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NUNCA HOUVE UM ALPINE ASSIM. CONDUZIMOS O NOVO A390

Razão Automóvel Online

2025-12-29 22:09:07

A Alpine alarga a sua gama de modelos com o A390, um crossover elétrico desportivo que tenta ser um Alpine A110 de saltos altos A Alpine alarga a sua gama de modelos ao A390, um inédito crossover elétrico desportivo que tenta ser um Alpine A110 de saltos altos. Alpine A390 GTS Primeiras impressões 7.5/10 Data de comercialização: Janeiro 2026 O A390 junta-se aos mais rebeldes A110 e A290 como a primeira proposta da Alpine para as famílias, mas não esquece as origens. Prós Comportamento ágil/divertidoPerformancesDesign sedutor e personalizadoBagageira amplaTravagem competente Contras Visibilidade traseiraEspaço para pés do passageiro central traseiroAlguns acabamentosDireção muito levePainel de bordo “demasiado Renault” Abarth, CUPRA e Alpine O que têm em comum estas três marcas? Várias coisas: de origem ou em tempos mais recentes começaram por ser como apêndices desportivos de marcas generalistas (FIAT, SEAT e Renault, respetivamente) e depois cresceram nas ambições como independentes pela mão de Luca De Meo, o misto de car guy e marketing guru. Luca De Meo - saiu do Grupo Renault e agora lidera o grupo de luxo Kering - ambicionava ter na Alpine uma marca premium elétrica, com foco na performance/desportividade, mas com as contas da eletrificação a terem de ser refeitas nos próximos anos, fica por saber quanto dessa visão irá sobreviver. Este novo crossover elétrico A390 faz parte dessa visão inicial, juntando-se ao coupé A110 e ao pocket-rocket A290. © Alpine Tem 4,615 m de comprimento por 1,885 m de largura e 1,525 m de altura, fazendo do A390 algo compacto em relação aos seus potenciais concorrentes que podem variar entre o Ford Mustang Mach-E GT ou o Porsche Macan, sem esquecer o insano Hyundai IONIQ 5 N. A marca francesa fez tudo para que o A390 fosse um verdadeiro Alpine - os franceses dizem ter injetado muitos genes do A110 - apesar de usar a base técnica do Renault Scenic (plataforma AmpR Medium). Não deixe que isso seja motivo de preocupação: o A390 recorre a soluções exclusivas ao nível da cadeia cinemática, chassis e bateria. A110 é a musa inspiradora O Alpine A390 é um crossover bastante largo e baixo, onde encontramos várias referências visuais ao A110. Talvez a maior seja a linha que define a parte superior da carroçaria, que imita a do coupé compacto. A zona inferior da carroçaria pintada em negro ajuda a aumentar a percepção de baixa altura. © Alpine Difere do coupé pelos grupos óticos de aspeto futurista e pelos triângulos fragmentados na traseira à volta do logótipo Alpine retroiluminado. O emblema da marca surge também na lateral, opcionalmente com a bandeira tricolor francesa no pilar traseiro. Até porque este é um modelo que está a gerar grande orgulho na empresa. Allez les bleus! Isto porque foi desenvolvido e será fabricado em França (na histórica unidade industrial de Dieppe a passar por uma eletrificação massiva), os seus motores elétricos são produzidos em Cléon e a bateria Verkor tem células e módulos feitos em Dunkirk e montados em Douai. Se a isso juntarmos os pneus Michelin e o sistema áudio premium Devialer, este é um dos carros elétricos mais Made in France alguma vez feito. No fundamental (para um elétrico) aspeto aerodinâmico, importa salientar as formas esguias do capô, o avental traseiro, a descida suave do óculo traseiro, seguido por um discreto spoiler negro no portão traseiro. São vários os “pormaiores” que contribuem para dilatar a autonomia. O que vai gostar e o que gostaria que fosse melhor no interior Por dentro é muito evidente