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NOVA PRESIDENTE DA VENEZUELA JÁ ESTÁ NA MIRA DE TRUMP

Jornal de Notícias

2026-01-05 06:00:07

mandada temporariamente pela vice-presidente do país, Delcy Rodríguez. A nova chefe de Estado, uma histórica figura defensora do chavismo, recebeu ontem o apoio das Forças Armadas do regime bolivariano, mas permanece sob pressão de Washington, que disse que esta “vai pagar um preço muito alto”, se não cooperar. Ao final do dia de anteontem, o Supremo Tribunal da Venezuela ordenou que Rodríguez tomasse posse como presidente de forma interina “para garantir a continuidade administrativa e a defesa integral da nação”. os magistrados não declararam Maduro permanentemente ausente do cargo, o que obrigaria à realização de eleições dentro de 30 dias. Trump, que anteontem afirmou que o secretário de Estado norte-americano estava a dialogar com Rodríguez, ameaçou ontem a nova presidente da Venezuela. “Se não fizer o que está certo, vai pagar um preço muito alto, provavelmente superior ao de Maduro”, declarou o líder da Casa Branca, apesar de não haver acusações na Justiça norte-americana contra a política sul-americana. O chefe da diplomacia dos EUA, pOr sua vez, frisou que vai trabalhar com as lideranças venezuelanas, se estas tomarem “a decisão correta”. “Vamos avaliar tudo pelo que fizerem e vamos ver o que farão”, ressaltou Marco Rubio, em declarações à estação CBS PERFIL “Tigresa” de discurso ameno e ligada ao petróleo Delcy Rodríguez 56 anos Presidente-interina “Tigresa” para Maduro devido à sua forte defesa do chavismo, Rodríguez é filha de um militante marxista torturado e morto sob custódia policial, em 1976. Já o irmão é o presidente do Parlamento. Formou-se em Direito e atuou como advogada e professora nos anos 90, enquanto o país sofria convulsões sociais, com a tentativa de golpe liderada pelo tenente-coronel Hugo Chávez, em I992. Nos anos 2000, esteve nos bastidores do Governo Chávez, eleito em I999. Comandou tutelas até se tornar chefe da diplomacia, em 20I4, na presidência de Maduro. Nomeada vice-presidente em 208, a partir de 2020 acumulou o cargo de ministra da Economia e Finanças e a direção do Banco Central.com políticas ortodoxas anti-inflação e discurso ameno, criou pontes com o setor privado. Assumiu o Ministério do Petróleo em 2024, num período de crescimento da produção após forte queda entre 20I3 e 2020. Nova líder da Venezuela toma posse sob mira dos EUA Donald Trump e Marco Rubio ameaçam Delcy Rodríguez. Nova líder do país sul-americano recebe apoio dos militares do regime chavista e enfrenta dilema sobre futuro da revolução CARACAS Com Nicolás Maduro capturado e a opositora María Corina Machado descartada por Donald Trump, a presidência da Venezuela está a ser co-News. O secretário de Estado tentou amenizar, também, o discurso de Trump do dia anterior, em que o chefe de Estado disse que governaria a Venezuela e sugeriu o envio de tropas. As ameaças surgem após Delcy Rodríguez ter dito que defenderá os recursos naturais do país e que Maduro é o “único presidente” da Venezuela. A administração Trump não tem escondido as ambições imperialistas relativamente ao petróleo venezuelano produto que Caracas “roubou”, segundo Washington, das grandes petrolíferas orte-americanas. De acordo com o periódiCo “The New York Times”, citando fontes do Governo dos Estados Unidos, a expetativa dos norte-americanos é de que seja possível trabalhar com Delcy Rodríguez, mesmo esta sendo a vice-presidente de um Executivo considerado “ilegítimo” pOr Washington. A experiência da líder interina na economia e ôno setor do petróleo (perfil ao lado) agrada os EUA, nem que seja para uma solução temporária. MORTOS “A SANGUE-FRIO” Sob a ameaça da fúria de Trump, a presidente da Venezuela está numa corda bamba, com o futuro da revolução bolivariana nas suas mãos. Um dia depois do ataque e num clima de desconfiança em Caracas pOr possíveis traições pró-EUA, Rodríguez recebeu o apoio das Forças Armadas, através de uma declaração do ministro da Defesa. Vladimir Padrino López afirmou, ainda, que alguns