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ATAQUE DOS EUA À VENEZUELA: UM CRIME DE AGRESSÃO INTERNACIONAL PARA INSTALAÇÃO DE UM GOVERNO FANTOCHE

Público Online

2026-01-03 15:15:05

Investida norte-americana contra Caracas criticada por aliados de Maduro. Especialista alerta para violação do direito internacional no ataque deste sábado. Acompanhe ao minuto: Trump diz que Maduro foi capturado, vice-presidente da Venezuela exige prova de vida Donald Trump ordenou, neste sábado, 3 de Janeiro, um ataque contra a Venezuela. Foram registadas explosões em Caracas e o Presidente venezuelano, Nicolás Maduro, e a sua mulher foram capturados e enviados para outro país. Não há para já registos oficiais de vítimas mortais ou feridos. O Presidente norte-americano fala de "sucesso" no ataque. Países aliados da Venezuela, como o Irão ou a Rússia, já condenaram a agressão. “Os Estados Unidos da América levaram a cabo com sucesso um ataque de grande escala contra a Venezuela e o seu líder, o Presidente Nicolás Maduro, que foi capturado juntamente com a sua esposa e retirado do país por via aérea”, lê-se numa publicação de Donald Trump na sua rede social, Truth Social. Para Pedro Ponte e Sousa, professor na Universidade Portucalense, este ataque "trata-se de uma agressão, ao arrepio do Direito Internacional". "O crime de agressão internacional, pelo uso da força, pela sua gravidade e dimensão, é uma violação manifesta da soberania da Venezuela e à da Carta das Nações Unidas." Ao PÚBLICO, o especialista português explica que "o principal motivo é a mudança de regime, a instalação de um governo fantoche próximo aos interesses dos EUA, nomeadamente procurando uma maior presença das empresas americanas nos sectores do petróleo, gás e outros minerais. O motivo ideológico também está presente na Administração Trump, com o propósito de eliminar um governo socialista, desalinhado da estratégia dos EUA para a região, de um quintal que alinhe automaticamente com os interesses americanos". Condenação externa A União Europeia tem afirmado repetidamente que o Presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, "carece de legitimidade", afirmou no sábado a principal diplomata do bloco, Kaja Kallas, acrescentando que apelou à contenção e ao respeito pelo direito internacional relativamente à situação. "Falei com o secretário de Estado Marco Rubio e com o nosso embaixador em Caracas. A União Europeia está a acompanhar de perto a situação na Venezuela", escreveu Kallas no X. As principais críticas chegam dos tradicionais aliados de Caracas. O ministro dos Negócios Estrangeiros do Irão apelou ao Conselho de Segurança da ONU que "aja imediatamente para deter a agressão ilegal" e responsabilize os culpados. O Presidente da Colômbia, Gustavo Petro, activou o alerta fronteiriço na sequência dos ataques levados a cabo esta madrugada pelos Estados Unidos contra a capital da Venezuela e contra os estados de Aragua e La Guaira. "Como medida preventiva, o Governo Nacional implementou medidas para proteger a população civil, preservar a estabilidade na fronteira colombo-venezuelana e responder prontamente a quaisquer necessidades humanitárias ou migratórias", anunciou o Presidente Petro na sua conta no Twitter, "em coordenação com as autoridades locais e os organismos competentes". A Rússia, por seu lado, manifestou profunda preocupação e condenou um "acto de agressão armada" contra a Venezuela cometido pelos Estados Unidos, anunciou no sábado o Ministério dos Negócios Estrangeiros russo. "Na situação actual, é importante ( ) impedir uma nova escalada e concentrar-se na procura de uma saída para a crise através do diálogo", afirmou o ministério, em comunicado. Influência chinesa, russa e iraniana não será tolerada Para Chris Kremidas-Courtney, do Institute for Security Governance, há várias mensagens que se podem retirar deste ataque. "Em primeiro lugar, que as sanções económicas serão sustentadas pela força", explica num e-mail enviado ao PÚBLICO. Em segundo lugar, "que os Estados Unidos continuam a ser o patrão no hemisfério ocidental e que a influência chinesa, russa e iraniana não será tolerada", refere ainda. "Combinado com a posição de Trump sobre a Ucrânia e a segurança europeia, tudo isto parece um regresso à Doutrina Monroe de 1823, na qual os EUA declararam primazia no hemisfério ocidental, mas também se mantiveram fora dos assuntos da Europa. Isto pode ser mais um indício de que estamos a evoluir para esferas regionais de influência do tipo que Putin prefere", acrescenta ainda o especialista. Kremidas-Courtney deixa ainda um aviso sobre os próximos passos no que à política interna da Venezuela diz respeito: "Nenhum líder da oposição vai querer assumir agora a responsabilidade, pois parecerá um fantoche dos Estados Unidos. Mais uma vez, Washington criou um caos que pode não ter força suficiente para resolver". tp.ocilbup@oten.ovi Ivo Neto