacionais em smart cities e modernização da Administração Pública, a tecnologia não ditará o fim da profissão de programador, mas esta nunca mais será a mesma. “Eu acho que a IA vai redefinir o que é um programador, apesar de não ir substituir o programador”, afirma ao DN, em entrevista concedida no fim de novembro. O antigo Secretário de Estado defende que o que está a acontecer é uma universalização sem precedentes: “Hoje já somos quase todos programadores, que não éramos. A IA democratizou também a programação.” Neste novo paradigma, a interação deixou de ser uma barreira técnica para se tornar um diálogo. Castro Neto sublinha que a IA “alterou de forma disruptiva o modelo de interação homem-máquina. Passámos a conversar com os computadores, que era uma coisa que não fazíamos”. O prompt tornou-se, assim, a nova sintaxe de uma era em que a fronteira entre o utilizador comum e o criador de soluções digitais está a desmoronar-se. O motor quântico , acelerando o cérebro digital A simbiose entre a IA e a computação quântica será o grande salto qualitativo desta década, sustentada pela transição dos bits clássicos para os qubits. Esta mudança não é meramente quantitativa: ao permitir que a informação exista em múltiplos estados simultâneos através da superposição e do entrelaçamento, o motor quântico irá comprimir processos de treino de modelos massivos , que hoje levam meses , para meras horas, permitindo que a IA aprenda com volumes de dados exponencialmente maiores. Mais do que velocidade, trata-se de uma inteligência aumentada, onde os algoritmos quânticos conseguem descodificar padrões e correlações complexas que permanecem invisíveis aos sistemas tradicionais. Esta nova arquitetura promete eliminar a latência em tarefas de otimização pesadas, garantindo que a “conversa” entre o humano e a máquina se processe em tempo real e de forma fluida, mesmo quando aplicada à resolução de problemas de escala global. Para os profissionais, o futuro não será de obsolescência, mas de superpoderes. De acordo com Castro Neto, cujas valências em Business Intelligence são reconhecidas internacionalmente, “os programadores não vão acabar.” “Nós vamos continuar a precisar de programadores. Mas vamos ser todos programadores. Os mais sofisticados vão é fazer coisas muito mais espetaculares, muito mais depressa e com um impacto muito maior!” A revolução que se avizinha não é, assim, sobre o fim da programação, mas sobre a sua evolução para uma forma de arte conversacional, em que a vontade humana e a velocidade quântica se fundem numa nova linguagem de criação.