que o A390 deriva dos recentes Megane e Scenic elétricos, principalmente no conceito do painel de bordo. © Alpine O sistema de infoentretenimento é alimentado por um sistema Android com recursos da Google, o que torna a sua utilização muito prática e intuitiva. Mostra informação muito completa sobre a condução (Alpine Telemetrics), tendo dados sobre quase tudo. A instrumentação digital (12,3”) muito colorida e com amplas possibilidades de personalização e o ecrã central vertical (12”), direcionado para o condutor, têm a mesma configuração encontrada nos Renault mencionados. Mesmo a faixa horizontal de botões físicos de controlo da climatização abaixo do ecrã é idêntica à de um Renault 5, o que poderia ter sido evitado para criar uma experiência diferenciada, que é sempre desejável num automóvel de posicionamento superior e com preços a condizer. No lado positivo, as bolsas nas portas à frente e atrás são revestidas numa espécie de alcatifa, a zona entre os bancos da frente é aberta e ampla, mas há alguns reparos, principalmente num carro que custa mais de 70 000 euros. O tabliê tem apenas uma película de pele fina sobre as superfícies duras, os acabamentos na zona do suporte do retrovisor interior são pobres, a saída de ventilação direta para os passageiros traseiros não permite regular localmente nem a temperatura nem a intensidade do fluxo de ar. E não há head-up display e nem os vidros são duplos, ainda que a apurada aerodinâmica (Cd 0,25) ajude a tornar a passagem pelo ar mais silenciosa, além de ajudar nos consumos. A família cabe num Alpine A habitabilidade atrás é mais generosa do que as dimensões exteriores deixam antever, principalmente em altura e ocupantes até 1,80 m podem viajar sem roçar com o topo da cabeça no teto. 2 imagens © Alpine " © Alpine " A largura permite instalar três pessoas, ainda que o ocupante do lugar central não tenha muito espaço, não só pela largura do assento, como no espaço para os pés, que é prejudicado pelo prolongar da consola central: “É uma peça que vem do Scenic e que não pudemos mudar ” admite Frederic Arbogast, o diretor de desenvolvimento do A390. O porta-bagagens tem um volume de 532 litros, bastante generoso para o segmento, e um pequeno vão subterrâneo que é útil para deixar os cabos de carregamento da bateria, até porque não existe uma mala dianteira para esse efeito. No entanto, gera-se um degrau alto quando se rebatem as costas dos bancos traseiros (1/3-2/3) e existe um desnível entre a boca de carga e o plano de carga. Os bancos dianteiros são quase bacquets, com a assinatura da Sabelt. São revestidos em pele de dois tons (azul e cinza) na versão GTS que guiámos e têm encostos de cabeça integrais e apoio lateral reforçado. Podem ter ainda inserções em carbono na parte traseira, a combinar com as que existem no painel de bordo e que ajudam a criar um ambiente “de corridas”. 2 imagens © Alpine " © Alpine " O condutor sente-se no centro do mundo por todos os comandos estarem direcionados para si e dispõe de três botões para controlar a transmissão, em posição baixa na consola central. A visibilidade traseira é deficiente pelo efeito acumulado de um óculo traseiro muito estreito, pilares posteriores muito largos e encostos de cabeça posteriores bastante grandes. A imagem da câmara de estacionamento também deveria ter tido uma atualização em relação às usadas nos Renault 4 e 5. E, estranhamente, a Alpine não equipou o A390 com um retrovisor alimentado por imagens de câmara digital - está disponível, por exemplo, no bem mais acessível Megane - que, ainda que requerendo alguma habituação, é muito útil para mostrar o que há atrás do carro. Descubra o seu próximo automóvel: Três motores elétricos Uma das principais originalidades do A390 é o facto de dispor de três motores elétricos, um sobre o eixo dianteiro e dois sobre o traseiro (cada um a controlar individualmente a sua roda). Há duas versões de potência: GT com 401 cv e GTS com 469 cv. O primeiro acelera dos 0 aos 100 km/h em 4,8s e atinge os 200 km/h, o segunda melhora esses valores para 3,9s e 220 km/h. © Alpine Qualquer motor é do tipo síncrono, mas os traseiros são de ímanes permanentes e o dianteiro de rotor bobinado - é menos eficiente em baixas cargas de acelerador, mas consegue um binário mais elevado. No caso do GTS, cada motor tem um rendimento de 115 kW (156 cv), mas o binário é de 300 Nm no motor dianteiro e de 269 Nm por cada motor traseiro (total combinado de 824 Nm). Uma das grandes vantagens em termos dinâmicos é a possibilidade do sistema permitir uma vetorização de binário ativa para melhorar a inserção do carro em curva e também promover movimentos de sobreviragem se o contexto for propício. O Alpine A390 é o primeiro modelo do Grupo Renault a usar uma bateria que não vem do oriente: são feitas em França. Tem 89 kWh podendo ser carregada a um máximo de 190 kW (corrente contínua ou DC) no GTS e 150 kW no GT. Em corrente alternada (AC) carrega a 11 kW ou 22 kW em opção. © Alpine Os 190 kW em DC são um valor alto para um sistema elétrico de 400 V, mas a Porsche e a Hyundai fazem muito melhor (+300 kW) por terem sistemas de 800 V. A autonomia anunciada varia entre 520 km com jantes de 21” e 555 km com as de 20?. Neste primeiro contacto, feito num dia chuvoso e frio (algo que desagrada às baterias), o computador de bordo indicava uma média de 24,5 kWh/100 km (GTS com 21?). Acima dos 20,4 kWh/100 km homologados, mas aceitável para os ritmos mais desafiantes da condução e pelo curto trecho de autoestrada. Vontade de ir para a pista A sessão de condução teve lugar em Chantilly, nos arredores de Paris, onde infelizmente não foi possível por à prova o sistema de vetorização de binário do eixo traseiro, dado as condições: estradas urbanas e nacionais, sempre com bastante trânsito e limites de velocidade austeros. Ter dois motores atrás e um à frente permite ter tração às quatro rodas (com entrega de binário até 65% atrás e 35% à frente, mas variando em função do estilo de condução, condições do piso e modo de condução escolhido) e a tal vetorização de binário pode dar primazia ao motor traseiro exterior à curva, ajudando a empurrar a frente para o interior desta e para a trajetória desejada, com mais rapidez e eficácia do que acontece com outras soluções que o fazem através dos travões. © Alpine Não houve oportunidade para explorar o sistema de vetorização de binário em toda a sua glória, mas o Alpine A390 não deixou de surpreender pela sua agilidade e eficácia - sempre são 2,2 toneladas de automóvel. Para explorar ao máximo o sistema o ideal seria uma pista, mas mesmo durante este teste, deu para sentir que o A390 é muito ágil e rápido a reagir, dando a sensação de não pesar aa praticamente 2,2 toneladas indicadas na sua ficha técnica. A repartição de massas quase equitativa (49%-51%) também promove o equilíbrio dinâmico. As performances do A390 GTS impressionam e o condutor pode escolher entre mais potência ou menos potência, dependendo dos modos de condução. Há ainda a patilha de cor vermelha OT (overtake ou ultrapassagem), que faz o mesmo que no A290, entregando a dose máxima de potência durante 10s. 2 imagens © Alpine " © Alpine " Há outro botão que só existe na Alpine, azul e rotativo, na face esquerda do volante. Serve para ajustar a intensidade da travagem regenerativa em quatro níveis, com o mais elevado a