dos guarda-costas de Maduro foram mortos “a sangue-frio”, assim como militares e civis venezuelanos. “Apelo ao povo da Venezuela a retomar as suas atividades de todos os tipos, económicas, laborais e educativas, nos próximos dias”, acrescentou. “A pátria deve seguir o seu curso constitucional”, concluiuo general. Primeira audiência de Maduro hoje em tribunal Político deposto encontra-se detido em prisão em Brooklyn NOVA IORQUE o presidente deposto da Venezuela e a primeira-dama, sequestrados na madrugada de sábado pelos Estados Unidos, terão hoje a primeira audiência em tribunal, na cidade de Nova Iorque. Nicolás Maduro e Cilia Flores são acusados de narcoterrorismo devido a alegados laços com o tráfico de cocaína que tem como destino OS EUA. A audiência ôno tribunal de Manhattan será às 12 horas locais (17 horas em Portugal Continental). Segundo a estação NBC, O caso foi atribuído ao juiz federal Alvin Hellerstein, conhecido pOr ter lidado com processos do 11 de setembro de 2001 e que já impôs derrotas a Trump nos seus processos pessoais e em ações contra o Governo federal. Maduro chegou de avião, na noite de sábado, à Base Aérea da Guarda Nacional Stewart, ao Norte da cidade de Nova Iorque. Na madrugada de ontem, foi encaminhado de helicóptero para a sede da agência antidrogas dos EUA (DEA, na sigla em inglês). é a investigação da DEA que será usada como base para a acusação. “FELIZ ANO NOvo” Num vídeo gravado nestas instalações, o chavista de 63 anos, de chinelos e algemado, desejou “uma boa noite” e “feliz ano novo”. Foi encaminhado, depois, para o Centro de Detenção Metropolitano, em Brooklyn, que abriga cerca de 1300 reclusos. Era ali que estava Juan Orlando Hernández, ex-presidente das Honduras, condenado a 45 anos de prisão por narcotráfico, mas perdoado pOr Trump ôno último mês. G.H. Trump quer “petróleo e gás natural”, e isso é um “desafio para a Oposição” venezuelana Ataque dos EUA é “agressão ilegítima, ilegal e muito grave”. Argumento do narcotráfico não é credível Rita Salcedas rita.salcedas@jn.pt ANaLISE Pedro Ponte e Sousa, especialista em Relações Internacionais, não tem dúvidas em considerar o ataque de Washington a Caracas uma “agressão ilegítima, ilegal e muito grave”, contrária ao direito internacional e à Carta das Nações Unidas, e desfaz a narrativa trumpista de que a Venezuela seja uma ameaça à segurança dos Estados Unidos. “Não há justificação plausível”, afirma o docente, apontando “equiVOCOS que não correspondem à verdade”, o primeiro dos quais o suposto problema do narcotráfico que serviu de gancho à detenção de Maduro. “A Venezuela não é um produtor essencial [de droga] nem é um país essencial do ponto de vista da distribuição, da facilitação e da chegada aos Estados Unidos. Por aí, não colhe”, defende o investigador do Instituto Português de Relações Internacionais (IPRI) da Universidade Nova. Como não colhe também, acrescenta, a ideia de o país ser uma ameaça à segurança e à paz internacional: “Não é. Não é para OS seus vizinhos, muito menos para OS EUA.” “o que OS Estados Unidos pretendem é claro: uma mudança de regime, instalar um Governo que lhes seja favorável.” Em quê? “Petróleo, gás natural e recursos minerais”, diz Pedro Ponte e Sousa, lembrando que a política de Donald Trump tem “assentado num discurso de alcance de objetivos sobre os recursos”. "é O que explica o envolvimento na Nigéria, o interesse na Gronelândia, na Ucrânia...”, exemplifica, recordando ainda que “levar a democracia pela força numa caixinha é algo que sempre esteve na linguagem e ônos objetivos de uma parte significativa do Partido Republicano”, o que pode ter ajudado a dar suporte à ação. Com uma posição “esclarecedora sobre a importância do petróleo para as empresas norte-americanas” e praticamente descartando María Corina Machado, principal figura da Oposição venezuelana, na conferência de Imprensa de sábado, “as expectativas de alguns venezuelanos podem sair goradas”. “Trump mostrou que a preocupação não era, de todo, a democracia venezuelana e deu quase o sinal de que está disposto a trabalhar com quem quer que esteja ôno Governo de Caracas, abrindo a porta a trabalhar com a vice-presidente atual”, diz o também professor da Universidade Portucalense. “Deixa claro, ao mesmo tempo, que nada disto tem a ver com narcotráfico”, mas sim com interesses norte-americanos. “Isso é um desafio para o movimento da Oposição da Venezuela, no sentido em que esvazia o espaço que poderia ter”, conclui, interpretando uma “falta de plano e razoável desinteresse numa consolidação do processo de transição” por parte da Casa Branca. Coração na Venezuela: “Estamos em contacto desde a madrugada” O JN foi ouvir pessoas com ligações familiares à pátria de Bolívar, para saber como estão a acompanhar a situação naquele país. São histórias de quem sofre à distância REAçOES Nasceram na Venezuela, mas optaram por viver em Portugal. Agora, depois de OS Estados Unidos terem "extraído” o presidente Nicolás Maduro, no sábado, contam como estão a seguir os acontecimentos, preocupados com familiares e amigos que deixaram para trás. OBDULIO GOMEZ “Ninguém sabe o que vai acontecer” Obdulio Gomez, um venezuelano que em 2018 emigrou para Portugal, tem acompanhado os acontecimentos na sua terra natal, procurando perceber os impactos. A partir de Albergaria-a-Velha, onde se fixou com a mulher (lusodescendente) e os filhos, tem estado em contacto com a família que permaneceu no outro lado do Atlântico. “Estamos em contacto desde a madrugada [de sábado]”, revela o venezuelano. E é ele a contar o que se passa. “Nós temos mais informação do que eles”, porque as notícias na Venezuela são controladas pelo Governo, explica. A família que ficou na Venezuela irmãos, sobrinhos, tios e sogros , está "nervosa”. “Ninguém sabe o que vai acontecer" Parajá, os preços subiram. “o valor da comida aumentou muito. Um quilo de carne estava, ontem, a custar entre 20 e 22 dólares”, quando “um ordenado mínimo são quatro dólares”. Há muito que vários venezuelanos só conseguem sobreviver “com a ajuda de quem está fora [do país] e manda dinheiro”. E o que Obdulio faz para apoiar a família a ter acesso a medicamentose a suportar outros gastos, nomeadamente com alimentos. A transição política e social pela qual tantos venezuelanos anseiam acontecerá "devagar", calcula Obdulio. “Não vai mudar de repente, o tema da política venezuelana é muito complexo”. Mas a "mudança” é algo que o Povo “procura há muitos anos”. “Ainda falta, mas é bom que já tenha começado. Está a sair uma pessoa que faz muito dano ao nosso país” e é um dos “responsáveis pela emigração forçada para todas as partes do Mundo”, frisa. ZULAY COSTA SOFIA ALVES Explosões em Caracas assustaram “Estavam assustados. Houve zonas de Caracas onde o barulho das explosões foi mais notório. Conheço pessoas que moram perto de sítios que foram bombardeados, como a base aérea de La Carlota”, e que ficaram “em pânico” com o barulho das explosões e o impacto nos vidros. Sofia Alves, uma lusodescendente que em 2022 saiu da Venezuela para se fixar em Estarreja, foi acordada POr telefonemas de familiares e amigos a relatarem os acontecimentos na capital venezuela. “Foram eles que nos acordaram ontem [sábado], quando eram duas da manhã na Venezuela, para nos dar nota do que estava a acontecer”, recorda Sofia Alves, que assume funções de tesoureira da Venexos, uma associação que congrega venezuelanos e lusodescendentes, sobretudo da região Centro. Também pediam informações fidedignas. “o que as pessoas sabem é através das redes sociais e dos familiares e amigos que estão fora do pais, que conseguem ver notícias imparciais e transmitir informações”. E há quem nem isso consiga. "Houve zonas, sobretudo em Caracas, que ficaram sem luz e sem internet. Têm de ficar resguardadas em casa. Têm dificuldade em aceder à informação”. Sofia Alves ouviu relatos de "filas” para comprar alimentos e medicamentos. “A maioria dos negócios nem sequer abriu." Há quem receie que a falta de dinheiIO e de acesso a comida leve a “pilhagens”. Na Venezuela, conta, “as pessoas que têm alguns recursos económicos costumam estar preparadas e há a cultura de terem coisas em casa para não serem