ativar a função One Pedal Drive. Mais peso na direção, sff A direção é muito direta e rápida (2,25 voltas entre batentes, como num desportivo), mas peca por ser leve demais, mesmo no modo Sport, o que retira precisão à condução mais desportiva. Ao contrário dos seus potenciais concorrentes, a suspensão do Alpine A390 não é nem adaptativa, nem pneumática. É um sistema passivo, mas que convence pelo excelente equilíbrio entre estabilidade e conforto, mesmo com as jantes maiores, de 21”, que equipavam o GTS que conduzimos. © Alpine Apesar de partilhar a base com o Scenic, o A390 tem vias mais largas, é mais baixo e usa alumínio na suspensão para reduzir as massas não suspensas, o que ajuda a justificar este nível de competência. A travagem também recebe um firme polegar erguido, tanto pela potência (discos ventilados nas quatro rodas) como por a mesma se fazer sentir logo que pisamos o pedal da direita e ainda pela sua linearidade, não se detetando a transição entre a travagem regenerativa e hidráulica. Preço por confirmar O Alpine A390 tem chegada prevista para breve, mas os preços finais ainda não estão confirmados. Prevê-se que a versão GT, de entrada, custe cerca de 70 mil euros, com a GTS a chegar aos 80 mil euros. Um Porsche Macan é mais caro, com a versão base (360 cv e tração traseira) a custar mais de 80 mil euros, mas responde com uma autonomia superior (641 km). O Macan 4S é o equivalente em performance ao A390 GTS, continua a oferecer mais de 600 km de autonomia, mas o preço começa a norte dos 90 mil euros. O Hyundai IONIQ 5 N é a referência entre os crossovers/SUV elétricos desportivos, muito mais potente (650 cv), dinamicamente impressionante e infinitamente configurável (passagens de caixa simuladas, por exemplo), apesar da autonomia ficar comprometida (448 km). Fica um pouco acima dos 80 mil euros, colocando o A390 GTS numa posição delicada Veredito Alpine A390 GTS Primeiras impressões 7.5/10 O primeiro crossover elétrico da Alpine convenceu-nos pelo design exterior - uma amálgama de conceitos, mas muito bem resolvida -, pela agilidade, performance e comportamento eficaz que é surpreendentemente confortável. Por outro lado, gostaria que o painel de bordo fosse “menos Renault”, apesar de agradar a escolha mais criteriosa de materiais e as funções exclusivas da Alpine. O A390 é o primeiro Alpine para a família e passa a ser uma das referências dinâmicas da classe. Data de comercialização: Janeiro 2026 Prós Comportamento ágil/divertidoPerformancesDesign sedutor e personalizadoBagageira amplaTravagem competente Contras Visibilidade traseiraEspaço para pés do passageiro central traseiroAlguns acabamentosDireção muito levePainel de bordo “demasiado Renault” Especificações Técnicas Alpine A390 GTSMotorMotor elétrico 3 (1 dianteiro + 2 traseiros)Potência máxima combinada345 kW (469 cv); 115 kW (156 cv) por motorBinário máximo combinado824 Nm; FR: 300 Nm; 2xTR: 262 NmTransmissãoTraçãoIntegralCaixa de velocidadesRelação fixa (1 vel.)BateriaTipoIões de lítioCapacidade89 kWh (úteis)CarregamentoPot. máxima em DC190 kWPot. máxima em AC11 kW (22 kW opcional)Tempo 15-80% (DC)25 minTempo 20-80% (AC)8h (11 kW) 5h20min (22 kW)ChassisSuspensãoFR: Independente, McPherson; TR: Independente, multibraçosTravõesFR: Discos ventilados; TR: Discos ventiladosDireçãoAssistida eletronicamente Diâmetro de viragem11 mDimensões e CapacidadesComp. x Larg. x Alt.4615 mm x 1885 mm x 1532 mmDistância entre eixos2708 mmAltura ao soloN.D.Capacidade da mala532-1643 litrosFrunk,Peso2121 kg (DIN)Pneus245/40 R21Prestações e consumosVelocidade máxima220 km/h0-100 km/h3,9sConsumo combinado (WLTP)20,4 kWh/100 kmAutonomia (WLTP)520 km Joaquim Oliveira