apanhadas desprevenidas”, mas “a maior parte das pessoas vive do dia a dia” e não tem capacidade económica para fazer stock. Misturada com a preocupação, também há "felicidade”, garante. “Estávamos há muito tempo à espera que isto pudesse acontecer. Ninguém sabia como, quando iria acontecer e se iria haver uma intervenção em terra” Agora, de um ladoe e do outro do Atlântico, as pessoas estão “expectantes”. “Sabemos que isto não é o o início da era democrática, ainda temos um longo caminho a percorrer para conseguirmos lograr a liberdade que tanto desejamos”. O período de transição, acrescenta ainda Sofia Alves, será “difi-cil”. E preciso controlar milicias, a guerrilha colombiana e as forças iranianas que estão na Venezuela”, entre outros grupos. A lusodescendente espera que, depois, a liderança da Venezuela seja assumida POr Edmundo González e Maria Corina Machado. Ou que haja um novo processo eleitoral. Se for “um processo limpo e acompanhado pela comunidade internacional, o que irá ganhar éa mudança”. zc. ALBERSY PEREZ Comunidade feliz com prisão de Maduro Os sentimentos são transversais aos venezuelanos que vivem no Alentejo: deixaram o país POr falta de liberdade, as péssimas condições de vida, acreditam no futuro da Venezuela e das suas famílias, e todos querem continuar a viver em Portugal. Desde a chegada da frota dos EUA às águas do Caribe que perceberam que algo estava para acontecer e a operação americana não foi uma surpresa. Era somente uma questão de dias, para que Maduro fosse obrigado a abandonar o poder. Albersy Perez, 39 anos, nasceu na pequena aldeia de Rio Tocuyo, em Carora, e há sete anos que chegou a Portugal, a Ferreira do Alentejo. Veio sozinho, dois anos depois chegaram a mulher e os dois filhos menores e, mais tarde, a filha mais velha. Trabalha na mina de Neves-Corvo, em Castro Verde. Há quatro anos que é voluntário no Corpo de Bombeiros de Ferreira do Alentejo. Conhece o regime chavista POr dentro, já que durante 15 anos foi polícia na Venezuela. "o que nos davam não era o que desejava para o meu país, mas a parte social da minha familia, em particular dos meus filhos, foi o que mais pesou para vir em busca de uma nova vida. Escolhemos Ferreira do Alentejo para viver”, contou, emocionado, ao JN. O coração da família Perez ficou mais apertado quando soube da Operação Resolução Absoluta, já que o sogro de Albersy vive no interior do Forte Tiuna, sede do Ministério da Defesa e do Estado-Maior das Forças Armadas, que alberga mais de dez mil habitações para civise militares, local onde o presidente Maduro foi capturado. "E uma zona residencial de civis que funcionava como escudo humano do regime. O meu sogro, quando ouviu o primeiro rebentamento, saiu de casa com a mulher e a filha e, no carro de um vizinho, foram para um bairro fora do Forte, onde se sentiam em segurança”, concluiu. Confidenciando que este domingo foi dia de festa entre os venezuelanos em Ferreira do Alentejo, admite que, "ao princípio, foi uma angústia POr causa da familia, pais, irmão, sogros e cunhada, mas depois de sabermos o resultado da operação foram momentos de felicidade”. Agora resta esperar “pela reação do Governo e perceber o seu rumo de ação”. TEIXEIRA CORREIA ADRIANA CICCAGLIONE “Aguardamos com muita expectativa” Há três anos em Beja, Adriana Ciccaglione, 50 anos, é jornalista, profissão que exerceu durante mais de 20 anos, mas a censura e os constrangimentos à liberdade de imprensa levaram a que abandonasse a Venezuela rumo à cidade Pax Julia onde é professora de espanhol. Em contacto diário com os colegas venezuelanos, Adriana refere que “os EUA estavam há três meses à procura do paradeiro de Maduro. Pela forma cirúrgica como a operação decorreu, houve alguem que o atraiçoou. Não foi preso um presidente, foi preso um criminoso”, sustentou. "Agora, aguardarmos com muita expectativa qual vaiser o rumo do pais. Este domingo, a Conatel, a censura do Governo, fechou três canais de televisão. Esperamos que o presidente eleito pelo povo em 2024, Edmundo González, assuma o poder, mas as palavras de Trump de que a transição não é com ele, não nos deixaram muito agradados”, concluiu. T.C. EDGAR RINCON MONTERO o futuro passa por ficar em Beja Assumindo que em 1992 votou em Hugo Chávez, mas diz que foi enganado como cidadão e como empresário. Há 25 anos que Edgar Rincon Montero passou a ser contra o regime, uma vez que perdeu a sua empresa de transportes, tendo sido obrigado a deixar o país rumo ao Peru. Nasceu em Cabimas, na fronteira com a Colômbia, e tem 57 anos. Há quatro que chegou a Beja com a filha, o genro, os dois netos e um primo do genro. Trabalha como tratorista numa empresa agricola. "Ao princípio, fiquei preocupado e nervoso POr causa da família que vive lá, mas agora estou mais descansado e contente. Os EUA vão administrar o pais nos próximos anos, mas acreditamos na reconstrução da Venezuela. Foram os americanos que criaram o império do petróleo, mas Hugo Chávez roubou os gringos”. Face aos laços familiares com o genro de Edgar, Armando Mudarain, de 29 anos, é o sexto elemento do núcleo venezuelano que vive no Monte do Casteleiro, õnos arredores de Beja. Nascido em Puerto de la Cruz, na zona oriental da Venezuela, mostrava as cinzas da grande fogueira que o grupo fez para celebrar a operação americana. “Ao princípio, fi-quei preocupado por causa da minha mãe e do meu irmão, mas estou contentíssimo por saber que estão bem. Vivem numa zona longe do conflito”, rematou. Edgar e Armando partilham das mesmas ideias e ideais, em que o futuro passa por ficar em Beja. Ambos querem paz, trabalho e a reconstrução de uma Venezuela próspera. T.C. MARIO DA SILVA (o As pessoas não podem sair de casa” “Agora está tudo em casa, as pessoas não podem sair, porque a Polícia não deixa. Tudo está tomado”. Só estão abertos os supermercados e farmácias, com "filas muito grandes”. Os bens estão a ser “racionados” e estão ainda mais caros, dificultando o acesso Por parte do povo, cujo “poder aquisitivo” já estava “destruído”. ê o retrato atual da Venezuela feita pelo lusodescendente Mário da Silva. Filho de pais madeirenses, nasceu na Venezuela há 60 anos e POr lá ficou, mesmo quando as condições de vida se começaram a deteriorar. O professor universitário, que reside em Valência, no estado de Carabobo, continua a acalentar a esperança” de que seja encontrada uma solução para o país, que haja democracia e a riqueza venezuelana beneficie o povo e não apenas elites ou potências estrangeiras. “Cremos na Venezuela, estamos aqui aguentando”. A notícia chegou pelas redes sociais. “os canais de televisão e de rádio não passam nada disso, somente passam o que diz o Governo”, explica. Mas há grupos de WhatsApp, de Instagram e outras redes que conectam a população. Foi “o que não nos conseguiram tirar”. Mário da Silva não foi apanhado de surpresa. “Já sabíamos que isto viria, há muito tempo que estávamos à espera”, diz, sublinhando que a operação foi "seleta, muito específica”. E deverá ter continuidade, uma vez que “não era apenas o presidente, ainda faltam outros que estão na lista dos Estados Unidos”. O lusodescendente recusa a ideia veiculada POr Donald Trump de que a opositora de Maduro, María Corina Machado (galardoada com o Nobel da Paz), não tenha o "apoio” do povo venezuelano. “o que passa é que esta gente não sai com votos”, explica. “Não é o povo que tem as armas, mas os que apoiam Nicolás Maduro” Z.C. Reportagem junto dos que, em Portugal, sofrem à distância com a incerteza política P. 17 Um membro de um grupo armado civil guarda a entrada de um supermercado em Caracas (à esquerda) Maduro escoltado POr agentes da DEA, a agência antidrogas dos EUA, em Manhattan "Se OS EUA fossem coerentes nesta estratégia de inter vir para derrubar líderes para instaurar uma democra cia. haveria outros 50 primeiro, alguns bastante piores e alguns bastante mais próximos de Trump diretamente” Pedro Ponte e Sousa Especialista em Relações Internacionais Sofía Alves deixou a Venezuela e vive em Estarreja MOELRA Armando Mudarain e Edgar Rincon Montero, em Beja Obdulio Gomez com a família, em Albergaria-a-Velha O venezuelano Albersy Perez e a família, em Ferreira do Alentejo Gabriel Hansen